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Ilustração - Fernando Vicente


A Gaffe e os locais de entrega

rabiscado pela Gaffe, em 26.06.09

Sou uma rapariga saudável. Logo, também eu tenho materializado imensas fantasias eróticas. O meu problema é que, mal realizo uma, surgem dez do nada e para tanto sonho é tão curta a vida!
Confesso que continuo a imaginar o meu poderosíssimo Marlon Brando, nos seus tempos áureos, com uma coisa enorme no meio das pernas – a moto. Assumo que me perco em fantasias muito pouco asseadas – graças a Deus – com esse belíssimo animal, mas estou mais controlada e já não acordo a gemer como uma gata em telhado de zinco quente (sim! o Newman participa).
No entanto, não consigo deixar de pensar que há dois locais onde toda a fantasia tem o seu Nirvana:
Não há nada como o Vaticano, pejado de seminaristas virgens de batina negra e prontos a aprender o catecismo que nós lhes quisermos ensinar ou o alto mar, repleto de testosterona intacta e reprimida, pronta a soltar-se no primeiro porto feminino.
Creio ser natural uma rapariga esperta como eu desejar unir as duas longitudes. Se o conseguirmos, ficamos com um homem de joelhos, enquanto nos sentimos encharcadas.

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Gavetas:

A Gaffe e o Twitter

rabiscado pela Gaffe, em 25.06.09

Não sou apologista do twitter.

Já tive nos corredores do Louvre, numa tarde pouco movimentada e enquanto um bando de chineses asfixiava a Gioconda, uma experiência rápida e curta e, confesso, que pássaro por pássaro, escolho o meu charmoso Sting.
Sempre achei que um homem maduro ou amadurecido (há diferenças...) com um certo sabor tântrico no corpo, nos dá mais tempo de leitura e, digam eles o que disserem, nós raparigas sabemos... que o tamanho conta.

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A Gaffe de Cristiano Ronaldo

rabiscado pela Gaffe, em 24.06.09

 Não sou fã de nenhum desporto.
Creio que, talvez com excepção do golfe, todos fazem suar e os que disfarçam a actividade das nossas benditas glândulas sudoríferas ou são os praticados na água ou são os que praticamos mal.
No entanto, gosto imenso de campeões e simpatizo bastante com o Cristiano Ronaldo. Acho-o um tonto e quando o ouço falar fico enternecida e siderada. Chego mesmo a pensar que vou acabar por deslocar o maxilar de tanto o deixar pender com o espanto.
Impressiona-me o facto de ver um rapazinho corpulento e saudável, com talento inegável para o pontapé e uma conta bancária de “criar bicho”, como diria a minha santa avó, sem ter quem o ajude e lhe mostre um livrinho e lhe diga cautelosamente que também os há aos quadradinhos.
Apesar de achar, seriamente, que uma conta bancária hipertensa, uma mansão desenhada pelo Souto Moura (dispenso o Ferrari), substitui perfeitamente a obra completa do José Rodrigues dos Santos, faz esquecer a existência da Margarida Rebelo Pinto, chega a abafar por alguns minutos o sagrado Saramago e faz desmaiar por escassos momentos o brilhante pedantismo de Lobo Antunes (é tão bom poder enfiar assim, no necessaire, o “pincel” e a caneta!), não consigo deixar de pensar que Cristiano Ronaldo conseguirá, das mulheres espertas, sempre menos que o botox. Esse, pelo menos, agrada às que não nasceram ontem.

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A Gaffe na última hora

rabiscado pela Gaffe, em 21.06.09
Como rapariga espertíssima que sou, quando aceitei regressar a Portugal, coloquei uma condição: possibilidade assegurada de retornar à base se o que sucedesse não fosse do meu inteiro agrado.
E o que aqui sucede é o oposto àquilo que se podeira chamar (com um esforço titânico para não parecer vagamente agressiva) desagradável.
O que mais me espanta e revolta é que ser-se filha ou neta de gente que abalou para outros lados é tido, embora muito discretamente, como nódoa na brancura imaculada dos que não saíram daqui nem no passado e ser chamada a de 2ª ou 3ª geração não tem a ver com telemóveis topo de gama ou com simpáticas declarações de boas-vindas. Por muito que nos custe acreditar, é discriminação e faz-se sentir até no sorriso néscio de quem nos anuncia ou apresenta.
Mas há pequenas coisas que me fazem acreditar que a escolha que fiz foi péssima. Basta que seleccione duas ou três:

Há uma desorganização dramática que toca tudo aquilo que exige para funcionar um mínimo de racionalização e plano. As pessoas estão longe de compreender que o atingir de determinados objectivos comuns passa pelo respeito pelo trabalho de equipa .

As recomendações e instruções acerca de um trabalho qualquer, que poderiam chegar através de um eficaz telefonema ou mail, são exigidas em papel timbrado e devem ser enviadas por correio postal, com registo e aviso de recepção. A falta deste detalhe, leva de imediato a uma “queixinha” formal ao elemento imediatamente superior ou até mesmo ao líder e à anulação de acções e de projectos que necessitavam de resposta imediata.

Os atrasos que ocorrem daí são imputados ao sistema. Não se pode fazer nada, porque isto é assim que funciona. Os atrasos de quem provoca estes, são considerados normais, até ao cúmulo de se ter de marcar uma reunião para as 09:00 horas, por exemplo, sabendo-se que há tempo de preparar tudo até às 11:00, hora exacta em que se iniciará a malfadada se, claro, o senhor que a presidir não ter agendado para as 10:00 uma apresentação aos novos contratados – que se realizará efectivamente depois do almoço.

Não há rigorosamente nenhum responsabilização por estas falhas (escolhi as mais elementares) e tudo parece bem e é tudo encarado na maior das descontracções.
A impunidade gera incompetência e a incompetência gera frustração.
Como não sou rapariga para demorar a perceber a forma de escapar à violência, qualquer que ela seja ou se apresente, no fim deste mês retorno à base.

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A Gaffe procura a mulher

rabiscado pela Gaffe, em 01.06.09

 O assalto a uma das joalharias mais caras do planeta, a Chopard, na Place Vandôme, deixa-me estupefacta, roída de inveja e com uma quase certeza calada a moer-me o corpinho. O assaltante tem de ser uma mulher ou então um valentão perdidamente apaixonado por uma ilustre representante do meu sexo, deslumbrante e convincente.
As jóias surripiadas valem mais de um milhão de euros. Nenhuma rapariga esperta deixa que se espalhe uma colecção destas sem usar, numa noite quente, sobre o corpo nu, um colarzinho de brilhantes ou uma pulseirinha de milhares.
Uma menina que se preza só é hipnotizada pelo brilho genuíno dos diamantes e pelo borbulhar de uma garrafa de Champagne de valor aproximado.
Os homens que não se iludam. Nenhuma mulher, se descobrir que há hipóteses de complementar as flores que lhe oferecem com diamantes dentro de Champagne, lhes aceita alegremente os ramalhetes, mesmo os compostos por orquídeas raras ou tulipas negras.
Lembro as sábias palavras do velhíssimo Borges que, quando questionado acerca da ligação com uma jovem loira e torneada, responde simplesmente que estava apaixonado por aquela maravilha, tal como ela se encontrava apaixonada pelo seu dinheiro. Tão claro, tão minimalista!
Há homens cujo único encanto reside na possibilidade de nos enfeitar com brilhos verdadeiros e cujas únicas bolinhas realmente importantes são as do Champagne que nos oferecem e, mesmo com nomes suspeitos ou assustadores, estes homens acabam por fazer com que encontremos charme até nos fundilhos das ceroulas.

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