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Ilustração - Fernando Vicente


A Gaffe queirosianamente fácil

rabiscado pela Gaffe, em 01.11.09
Ao longo desta minha paixão pelo que tem vindo a ser escrito para a petizada, deparo com verdadeiras jóias, inesperadas mas perfeitamente aceitáveis tendo em conta os contextos e as épocas em que foram ditas ou escritas. Fornecem pequenas, mas brilhantes informações acerca de como era encarada quer a narrativa para a infância, quer os seus produtores.
Tomemos como exemplo uma das Cartas de Inglaterra de Eça de Queirós onde é louvada a literatura infantil inglesa e aconselhada a adopção iluminada deste tipo de narrativa fácil.
Ouçamos:

“(...) eu tenho a certeza que uma tal literatura infantil pentraria facilmente nos nossos costumes domésticos e teria uma venda proveitosa. Muitas senhoras inteligentes e pobres se poderiam empregar em escrever estas fáceis histórias.” (Queirós, s/d:54)

 

É natural que senhoras inteligentes e pobres não possam pela certa ser convidadas a escrever O Crime do Padre Amaro ou o Primo Basílio, cujas narrativas não são, de todo, fáceis embora exijam produtor inteligente. É também curioso verificar que, aparentemente, a razão que origina a recomendação desta actividade seja a pobreza de quem é reconhecidamente inteligente, assim como o desejo manifesto de que esta literatura infantil esteja presente entre os “nossos costumes domésticos”.
Apesar de tudo, e de fácil mau grado lermos estes anacronismos, somos obrigados a reconhecer que, também aqui, Eça é um iluminista. Ao pretender reformar os costumes, reconhece e considera que a literatura infantil serve essa reforma, não se esgotando nela evidentemente. Mas não deixa de ser interessante este olhar queirosiano sobre o que na época se poderia apelidar a Literatura do sotão.

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