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Ilustração - Fernando Vicente


A Gaffe no SPA

rabiscado pela Gaffe, em 30.04.09

 

Vou passar o fim-de-semana enfiada num spa de luxo. Quando me voltarem a ver quero estar loira, discreta, magra e altérrima de olhos verdes e relaxadíssima, com um ar snob e ligeiramente sopinha de massa, rica e perfumada.

Uma rapariga merece, de vez em quando, acreditar que é possível fazer omeletas sem sequer se saber onde fica o galinheiro.

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A Gaffe e o superficial

rabiscado pela Gaffe, em 29.04.09

A palavra exacta é superficial. Tem um sabor a brisa e um cheirinho a perfume de Primavera que nos faz pensar que a vida é coisa simples, muito leve, e que não adianta massacrar o dia, que passa num instante, forrando-o com betão.
As frivolidades, as doces futilidades e aquele adorável aroma a inútil, não deviam ter um lugar subalterno e desprestigiado nos nossos corações. Uma rapariga esperta sabe como ninguém que as tolices deste teor são autênticos temperos nestes nossos assados, cozidos e grelhados. Basta utilizar a dosagem certa e não exagerar na malagueta.

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A Gaffe e os aniversários

rabiscado pela Gaffe, em 29.04.09

Gosto tanto de receber presentes!

Mesmo os mais pequeninos e simbólicos são acarinhados por mim.
Este ano o meu aniversário deu-me um banho de coisas boas e o meu querido amigo primou e foi de uma elegância a toda a prova oferecendo-me um lenço Valentino daqueles que nos fazem matar se for preciso. Uso-o como um troféu e embora não tenha um pescoço de cisne, aquela seda toda causa inveja a todas as parrecas.
A inveja é coisa que nós, as raparigas más, gostamos imenso de causar. Podemos negar e torcer o nariz, afirmando que somos uns doces de pessoas, incapazes de provocar nos outros, sobretudo nas outras, sentimentos menos dignos, mas é mentira. Causar inveja nas rivais (e para uma rapariga que se preza, toda a mulher é uma rival em potencia) é um dos objectivos que se traçam mal aprendemos a olhar devidamente para aquelas que nos rodeiam com maior assiduidade. Faz parte dos nossos genes. Está no sangue. Adoramos. Faz-nos sentir seguras e potentes. Podemos conter este instinto muitas vezes matador, mas não podemos ignorar que somos invadidas por uma felicidade muito pouco limpa quando apanhamos nos olhos da nossa companheira de caminho uma chispa de inveja disfarçada por uma indiferença pouco convincente.
Somos umas criaturinhas maldosas com capacidades insuspeitas na área da mesquinhez e descobrimos que conseguimos ficar vergonhosamente alegres quando despertamos umas sensações condenadas pela Santa Madre Igreja nas nossas beatas de estimação.
Somos assim. Descaradas na provocação e desavergonhadas na felicidade que nos causa o rubor que assome ao rosto das nossas rivais quando encontram (finalmente!) um motivo para nos estrangular pela calada da noite com um lenço de seda Valentino
.

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A Gaffe e o exterminador de rinocerontes

rabiscado pela Gaffe, em 28.04.09

Na Ásia, não sei exactamente em que País ou região, acredita-se que os chifres de rinoceronte melhoram o desempenho sexual.
O homem que comigo partilha intimidades tem um, o que me provoca imensa aflição e algum desconforto, embora saiba que numa relação pode existir este tipo de atrito.
Garanto que não funciona. A única coisa que o rapaz conseguiu ultimamente foi ir de encontro a um jipe.

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A Gaffe e Maquiavel

rabiscado pela Gaffe, em 26.04.09

Sou de certa forma vista como uma criaturinha infantil a quem se desculpa imensa coisa com uma superioridade muito madura e adulta.

