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Ilustração - Fernando Vicente


A Gaffe e a imortalidade

rabiscado pela Gaffe, em 30.05.11

Verdadeiramente imortal?

Um tio milionário, avarento e solteirão.

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A Gaffe e o trabalho de equipa

rabiscado pela Gaffe, em 30.05.11

Descobri recentemente que uma equipa ideal é constituída por duas, quatro ou mais pessoas sem tempo nenhum para fazer o que quer que seja e uma que gosta de fazer as coisas à sua maneira.

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A Gaffe e o amante

rabiscado pela Gaffe, em 27.05.11

 

(Boyko kolev)

  Se todas as cordas vibram em conjunto e consegues ouvir o choro de um violino, então és o maestro.

Provérbio húngaro

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Gavetas:

A Gaffe e um pugilista

rabiscado pela Gaffe, em 26.05.11

A relação entre sexo e agressão intriga imensos antropólogos. Entre eles está Lionel Tiger que refere que a masturbação masculina é uma forma fácil e natural “onde a tensão do excesso de exigências nos jovens machos pode ser atenuada”, de uma forma mais barata e segura, digo eu, do que drogas como o Ritalin e certos tranquilizantes que são rotineiramente prescritos contra comportamentos anti-sociais.

O facto de sucessivas sociedades terem afincadamente proscrito uma tal masturbação, deixa-nos, a mim e a Lionel Tiger, perplexos.

Enquanto que a penetração sexual masculina provoca um aumento de testosterona, que está associada à asserção e à agressão, a masturbação deixa inalterado o nível desta influente substância. Pode efectivamente reduzir a tensão e o sentido de frustração que os adolescentes masculinos experimentam frequentemente. Refere-se aqui que as mulheres que são masturbadoras assíduas também estão familiarizadas – sobretudo em épocas de stress (ou seja, praticamente todo os dias) com um efeito semelhante de apaziguamento de tensão e da agressão, a partir de um rápido e muito prazenteiro jogo de dedos.

Existe também uma consideração orgástica especial no nexo entre sexo e sadomasoquismo. Tiger sugere a possibilidade dos sadomasoquistas terem sofrido maus tratos físicos durante a infância por pais cuja atenção procuravam ansiosamente, associando assim amor à dor, ou então, segundo ainda Lionel Tiger, são indivíduos que consideram que as suas vidas são destituídas de valor e encontram na dor que infligem alguma consolação para este sentido de depreciação. Lionel Tiger é, como se prova, uma criatura aborrecida.

É também interessante referir a propósito Edmund White que em States of Desire (1981) conclui: "O sexo sadomasoquista pode ser uma mera expressão mais franca da dinâmica subjacente a todo o sexo; talvez a libertação homossexual tenha simplesmente dado aos rapazes dos cabedais autorização para tornar manifesto o que está latente em toda a gente”.

Parece portanto existir realmente uma ligação entre sexo, orgasmo e agressão nos lutadores profissionais. Os pugilistas, em particular, parecem estar preparados para combater perante qualquer dor e humilhação, de modo a desfrutarem mais uma oportunidade para obterem o troféu de campeão. Este comportamento eventualmente sadomasoquista pode ter conotações sexuais para alguns lutadores – que exteriormente abjuram a dor, enquanto, secretamente, se acomodam a ela. Segundo Mark Kram, comentador desportivo da Sports illustrated, alguns pugilistas chegam ao ponto de excitação tamanha que ejaculam.

A relação entre agressão e sexo é demasiado complexa para ser tratada assim, tão repentinamente, (voltaremos a ela logo que haja oportunidade) no entanto há que, pelo menos, ter em mente que a agressão pode ser um factor a ter em conta em qualquer relação física, transformando-se numa moeda de duas faces. Para alguns indivíduos pode causar sensações emocionais tão fortes a um parceiro que inibem até o sonho de um possível e longínquo orgasmo; a outros, entretanto, pode provocar uma estimulação positiva e excitação sexual.

No seu caso, meu garboso e aguerrido desportista, dar dois murros no parceiro faz com que lhe latejem os sítios onde não é permitido ao adversário acertar. Não considero sequer que tal consubstancie uma sombra de um problema. Já o facto de se masturbar ainda no balneário pode trazer dissabores a quem toma duche a seguir e se vê obrigado a apanhar o sabonete olhando apenas para os lados (não vá o Inferno tecer teias de ataque) deixando o piso molhado sem vistoria prévia.

