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Ilustração - Fernando Vicente


A Gaffe tetra

rabiscado pela Gaffe, em 29.05.17

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A Gaffe não sabe muito bem o que se está a festejar, mas com adeptos destes justificam-se todos os folguedos, sobretudo quando se nos depara uma trilogia de cuecas com apontamentos vintage, de cortes muito interessantes e aberturas estratégicas - características que a colocam num patamar bastante elevado daquilo a que costumamos classificar como sexy.

 

E se, minhas queridas, os três nos parecem muito iguais, há sempre a possibilidade de os classificar pelo comprimento … da barba, por exemplo.

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A Gaffe dos três émes

rabiscado pela Gaffe, em 26.05.17

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A Gaffe leu há dias o texto de um senhor muito indignado que se amotinava contra o culto da futilidade e da desumanidade mais fria em detrimento da solidariedade global e da revolta contra os dramas tenebrosos que assolam o planeta.

Escrevia o senhor que nos movemos todos com o combustível do irrisório, do banal, do superficial, do fútil e do mais leviano, preocupando-nos apenas com o passageiro, com a ementa que nos torna fit e se temos reserva feita nas instâncias de luxo onde vamos passar férias. Os espoliados, os pobres, os restolhos do planeta, a miséria, a fome, o descalabro e a desolação, estão afastados dos nossos olhos e expulsos do nosso coração. O descrédito na humanidade era tamanho que chegaram duas breves lágrimas aos olhos da Gaffe, apenas recuperadas porque esta rapariga percebeu que quando o senhor alapa o rabo no banquinho e tecla esta denúncia, se salvam os povos da Nigéria, o carrapiço da Nova Zelândia em vias de extinção e a fome no planeta recua atemorizada.

Abençoados os posts deste senhor que deixam a Gaffe esmagada com a vergonha do que vai escrever em seguida.

 

Pois que é fútil.

 

A Gaffe percebeu que o país assumiu a trilogia dos émes, afastando-se da tradicional - Fado, Fátima e Futebol -, embora permaneçam alguns resquícios desta anterior, por exemplo, na colagem de Centeno a Ronaldo que o Ministro das Finanças alemão elaborou num surto de ciúmes e de inveja por se ter apercebido que Centeno tinha pernas para andar.   

 

Portugal evoluiu. É agora o país dos três émes que percorrem desenfreados todas as redes sociais e invadem todos os recantos e esquinas da vida portuguesa. Uma aceleração alfabética que a Gaffe não hesita em referir, procurando algum rigor nas suas enunciações.

 

Melania Trump  

                                   

A primeira-dama possivelmente prova que não vale a pena casar por alguns tostões. Embora sejam o aborrecimento e o dinheiro que mais casamentos fazem depois do amor, não é de todo aconselhada a via das finanças. Pedi-los emprestados sai sempre mais barato. Prova em simultâneo que as mulheres possuem uma vantagem sobre os homens: se não conseguem uma coisa sendo íntegras, conseguem-na sendo tolas.

 

É injusto chibatar a senhora apenas porque percebeu que se tinha a possibilidade de viajar em primeira não podia permitir que outra o fizesse, e é altamente penalizador esmagar-lhe a eventual distinção por não parecer acompanhada por alguns neurónios.

Melania possui uma espécie menor de elegância - a forçada. É uma mulher elegante à força. Desde que se mantenha calada, sem se mover muito, de perninhas juntas e mãos cruzadas, disfarça a total ausência de carisma e de charme - característica essencial à elegância genuína - e é palerma rasgar-lhe o maravilhoso D&G que usou para pedir ao Papa que lhe benzesse o terço.

Se a fotografia oficial do encontro dos Trump com o Papa tem um je ne sais quoi de família Adams, a responsabilidade tem de ser repartida com as trombas divinais, o trombil abençoado, as fuças santas de Sua Santidade.  

Melania não causou dano. Não sabe. É bonita e basta.

