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Ilustração - Fernando Vicente


A Gaffe e uma carta aberta a um pássaro

rabiscado pela Gaffe, em 22.10.13

Ontem choveu nos vidros duplos da janela. Uma chuva sem gargantas. 
Ontem a minha avó abraçou-me. Encostou-me a cabeça ao ombro dela. Senti-lhe os dedos frios no cabelo e um alfinete em forma de pássaro a magoar-me a cara. 
Ontem choveu e a minha avó abraçou-me. Ou talvez não tenha sido ontem ou talvez nem sequer tenha chovido, mas o pássaro de olhos de pérola a voar-lhe sobre a clavícula continua na minha cara a magoar-me, a mim, que sou o pássaro de olhos sem pérolas preso por um alfinete aos tecidos dos casacos. 
Na minha cara e na clavícula dela. Eu e o pássaro, presos pela chuva sem garganta e um alfinete que não vejo, a reter as migrações das aves. 
Em mim, onde não chove nunca uma voz presa. 


Et je suis comme un oiseau mort quand toi tu dors. 

 photo man_zps989a72a6.png

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4 rabiscos

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De o senhor que se segue a 22.10.2013 às 11:30

Tão bonito! Tão, tão bonito!
Acabas de descrever a mais terna, doce e pacífica tristeza do mundo.


És a menina mais perfeita que conheço!
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De Gaffe a 22.10.2013 às 12:55

:)*
Doido!
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De PR a 22.10.2013 às 12:20

Brel nas paredes da Sorbonne!

Ainda te lembras de o termos cantado aos gritos pela rua?
(O texto é magnífico)
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De Gaffe a 22.10.2013 às 12:56

Oui!


Foi na véspera de partir, duas da manhã e tu não estavas nada sóbrio.
:)

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