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Ilustração - Fernando Vicente


A Gaffe e os sons do Natal

rabiscado pela Gaffe, em 02.12.09
Gosto do Natal!
Não sou uma consumista do tipo obsessivo-compulsivo, mas acabo nesta época por dar sempre um passo maior que a perna (não é muito difícil, tendo em conta o meu tamanho e o foguete com que sempre me desloco).
Mas o que me faz tiritar de contente são as melodias que acompanham esta quadra e até me arrepio ao trautear os Wham e o seu idiota:

 

Last Christmas, I gave you my heart
But the very next day, You gave it away
This year, to save me from tears
I'll give it to someone special

 

Um facto que não engrandece, não prestigia e não abona a favor de uma rapariga esperta.
O que me irrita é o hipotético bon chic, bon genre que consiste na escolha para animar as consoadas de canções tradicionais cantadas pelo meu dilecto Sinatra ou pelo meu elegantíssimo Bing Crosby. Sei que não há nada que se compare ao charme discreto destes queridos, mas estes senhores melam-me a quadra e provocam-me uma tristeza pouco compatível com o meu temperamento. Ao ouvi-los fico extenuada e a pensar que não mereço presentes porque me portei como uma menina má, péssima, horrenda e capaz de fazer com que o Pai Natal entre em coma ao ver o rol dos meus pecadilhos.
No Natal quero poder ser ridícula, dançar ao som de idiotices e cantarolar as mais destravadas e pirosas cançonetas disponíveis no mercado, apenas vestida com um baby-doll de veludo encarnado debruado a arminho, meias grossas de lã branca maciérrima, com um gorro que termine em dois metafóricos pompons traquinas e com flocos de neve a tombar como pano de fundo.

 photo man_zps989a72a6.png

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9 rabiscos

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De Tiago Ribeiro a 02.12.2009 às 16:03

1. Momento erudito ou cagão: essa estética do grotesco que o pensamento bakhtiniano (uau) nos habituou a conotar com o carnaval pode - como é bem insinuado no post - ser reivindicada ao Natal. Justíssimo. Camiões de adjectivos é que não ajudam.
2. Momento espertinho: «Last Christmas» é um tema cujo teor natalício se reduz ao marco temporal de uma trágica (e típica) história de amor (ou assim). A indústria soube re-significá-lo e rentabilizá-lo - e bem. Uma rapariga esperta não o trauteia: canta-o. E não acredito que não esteja memorizado nessa cabecinha.
3. Momento revelação: «[...] um baby-doll de veludo encarnado debruado a arminho, meias grossas de lã branca maciérrima, com um gorro que termine em dois metafóricos pompons traquinas e com flocos de neve a tombar como pano de fundo» - eu parece-me que vi uma cachopa congénere no último catálogo da La Redoute. Será que?
4. Momento já-não-vou-para-novo: nem uma referência ao Coro de Santo Amaro de Oeiras? Palavra de honra.
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De Naná a 03.12.2009 às 03:05

Tiago, meu querido!
1 - Porque será que me calham sempre homens cultos?!
O menino acaba de me fazer lembrar o meu Petrovsky quando decide que ninguém tem o direito de o entender!
2 - Claro que sei a letra toda das cançonetas que refere. Canto-as a plenos pulmões e derrubo paredes nas notas mais altas.
3 - Sou muito mais sexy do que qualquer rapariga de catálogo! Não vale ofender.
4 - Coro de Stº Amaro de Oeiras?! Meu querido, falamos desses meninos quando tiverem uns bons dez anos mais nos corpinhos...
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De Tiago Ribeiro a 03.12.2009 às 06:31

Ora,
1. Culto? Não a sabia tão fácil. Ou protocolar - deve ser mais isso.
2. Ena.
3. No further questions. Até ver.
4. Para que conste: os meninos e as meninas de Oeiras «já» têm uns bons 10 anos mais nos corpinhos. Assim que puder, (dis)corra.
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De Naná a 03.12.2009 às 08:09

1- Culto, porque não?! Sou uma rapariga fácil o que implica, no meu caso, pouco protocolar.
2 - Ena! Concordo consigo.
3 - Espero que o Tiago concorde quando tiver oportunidade de verificar.
4 - Então os meninos do coro de Oeiras não são minúsculos?! uns petizes com nove ou dez anos todos angélicos e melodiosos?!
Se cresceram não dei conta disso, mas se é verdade prometo que vou, logo,logo, logo, à Igreja passar "revista às tropas"...

Gosto tanto de rapazinhos crescidinhos que pertencem a coros divinais!
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De Naná a 03.12.2009 às 08:36

Tiago, querido!
Só uma questão que me tem causado algum incómodo:
Quando fala nos "Camiões de adjectivos é que não ajudam." refere-se a "moi"?! à minha brilhantíssima escrita?!
Seu maroto! Não se dizem coisas dessas a uma rapariga.

(Ou refere-se ao meu deplorável e secretíssimo gosto por rapazes que guiam camiões, que não falam muito, mas que estão cheios de adjectivos interessantes?)
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De Tiago Ribeiro a 04.12.2009 às 05:16

Marinheiros, camionistas e adjectivos é demasiado Cesariny ao barulho. Suspeito que esteja a precisar de muita Marquesa de Alorna: como deve imaginar, transição para a vida adulta oblige. Quanto à verificação do terceiro quesito, penso que exige prova pericial, sabia?
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De Naná a 04.12.2009 às 06:30

Mas eu gosto de Casariny! Tabaco e homens em demasia fazem metada do sonho de uma rapariga esperta (a primeira palavra da frase é dispensada).
Sempre desejei experimentar, pelo menos uma vez, uma Marquesa! de Alorna ou outra desde que seja parva, loira, sem grandes ambições sentimentais, pronta para "o que der e vier" e curvilínea.
Mas, confesso que jamais, jamais, jamais dispensarei a sua metafórica "prova pericial" feita, por exemplo, por um marinheiro. Sou acérrima defensora dessas provas desde que o examinador não seja pré-romântico.
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De Anónimo a 06.12.2009 às 13:23

saca isto

http://dl.dropbox.com/u/1852176/ErlendOye-lastxmas.mp3.zip

:)

urbantrash
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De Naná a 09.12.2009 às 11:58

Já saquei.
Não conhecia. Achei estranhíssimo, mas gostei. É uma versão um bocadinho deprimente da cançoneta!

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