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Ilustração - Fernando Vicente


A Gaffe na última hora

rabiscado pela Gaffe, em 21.06.09
Como rapariga espertíssima que sou, quando aceitei regressar a Portugal, coloquei uma condição: possibilidade assegurada de retornar à base se o que sucedesse não fosse do meu inteiro agrado.
E o que aqui sucede é o oposto àquilo que se podeira chamar (com um esforço titânico para não parecer vagamente agressiva) desagradável.
O que mais me espanta e revolta é que ser-se filha ou neta de gente que abalou para outros lados é tido, embora muito discretamente, como nódoa na brancura imaculada dos que não saíram daqui nem no passado e ser chamada a de 2ª ou 3ª geração não tem a ver com telemóveis topo de gama ou com simpáticas declarações de boas-vindas. Por muito que nos custe acreditar, é discriminação e faz-se sentir até no sorriso néscio de quem nos anuncia ou apresenta.
Mas há pequenas coisas que me fazem acreditar que a escolha que fiz foi péssima. Basta que seleccione duas ou três:

Há uma desorganização dramática que toca tudo aquilo que exige para funcionar um mínimo de racionalização e plano. As pessoas estão longe de compreender que o atingir de determinados objectivos comuns passa pelo respeito pelo trabalho de equipa .

As recomendações e instruções acerca de um trabalho qualquer, que poderiam chegar através de um eficaz telefonema ou mail, são exigidas em papel timbrado e devem ser enviadas por correio postal, com registo e aviso de recepção. A falta deste detalhe, leva de imediato a uma “queixinha” formal ao elemento imediatamente superior ou até mesmo ao líder e à anulação de acções e de projectos que necessitavam de resposta imediata.

Os atrasos que ocorrem daí são imputados ao sistema. Não se pode fazer nada, porque isto é assim que funciona. Os atrasos de quem provoca estes, são considerados normais, até ao cúmulo de se ter de marcar uma reunião para as 09:00 horas, por exemplo, sabendo-se que há tempo de preparar tudo até às 11:00, hora exacta em que se iniciará a malfadada se, claro, o senhor que a presidir não ter agendado para as 10:00 uma apresentação aos novos contratados – que se realizará efectivamente depois do almoço.

Não há rigorosamente nenhum responsabilização por estas falhas (escolhi as mais elementares) e tudo parece bem e é tudo encarado na maior das descontracções.
A impunidade gera incompetência e a incompetência gera frustração.
Como não sou rapariga para demorar a perceber a forma de escapar à violência, qualquer que ela seja ou se apresente, no fim deste mês retorno à base.

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