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Ilustração - Fernando Vicente


A Gaffe e um blog marinheiro

rabiscado pela Gaffe, em 08.04.09
Pequenas confissões, alguns desabafos, conselhos do coração e do sexo, muita macacada e um ligeiro sabor a piroso. Nada mais. Não sou de grandes falas e muito menos de grandes escritas, mas se todos arranjam tempo para criar um bicho destes, tenho a certeza que também os vou acompanhar. Não prometo de modo nenhum assiduidade, nem garanto qualidade, mas cá me hei-de lavrar e encher este espacinho de bonecada. Sou uma rapariga que dá valor a isso.
Tenho de admitir que fui impulsionada por um grande amigo que me preparou um template segundo as minhas indicações preciosas e me sugeriu um nome. Roubei uma figurinha para colocar aqui ao lado e fica assim até me aborrecer. Agora é só esperar que ele se esqueça da password (já que não tenho paciência para a mudar) e me devolva o e-mail…
É o que faz ter como melhor amigo um gay. Só se arranja lenha para atirar à fogueira. Não se pense que é uma alegria uma rapariga ter um estafermo destes com o estatuto de melhor amigo. Pensamos que vai ser uma loucura pegada, que vamos às compras muito agarradinhos e que podemos confiar no bom gosto do rapaz e na sua maravilhosa e vasta informação acerca do que se usa e não se usa, do que se passa e do que não se passa. Não é de todo verdade. É um estereótipo. Ter um amigo gay, da espécie do meu, é uma canseira. Às vezes penso se não seria bem melhor trocar este mafarrico por um hetero bem foleiro, de bigode farfalhudo, descapotável vermelho e que em relação às nossas confidências se comporta de igual modo, ou seja, espanta-se por as termos, e que na moda e na coscuvilhice faz como o Sócrates: só sabe que nada sabe.

Não se pense também que, por andarmos juntos quase todo o dia, temos a possibilidade de “comer” em comum, nem que seja com os olhos, a fauna masculina que nos enche as cidades de libidinosos pensamentos, partilhando experiências, conselhos e, se possível, os candidatos a frango. Não. Nem pensar. Um amigo gay é um rival em potência. Mesmo aqueles que só à lei da bala se detectam, como é o caso do meu, são um perigo para o nosso ego. Vai uma rapariga a cruzar-se com um deus que passa como uma brisa na tarde, pensa que aquele olhar fulminante é uma promessa de maiores folguedos, feita a nós, miúdas entusiasmadas, e afinal acaba-se por concluir que o fulminante é disparado pela culatra e que o alvo é o marmanjo ao nosso lado.

Também é lenda a capacidade de audição deste nosso amigo gay. Não há que iludir. Ouve-nos tanto como a funcionária da sex-shop quando nos vamos queixar que as pilhas não estão incluídas no massajador facial, porque simplesmente as usou até à morte, no aconchego do lar. No entanto, e segundo as minhas amigas, mais mulheres mas muito menos sofisticadas do que eu, é “cosmopolita” ter um gay ao nosso lado para o que der e vier. Não que seja aconselhável dar trela a este tipo de sofisticação, mas ajuda quando queremos classificar este blog (não me custa ser leviana) como “um blog na cidade”.

Apesar de tudo, vale a pena ter um. Um amigo, digo eu.

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