                                                                                                                                                    

Madonna

 

A Gaffe não encontra inconveniente em se perseguir uma estrela. Relembra que há já algum tempito uns senhores de muitas boas famílias seguiram uma e encontraram o Salvador, que é, com toda a gente desatou a saber, um rapaz amoroso, herói nacional, muito despojado e também de boas famílias - a irmã, apesar de fanhosa, é uma Braamcamp. Ele não, porque é simples, genuíno, descontraído, não dá importância ao dinheiro e, na linha do post do senhor que a Gaffe referiu no início, preocupa-se com os refugiados.

Perseguir Madonna é portanto encontrar a salvação.

Bem-haja.

Convém no entanto proteger a mulher da fúria do senhor do post, não vá dar-se uma tragédia e passarmos a ser parvos inúteis, porque não revelamos a nossa dor, a nossa solidariedade e o nosso espírito de sacrifício, no FaceBook com um belíssimo Pray For Madonna com as cores do arco-íris.  

 

Maria Capaz

 

A Gaffe só conhece Rita Ferro Rodrigues e conhece-a aos gritos alarves, às gargalhadas insanas, a endrominar mulheres velhinhas insistindo a cada minuto - as velhas têm dificuldade em ouvir e esquecem tudo, não é?! - para que façam uma chamada de valor acrescentado. Afinal, são mulheres livres do peso opressor do macho - mesmo que não, já não se lembram de como é tê-lo em cima.   

 

Embora compreenda que também os velhos deviam ser obrigados a aplicar uma parte da reforma na dinamização da economia - afinal nos lares têm cama, mesa e roupa lavada! – e que já não se lembram de nada, esquecendo-se com uma rapidez irritante do número do telefone que a Ritinha grita, a Gaffe pensa que devia ser interditada aos velhinhos brancos a participação no forrobodó, durante um período de tempo razoável e porventura pequeno, porque eles morrem muito. Assim, só porque sim.

Só mulatos para cima… e pretos … dizem que os pretos são potentes … e rijos … e que duram imenso … e que têm uma pila grande … e os culturistas da imagem ... estão bronzeados, não conta ... 

 

É apenas uma proposta, mas a Gaffe apela à inteligência acutilante e sempre criativa da Maria Capaz que a considerará um achado do mesmo calibre daquelas que propõe.

 

Posto isto, a Gaffe culpabiliza-se pela futilidade de tudo o que foi dito e vai reler o post do senhor revoltado do início do mundo, usando-o - o post, não o senhor que não é desses -  como chibata para se castigar.

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A Gaffe de Samuel Úria

rabiscado pela Gaffe, em 25.05.17

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Não sou fã da música de Samuel Úria. A culpa é toda minha. O meu espectro musical é pindérico e se realmente existe é da responsabilidade de esforçados amigos que insistem em preencher a minha inépcia musical encharcando-a com o que consideram de estupenda qualidade.

Mesmo assim, acabo a entregar importância à letra ou ao poema que é musicado, descurando por completo a melodia que o acompanha.

 

Exceptuando Wagner e Rachmaninov, apenas porque o meu avô os ouvia incessantemente, a música nunca fez parte das minhas horas, porque tenho o vício de as preencher com pessoas. 

Sou uma rapariga sem banda sonora.

 

É previsto, em consequência, não falar de Samuel Úria.

Há no entanto umas preciosidades que Samuel Úria nos entrega de quando em vez e que me conquistaram no primeiro encontro. 

 

As crónicas.

 

Podem ser encontradas na página sapo.pt - opinião & blogs - e são sempre extraordinárias, inteligentes, oportunas, povoadas de ligações que surpreendem, imprevisíveis, inesperadas, contundentes, articuladas de um modo fascinante que impelem o leitor a deslizar no texto sem qualquer atrito, fluindo até ao fim que nos parece sempre deixar saudades.

 

Samuel Úria é exímio neste registo e domina por completo a difícil arte de comunicar sem parecer que fica verde com o esforço, ou que nos deixa da mesma cor ao lê-lo.

 

O rapaz pode musicar as crónicas que escreve. Eu vou ouvir e comprar o CD.