Ajuda o facto de gostar de bonecada (confesso que às vezes exagero), sentir uma enorme atracção por animações de qualidade (sou fã incondicional do animals save the planet) e no meu pc existir um macaco de peluche muito parecido com o meu melhor amigo, agarrado ao monitor.
É uma situação confortável. Sermos tratadas com benevolência porque parecemos ligeiramente débeis ou vagamente infantis, permite-nos executar com maior liberdade o que sabemos que é o correcto. Recusamos determinadas atitudes ou emitimos opiniões controversas e polémicas sem grande alarido por parte da vítima que acaba sempre por perdoar à minorca. Negamos o acesso a muita porcaria com uma facilidade que tem origem na nossa imagem de marca. Somos uma espécie de crianças com poder de decisão irrevogável. Acabamos com lugar marcado no piso dos mimados que, por não exagerarem nas birras, continuam a fazer o que querem sem grandes contrariedades.
Esta posição que aparenta ser frágil, não o é de todo. As minorcas com uma imagem infantil, aproveitam este facto para usufruir de uma gama de privilégios que não está ao alcance dos outros. Somos pequeninas e parecemos quebradiças. Não resmungamos muito e gostamos de fofinhos. No entanto, somos suficientemente hábeis para pendurar os peludos macaquinhos onde queremos e recusar com um dedinho na boca e uns olhinhos de Bambi os que os outros são obrigados a engolir.
Maquiavel gosta de nós.

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A Gaffe e os ódios sexuais

rabiscado pela Gaffe, em 23.04.09
Odeio mulheres que quando sorriem para os homens conseguem simultaneamente repercutir esse sorriso nas braguilhas dos contemplados e aquelas que, como diria Collette, quando levantam as pálpebras é como se se despissem por completo. Odeio-as!
Temos de admitir que mulheres banais, baixinhas, despenteadas, com eyeliner mal traçado, repletas de preocupações e dedicadas até à exaustão a carreiras que só evoluem à força de intelecto, têm o sexo no cérebro que não é de todo um lugar conveniente para o ter e não ajuda em nada as promoções.

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A Gaffe e as cores 2009

rabiscado pela Gaffe, em 23.04.09
Dizem à boca cheia que as cores do Verão 2009 são “definitivamente” e “de todo” o amarelo mostarda e o lilás dramático.
Com o amarelo mostarda posso eu bem. É fácil identificar a cor comparando-a com as nódoas que os meus sobrinhos trazem do McDonald's. Agora o lilás dramático é já qualquer coisa que me faz alguma confusão. Não sei exactamente ao que nos conduz o “dramático” que vem colado ao lilás.
Não é a primeira vez que leio nas revistas da especialidade referências a cores que seriam identificáveis de imediato se não viessem com apêndices que as limitam a determinadas emoções ou estados ou qualquer outra coisa parecida.
Já me encantei com a saia vermelho ópera, com o casaco azul emotivo e já tropecei com a carteira preto nostalgia.
Temos de admitir que desta forma uma rapariga fica alterada e acaba por fazer figura de imbecil (sofisticada, mas imbecil) quando entra numa loja “do melhor”, na Baixa, e declara a meio do atendimento que adora aquele fabuloso soutien de renda, mas que o prefere em branco entusiasmado ou, em alternativa, em azul melancólico.
Estas pequenas armadilhas podem fazer todo o sentido no linguarejar dos grandes costureiros, mas não são, de todo, práticas e arruínam a reputação de qualquer rapariga esperta que acaba por ser vista como uma totó oxigenada (ou loiro açucareiro) com a mania que é íntima do Dior.
Basta!
O mundo seria tão mais simples se não houvesse guerra e a única cor com prolongamento fosse o esverdedo caganeira!

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Gavetas:

A Gaffe e uma nota de rodapé

rabiscado pela Gaffe, em 22.04.09

Nós, raparigas espertas, podemos sempre que quisermos, fingir um orgasmo. O que não devemos em circunstância nenhuma é fingir um amor.

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A Gaffe e a progressão interior

rabiscado pela Gaffe, em 19.04.09
No meu trabalho vou aprendendo que subo muito mais depressa na carreira de erro em erro do que de esforço em esforço. Acabo por concluir que é muito mais proveitoso, se somos lideradas por homens maduros e ligeiramente apatetados, deixar a renda do soutien espreitar pela frincha da blusa do que apresentar o dossier completo. Este é um dos factos que nos faz concluir que uma verdadeira senhora nunca mostra a lingerie sem um propósito.