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A Gaffe responde a "tantra" dúvida!

rabiscado pela Gaffe, em 26.05.11

A homossexualidade também é considerada por muitos adeptos do tantrismo como algo sagrado e divino. Não é obtida da experiência a energia feminina essencial, mas desde que se seja bissexual, não há mal que sempre dure.

Segundo algumas escrituras hindus, o ponto sagrado masculino situa-se entre os testículos e o ânus e tem melhor estimulação com a introdução do lingum no atrás referido. Muitos tantristas asseguram que este acto proporciona mil vezes mais prazer do que penetrar i yoni. No entanto, as mulheres casadas que incorressem em práticas lésbicas não eram toleradas pelos primeiros cultores do tantrismo. Eram punidas com o corte de dois dedos relevantes, pela exibição pública em cortejo, montadas num asno e pela depilação total.

Se esquecermos o passeio de burro e a falta que faz usar um ou outro anel de brilhantes, a terceira parte deste castigo idiota acaba por se tornar irrelevante para quem, como eu, sai da esteticista como quem salta de um episódio da Guerra das Estrelas depois de se sentir depenada a laser.

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A Gaffe e as precocidades

rabiscado pela Gaffe, em 26.05.11

 

Recordo que o sexo tântrico não é necessariamente sinónimo de amor e afecto. Em certos aspectos, não é mais do que sexo puro e duro. A doutrina central do Tantra é a remoção do eu, não a devoção a qualquer outra pessoa.

O importante é que, no momento, do orgasmo, o praticante do Tantra se eleve acima do eu, a consciência do seu próprio ser.

Os mestres do sexo tântrico dão instruções precisas. O acto sexual só deve ter lugar quando a mulher está sexualmente excitada. Para alguns o objectivo é não ejacular de todo, para outros é não ejacular sem que a mulher tenha um ou mais orgasmos. Tal como no Taoísmo, quanto mais tempo um homem conseguir permanecer dentro de uma mulher, mesmo que não tenha o pénis erecto, mais energia feminina absorverá para seu próprio benefício. Esta prática de coitus reservatus ou askanda é por vezes retratada na arte hindu por imagens de um pénis flácido ou “pendente”.

Quanto aos métodos gerais que devem ser usados para retardar ou bloquear a ejaculação (coitus obstructus), os seguidores do Tantra eram aconselhados a utilizar a meditação, a autodisciplina e a intervenção manual via “o ponto milionário” (voltaremos aqui).

Para evitar a ejaculação precoce, Tung-hsaun está por vezes de acordo com o pensamento indiano quando aconselha que, no último momento, o “homem feche os olhos e se concentre nos seus pensamentos. Deve pressionar a língua contra o céu-da-boca, dobrar as costas e esticar o pescoço. Abre as narinas, fecha a boca e inspira ar. Então não ejaculará e o sémen voltará para dentro de si”. Caso consiga executar esta manobra sem a sua companheira chamar o INEM, esteja à vontade.

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Gavetas:

A Gaffe no "Acontece"

rabiscado pela Gaffe, em 25.05.11

 

(Sam Dolman)

 É natural que, depois de ter tentado reconstruir (depois de a ter tentado desfazer de uma vez por todas) uma série de estruturas mentais bolorentas, revendo, verificando, analisando, alterando e refazendo os seus alicerces mais carunchosos, e ter recebido no fim, como recompensa, um sonoro olhar de desprezo e reprovação do paciente* que de inglês tinha apenas o penico da Rainha Vitória em vez de cérebro, me sinta exactamente como ele me viu.

 

 * Chamemos-lhe assim, para não descambar.

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A Gaffe e um segredo

rabiscado pela Gaffe, em 25.05.11

Um segredo é uma coisa interessantíssima que devemos partilhar apenas com uma pessoa de cada vez.

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A Gaffe e o sexo orientado

rabiscado pela Gaffe, em 25.05.11

O Oriente admitiu a sexualidade e nomeadamente a sacrossanta natureza do orgasmo, quer masculino, quer feminino, de forma mais evidente e homogénea ao longo dos tempos e das religiões do que o Ocidente.