 

Na foto - Gene Tierney

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A Gaffe de última hora

rabiscado pela Gaffe, em 24.05.17

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Madonna andou a cavalo numa praia em Portugal!

O cavalo estará na próxima semana no "Alta Definição".

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Gavetas:

A Gaffe noticía

rabiscado pela Gaffe, em 23.05.17

Mariana Mortágua, ontem, evitando trincar os microfones, declarou num tom de voz sussurrado para reforçar a ameaça, que o Bloco de Esquerda não vai tolerar uma nova usurpação de fotografias icónicas por parte da Juventude Centrista. Bastou o abjecto uso da foto de Salgueiro Maia sem que o autor desse autorização para se recortar e colorir o militar de Abril, esbardalhando-o num cartaz foleiro.

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 Mariana Mortágua previne que se a Juventude Centrista usar a foto apensa como argumento contra a adopção por casais do mesmo sexo, - que dá nisto, refere Isilda Pegado -, apresenta uma moção de censura ao Governo - que permite o escândalo consubstanciado na exploração de crianças que são transformadas em macacos de voodoo envernizados e disfarçados de pompom de chinelinho num quarto manhoso, apenas para desviar a atenção da ausência de meias nos adultos que as controlam - e por arrasto pede a demissão do presidente da CPCJ que não se apercebeu do evidente. A criança devia - há que entregar o boneco ao pantomineiro da tribo - ter chegado acompanhada por isto:

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Mariana Mortágua, em nota de rodapé, declarou também ser frontalmente contra as calças de apanhar amêijoas que de tão apertadas esmagam as amêijoas de quem as usa, porque dão a curto prazo um esticão ao SNS que se vê obrigado a tratar, mesmo sendo genéricas, imensas pilas comprimidas.

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Terminando a sua intervenção Mariana Mortágua envia uma dura mensagem ao Governo, alertando-a para sangria de talentos que continua sem travão, como ilustra o caso emigrado de Sara Sampaio - que entra em red carpet com um pára-brisas incorporado, muito à frente -, e avisa que o Bloco de Esquerda já sabe, por exemplo, que Madonna só está em Portugal para adoptar o Salvador Sobral.

 

 

Nota da redacção - Não é notícia falsa. São factos alternativos.

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Gavetas:

A Gaffe nos Globos de Ouro

rabiscado pela Gaffe, em 22.05.17

Perdoa-lhes, Senhora! Elas não sabem o que fazem.

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Gavetas:

A Gaffe destaca

rabiscado pela Gaffe, em 19.05.17

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É evidente que hoje não podia deixar de encarnar uma finalista do eurofestival e a fazer explodir uma quantidade enlouquecida de fogo-de-artifício, a fazer um chinfrim monumental e com uma data de bailarinos nus aos pinchos, chamar a música e apontar os holofotes para um pequeno caso sério que hoje está de parabéns.

 

Rapariga, todos os destaques que existirem hoje são teus.

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A Gaffe em equipa

rabiscado pela Gaffe, em 18.05.17

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 Se não podes ajudar, estorva.

O que importa é participar. 

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A Gaffe emparelhada

rabiscado pela Gaffe, em 17.05.17

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 Está explicado o brutal sucesso e o inesperado impacto de Salvador Sobral!

 

Segundo a imprensa coscuvilheira, Salvador Sobral tem uma soberba paixão e nem sequer precisa de amar pelos dois.  

 

Jenna Thiam, como não podia nunca deixar de ser - dado as badaladas características do namorado que incluem o talento, a sensibilidade, a expressividade, a inteligência e o bom-gosto -, é ...

RUIVA

 

A prova insofismável!

Quer se queira, ou não se queira, atrás de um salvador existe sempre uma ruiva.  

 

na foto - Jenna Thiam

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A Gaffe cro-magnon

rabiscado pela Gaffe, em 17.05.17

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Não é segredo eu gostar de barbas.

 

Os homens deviam usar barba por obrigação e deviam ser encarcerados no vagão do cacilheiro de Joana Vasconcelos, algemados a Joana Vasconcelos e a ouvir Margarida Rebelo Pinto a ler um dos seus cumances, se não cumprissem o estipulado por Lei.