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A Gaffe e os conselhos suspeitos de amiga da onça

rabiscado pela Gaffe, em 17.04.09

Não condeno o adultério. É ele que mantém muitos casamentos vivos e tendo em conta que um homem é só fiel na maior parte dos casos por preguiça, tenhamos, nós raparigas espertas, como um dos lemas do nosso trajecto relacional a máxima que nos diz que apenas no caso de encontrarmos o homem da nossa vida, se deve pedir o divórcio ou quebrar a ligação que nos parece estável no momento.
Até lá, brindemos com a nossa aliança eterna, enquanto dura, e sejamos felizes, pelo menos até o nosso amante nos trocar ou, então, trocarmos nós de amante, caso a rotina nos estiver a dar cabo do casamento ou da interminável relação.
Convenhamos que faz imenso falta termos sempre alguém ao lado que nos mude os pneus ou nos compre as especiarias que esquecemos no hipermercado.
Depois, sejamos sinceras, apesar de tudo é bem mais agradável uma cama aquecida por um bichinho com pêlo que não se move a pilhas, do que esperar por um Godot qualquer num leito virginal cujas únicas bolinhas que alberga são as de naftalina.
Quando Godot chegar, e se chegar, encontra-nos quentinhas!

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Gavetas:

A Gaffe notifica

rabiscado pela Gaffe, em 16.04.09

É impossível deixar de lamentar criaturas que já mapearem a lua e encontraram água em Marte, mas que ainda andam à procura do ponto G, durante uma noite inteira, tirando-nos até o prazer que é fingir um orgasmo.

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A Gaffe e a sabedoria dos elegantes

rabiscado pela Gaffe, em 14.04.09

Segundo Dior as mulheres atingem todo o seu esplendor entre os trinta e cinco e os quarenta e cinco anos.
Como faço questão de deixar de comemorar os meus aniversários depois dos quarenta, considero, em consequência, que o meu esplendor irá ser eterno, nem que, como Zsa-Zsa Gabor declarou, isso torne os meus possíveis filhos ilegítimos.

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A Gaffe e os blogs de gajas

rabiscado pela Gaffe, em 13.04.09
Estou desgostosa.
Vi-me retratada num dos meus blogs favoritos, daqueles que me dão um enorme prazer visitar, de uma forma muito pouco agradável. Passo a citar:

(…)Os blogues de gajas são aqueles blogues escritos por tipas que se assumem como tal e, pior, falam de coisas que elas acham ser coisas de gajas: sapatos, vestidos, gajos, graus de eficácia de técnicas depilatórias, aulas de pilates e claro, como mulheres modernas que são, sexo. Não percebem, pobres gajas, que a modernidade é uma chatice. Procuram, volta e meia, derramar um bocadinho de erudição, que é para a gente não pensar que são umas gajas burras. Um bocadinho de jazz aqui, um nadinha de grego clássico acolá, muito sentido de humor à mistura, que é para dar a sensação que são felizes e devidamente fodidas. As gajas, quando falam de sexo, procuram fazê-lo da mesma forma que os gajos. E, então, são tristemente patéticas: escrevem como se estivessem possuídas pelas personagens do sexo e a cidade ou, então, como se lhes tivessem crescido testículos, bolas, tomates, colhões, enfim, uns enormes badalos nas partes baixas. As gajas, em regra, não são interessantes. São simplesmente ordinárias.(…) *

 