 

Provavelmente esta minha predisposição pilosa está ligada ao facto de todos os homens importantes da minha vida terem usado, ou usarem, barba e daí também haver à minha disposição e apreciação imensos tamanhos de barba que vão desde a lixa número três, até a uma intimidadora barba branca de cavaleiro medieval - embora não tenha memória de ter a presença do exemplar ostentado por Salvador Sobral.

 

É claro como água que usar barba não significa trocar os minutos matinais usados para um escanhoar em condições, por uma escapadela ao Facebook enquanto o pão torra e o café se faz - por norma os homens barbudos não são fãs de pequenos-almoços repletos daquilo a que chamam mariconices.

 

Usar barba é muito mais trabalhoso do que arrastar, todas as manhãs - em tronco nu, de toalha felpuda traçada na cinta, pés descalços sobre o ladrilho frio, axilas por depilar, peitorais retesados, pernas dignas da estatuária grega se o mármore fosse peludo, cabelo desalinhado e ainda a pingar nas costas, umbigo a interromper uma espinha de pelinho penteado e duas covinhas mesmo logo acima do rabiosque - e vamos lá tentar retomar a lucidez e voltar ao assunto -, uma lâmina pelo queixo.

 

Usar barba é assumir que é necessário obter um tempo realmente longo para despender no desenho, na lavagem, na hidratação, no condicionamento, no amaciar, no perfumar, no escovar, no pentear e sobretudo no aparar da dita.

 

Usar barba não é sinónimo de ter apensa ao queixo uma homenagem à Amazónia com bichos raros lá dentro. Nestes casos miseráveis, uma rapariga sente sempre muito a falta de um Centro Comercial bem desbastado onde o único animal visível é a pantera da Cartier e, lembrem-se rapazes, que acordar ao lado de um gigantesco pirilampo mágico electrocutado não povoa as nossas fantasias.   

 

Estas considerações devem-se apenas ao facto do rapagão ter tombado no jantar - depois de um exílio de quase três semanas no meio do Minho -, com uma barba descomunal.

Atrasado, ainda por cima! Se já lá estivesse, sentadinho à mesa, ninguém notava que estava vestido como se tivesse chegado de uma visita aos pobrezinhos, ao lado de Assunção Cristas, e evitava ser picado pela minha irmã:

- Tiveste dificuldade em estacionar a vaca.

Vai hoje directo - que não se atreva a tomar primeiro o pequeno-almoço -, ao António, jovem e competentíssimo barbeiro, que de armas em punho cuidará de encontrar os olhos deste brutamontes por entre o matagal cerrado e negro e decepará pelo menos metade do seu allure cro-magnon.

 

Rapazes, entreguem os queixos barbudos pelo menos duas vezes por mês a um profissional capaz de vos transformar em valentes príncipes de outras eras, sem pêlos nas orelhas e de nuca rapada. Acreditem, meus queridos, que o self-made man neste caso específico é um fracasso. Um orangotango que ao depilar-se se esqueceu que também deve atacar os pêlos que não vê.

 

Na foto - Marlon Brando

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Gavetas:

A Gaffe de galochas

rabiscado pela Gaffe, em 16.05.17

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A Gaffe usa galochas.

Pretas, justas à barriguinha da perna, com uma ligação perfeita aos jeans - de cor uniforme, não vá parecer que andou nas obras -, e camisa muito masculina, larga, com um xadrez de inspiração escocesa, com um nó na cinta.

A Gaffe usa galochas para visitar os pobrezinhos nos bairros sociais e os mais desfavorecidos que vivem na lama e no esterco.

Nas visitas aos sem-abrigos, a Gaffe acrescenta um agasalho muito discreto, de caxemira de cor sóbria e respeitosa e botas de campanha. Os jeans são os mesmos, para não parecer que se varia muito e frisar que não são apenas eles, os pobres, que insistem em dizer que a moda é só aquilo que nos fica bem. Às vezes um tailleur vintage, ou um simples cobertor Galliano de 2010 que nos assenta na perfeição, é o que basta para nos actualizar imediatamente.

 

Atenção: Os sem-abrigo só existem de noite e não fica nada mal acrescentar ao outfit um capacete com uma pilha incorporada.

 

Nada é mais agradável do que saber que Assunção Cristas comunga deste elegante saber estar, lendo as suas oportunas declarações que nos revelam que, tal como a Gaffe, calça muitas vezes botas e enfia umas calças muito práticas, prontificando-se desta forma a calcar o cocó que os pobres fazem na rua, nos seus momentos mais globalizantes que os aproximam da cultura mais rude dos indianos.     

A Gaffe fica contente ao perceber que se pode cruzar com Assunção Cristas nestas visitas purificadoras, muito jeitosas e que nos deixam livres para optarmos por um guarda-roupa mais descomprometido e relaxante, contrário ao que tantas vezes nos é imposto pelas convenções sociais e que nos faz parecer saídas das fotografias de um século passado. O lazer que nos traz a possibilidade de usarmos o mais descomplexado, o mais jovial e descontraído, é muito descurado neste país que também esquece, paradoxalmente, que uma mulher de saia travada dificilmente cumpre o seu dever, como nos alerta Gonçalo da Câmara Pereira.

 

Como é evidente, a Gaffe concorda com Câmara Pereira. Uma saia travada prende imensos movimentos - muitas vezes os melhores - e é também desaconselhada quando a mulher assiste a uma tourada, depois de cumpridos os seus deveres domésticos. Uma rapariga senta-se naqueles estrados muito baixos, fica indecorosa e é evidente que pode causar alguma distracção na testosterona da arena. Uma saia travada é muito mais indicada a uma noite de fado, depois de cumpridos os nossos deveres domésticos - nunca é exagero repetir.

 

É uma alegria ver que Gonçalo da Câmara Pereira se une a Assunção Cristas na corrida à Câmara de Lisboa! Finalmente a capital tem a hipótese de se ver governada por um dueto saído de uma opereta, com um guarda-roupa irrepreensível.

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A Gaffe de Salvador

rabiscado pela Gaffe, em 14.05.17


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Pela primeira vez sinto que devo fazer um esforço para controlar o uso dos adjectivos, tornar-me parca nos avérbios e emegracer a verborreia.

Afinal, este post fala de Salvador Sobral e de Amar Pelos Dois e é um bocadinho tolo desatar a coleccionar o lado pomposo das palavras, quando todos os cromos estão já repetidos.

É inútl também tecer considerações rebuscadas, ou retirar ilações precipitadas, iguais àquela que na ausência de género na letra da canção encontrou uma subliminar indicação de apoio à diversidade de escolhas que o amor tem ao dispor.

 

A letra - convém reter que existe a letra de uma canção, assim como existe um poema que é cantado e que estas duas possibilidades nem sempre coincidem - é lindíssima, estabelece uma cumplicidade cativante com o arranjo musical e está interpretada por uma voz belísssima, comovente e expressiva que atingiu em cheio a sensibilidade de países que não precisaram de a entender para se renderem à união do timbre mágico de Salvador, à harmonia, à inteligência e a sensibilidade da melodia.

 

O less is more foi aqui perfeito.

 

Há no entanto, para além de tudo o que foi já dito - e muito bem dito - por outros que não eu, um dado que me deixa curiosa.

A canção extravasou os territórios bem delimitados do Eurofestival e provocou reacções efusivas, entusiastas e entusiasmadas, quer por parte de gente que tem lugar cativo no patamar maior da música global – Caetano, ou Scott Matthew, por exemplo -, quer por parte de quem não é habitual nestas andanças - J. K. Rowling, ou Meryl Streep que já declararam a sua paixão pela voz de Salvador.

Aposto que Judy Garland também se renderia a esta canção.