Retirando uns quantos apontamentos (não falo grego, não faço pilates, não sou grande apreciadora de jazz, sexo e felicidade tenho o que mereço e o que conquisto e o Senhor me valha se escrevo como se me tivessem crescido os apêndices descritos) o retrato está fiel e enfio o barrete até às orelhas.
Ficamos embaraçadas, coramos e tentamos encontrar um cantinho para esconder a nossa vergonha.
Com tamanha estalada pensei, muito seriamente, fazer desaparecer deste mapa a minha miséria tão bem caracterizada ali. Assumi que se uma mulher admirável escreve desta forma sobre o blog desta gaja, o que a pobre deverá fazer é sumir e deixar vozes mais nobres à solta, limpando-se assim mais um pedaço de lixo cibernético que tão bem analisado foi.
Estava a sentença dada. Morrer já aqui, sem mais nem dó.
Depois pensei que aquela mulher que admiro pelo que dela leio afincadamente, deve ter um cu grande, um gigantesco, colossal, titânico, desmesurado rabo e que o atira de vez em quando às gajas que descreve, só porque sim, só porque é grande.
Revogo a sentença e resolvo continuar a ter um blog de gaja. Afinal é tão ordinário como ter um blog de grande dama.

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A Gaffe e um blog marinheiro

rabiscado pela Gaffe, em 08.04.09
Pequenas confissões, alguns desabafos, conselhos do coração e do sexo, muita macacada e um ligeiro sabor a piroso. Nada mais. Não sou de grandes falas e muito menos de grandes escritas, mas se todos arranjam tempo para criar um bicho destes, tenho a certeza que também os vou acompanhar. Não prometo de modo nenhum assiduidade, nem garanto qualidade, mas cá me hei-de lavrar e encher este espacinho de bonecada. Sou uma rapariga que dá valor a isso.
Tenho de admitir que fui impulsionada por um grande amigo que me preparou um template segundo as minhas indicações preciosas e me sugeriu um nome. Roubei uma figurinha para colocar aqui ao lado e fica assim até me aborrecer. Agora é só esperar que ele se esqueça da password (já que não tenho paciência para a mudar) e me devolva o e-mail…
É o que faz ter como melhor amigo um gay. Só se arranja lenha para atirar à fogueira. Não se pense que é uma alegria uma rapariga ter um estafermo destes com o estatuto de melhor amigo. Pensamos que vai ser uma loucura pegada, que vamos às compras muito agarradinhos e que podemos confiar no bom gosto do rapaz e na sua maravilhosa e vasta informação acerca do que se usa e não se usa, do que se passa e do que não se passa. Não é de todo verdade. É um estereótipo. Ter um amigo gay, da espécie do meu, é uma canseira. Às vezes penso se não seria bem melhor trocar este mafarrico por um hetero bem foleiro, de bigode farfalhudo, descapotável vermelho e que em relação às nossas confidências se comporta de igual modo, ou seja, espanta-se por as termos, e que na moda e na coscuvilhice faz como o Sócrates: só sabe que nada sabe.

Não se pense também que, por andarmos juntos quase todo o dia, temos a possibilidade de “comer” em comum, nem que seja com os olhos, a fauna masculina que nos enche as cidades de libidinosos pensamentos, partilhando experiências, conselhos e, se possível, os candidatos a frango. Não. Nem pensar. Um amigo gay é um rival em potência. Mesmo aqueles que só à lei da bala se detectam, como é o caso do meu, são um perigo para o nosso ego. Vai uma rapariga a cruzar-se com um deus que passa como uma brisa na tarde, pensa que aquele olhar fulminante é uma promessa de maiores folguedos, feita a nós, miúdas entusiasmadas, e afinal acaba-se por concluir que o fulminante é disparado pela culatra e que o alvo é o marmanjo ao nosso lado.

Também é lenda a capacidade de audição deste nosso amigo gay. Não há que iludir. Ouve-nos tanto como a funcionária da sex-shop quando nos vamos queixar que as pilhas não estão incluídas no massajador facial, porque simplesmente as usou até à morte, no aconchego do lar. No entanto, e segundo as minhas amigas, mais mulheres mas muito menos sofisticadas do que eu, é “cosmopolita” ter um gay ao nosso lado para o que der e vier. Não que seja aconselhável dar trela a este tipo de sofisticação, mas ajuda quando queremos classificar este blog (não me custa ser leviana) como “um blog na cidade”.

Apesar de tudo, vale a pena ter um. Um amigo, digo eu.

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