 

Estou certa que arrisco rabiscar mais uma teoria tola que se pode unir às tantas outras que aparecem nestes casos, mas apetece-me dizer que Salvador e Amar Pelos Dois sobrevoou alguns dos arquétipos que - como é destino deles -, são comuns a toda a gente. Salvador com a melodia que encarnou aproximou-se dos nossos denominadores comuns e, muito mais do que a letra cantada ou o arranjo que a vestiu, foi a voz de cada palavra, a voz que a voz de Salvador entregou a cada uma das palavras, que fez com que as árvores do cenário se tornassem realmente elemento primordial e coadjuvassem a interpretação.  

Talvez tenha sido este breve voo sobre o ninho de cucos que partilhamos todos sem mesmo saber, que fez com que Salvador Sobral se tenha tornado realmente a celebração da diversidade, unindo tudo.    

 

Mas é evidente que posso apenas estar ainda comovida e tudo se acabar na Quarta-feira, mas se ouvir Nem Eu, ou pasmar com esta extraordinária versão da canção vencedora, penso exactamente o mesmo.

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A Gaffe sempre alerta

rabiscado pela Gaffe, em 13.05.17

D.Ho

Num dia de grandes expectativas e de duplamente esperadas alegrias, a Gaffe não pode deixar que a euforia previsível apague a solidariedade para com os que sofrem.

A Gaffe não hesita em aderir ao grupo piedoso e sempre alerta que não se cansa de nos recordar, no meio do bacanal de cores e de cantigas, que existe sempre, algures, uma alma que sofre e um corpo  que padece, reportando-nos desta forma para a miséria que somos e para o pó que seremos.

 

Não ousando plantar aqui - porque demasiado doloroso -, um testemunho crudelísismo de um sofredor, a Gaffe sugere que todos os que transportam no coração a consciência do vácuo que nos é destinado e da consequente futilidade da alegria, cliquem na imagem e meditem.  

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A Gaffe centenária

rabiscado pela Gaffe, em 12.05.17

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A Gaffe finalista

rabiscado pela Gaffe, em 10.05.17

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A Gaffe também assistiu ao Festival da Eurovisão e apenas com Salvador Sobral sentiu que havia um espacinho para escapar da festa de arromba dos finalistas do 12º ano em Lloret de Mar, unida à feira da Ladra com salpicos de bacanal de despedida de solteiro estrelada por uma Micas del Vale del Fuego, bailarina de varão. Apenas com Salvador Sobral e com Amar Pelos Dois se conseguiu respirar durante uns minutos sem receio de, logo ali, nos enfiarem na garganta um pé, ou uma perna, ou uma mama, dos sucessivos acrobatas vocais e das respectivas coreografias pirómanas.    

 

Passemos a revista às tropas:

 

Azerbeijão

Uma Lady Gaga de quintal urbano que não sabe onde enfiar o gado, mantendo o cavalo quieto com a gritaria pretensamente dark.

Suécia

O Ken na passadeira com uma canção banal a lembrar os idos 80.

Grécia

Dois belos bailarinos de tronco nu e de pila apertada para desviar as atenções da porcaria da canção. Conseguiram.

Polónia

Não me lembro, mas sei que tive receio de ver entrar por ali dentro as cooperações de bombeiros de serviço.

Arménia

Também não, só sei que também gritou até vir o Chico – não o da Sobral, mas o da expressão portuense - segura que era Kali que desabou ali por engano. 

Austrália

A mãe devia ter tentado impedir o menino de fazer figuras tristes imitando o Bieber aos berros. Os adolescentes sozinhos são por norma parvos. 

Moldávia

Um bando de bacanos com uma canção toda bacana. É fácil esquecer o quanto se divertiram a cansar-nos.

Chipre

O Robbie Williams de pacotilha a esganar uma versão menor de Party Like a Russian.

Bélgica

Uma voz grave e bonita numa canção interessante. Estou ansiosa por a ver na final a desabar em lágrimas e a chamar pela mãe.

 

E depois Portugal com Salvador Sobral a provar que uma melodia que vai buscar aromas aos anos 50, à Bossa Nova e ao Jazz, pode ser interpretada apenas com o coração todo inteiro em cada palavra.  

 

Tão lindo, Salvador! Gostei tanto da tua camisola!

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