Repare-se que em 1550 o poeta tunisino Umar ibn Muhammad Nefzawi produz uma obra a todos os níveis exemplar em relação a este tema. Está traduzida como The Perfumed Garden e deixa um excelente aroma de sensualidade nas culturas orientais e islâmicas.

É o The Perfumed Garden que aconselha, por exemplo, os homens desta mimosa forma: “Não te unas a uma mulher sem a teres excitado com carícias de prazer; então, o prazer será mútuo” e recomenda vivamente que a escolha do momento certo para a penetração desperte “o poder sugador da sua vagina” – que, por sua vez, conduz ao prazer orgástico para ambos.

Nefzawi descreve também um homem chamado Abou el Keiloukh que “permaneceu hirto durante trinta dias sem parar” – comendo cebolas e o Kamasutra advoga outro método de atingir níveis olímpicos de lasciva virtuosidade, aconselhando que se coma “muitos ovos fritos em manteiga e embebidos em mel, para manter o membro duro durante a noite inteira”.

O sexo está alerta e de perfeita saúde nestas orientais paragens.

Como é próprio das sociedades orgasticamente saciadas, à época, havia uma igual aceitação da homossexualidade (masculina, pelo menos), no Norte de África, Turquia, Pérsia, todo o Médio Oriente, Índia e tão longe do Médio Oriente como a indonésia.

Pondo de lado as escrituras mais austeras e maçadoras dos seguidores do Deus judaico-cristão, a homossexualidade no mundo oriental prevalecia desde a Antiguidade. O provérbio persa “um rapaz para ter prazer; uma mulher para ter filhos” ainda é adoptado por muitos, sem qualquer sentimento de culpa, em terras árabes. A sodomia na Pérsia representava virtudes “superiores”, o coito anal uma forma de se atingir alturas celestiais e de instruir os jovens. Era igualmente respeitado no Egipto, pelos mouros, árabes ou berberes, no Afeganistão, onde os Patans entoavam uma canção de amor homossexual “Coração Ferido” ("Há um rapaz do outro lado do rio com um rabo que parece um pêssego, mas, ó desgraça! Não sei nadar!”), e na Ásia Central, os cossacos, hunos, tártaros, mongóis e turcomanos são entusiastas fervorosos desta melodia. Quando o Islão se implantou na Península Ibérica, a poesia árabe reflectia a sua predilecção pela homossexualidade. Muhammad ibn Malik, na Andaluzia do século XII, por exemplo, escreve um poema intitulado “Voltado para Meca”:

 

 Sexta-feira

na mesquita

o meu olhar caiu sobre um jovem esguio

belo

como a lua ascendente.

Quando se curvou em oração

o meu único pensamento foi

oh, possuí-lo

deitado

diante de mim,

de rabo ao alto,

de rosto em baixo.

 

A verdade é que as modernas tendências anti-sexuais nos países islâmicos ou fundamentalistas e mesmo no subcontinente indiano são, como diz Alibhai-Brown, “uma malfadada marcha irrompendo pela História para negar, destruir e punir o amor físico”, embora só muito recentemente se tenha começado ali a sentir as angústias associadas à ideia de um corpo imperfeito. A tendência para orientar e controlar o sexo começa no Oriente mais tarde do que parece fazer crer e seguramente depois do mesmo fenómeno se verificar no Ocidente (e talvez este benigno atraso consubstancie uma das razões para uma maior opressão e repressão sexual detectadas nas culturas orientais actuais comparativamente com as do ocidente).

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A Gaffe e os tamanhos

rabiscado pela Gaffe, em 24.05.11

Podia ser simpática e citar o ditado que nos informa que “interessa a magia, não o tamanho da varinha de condão”, ou que “os homens não se medem aos palmos”. Seria consolador e tranquilizante para os nossos queridos que se medem apenas com palmas. No entanto, meu queridinho, lamento dizer-lhe que quanto maior é a magia que um homem consegue criar, maior a expectativa que se acrescenta a tanto malabarismo. Uma rapariga espera sempre que salte um valentão bravio, potente e imponente da cartola que se remexeu com uma perícia de fazer corar Madame Bovary e não o branco e delicado coelhinho das delícias do Natal de propaganda infantilóide.

Segundo estudos recentíssimos e rigorosíssimos, um pénis caucasiano em erecção mede entre 12 e 16 cm. Existem portanto uns limites confortáveis e espaçosos, não humilhando (quase) ninguém. Dir-se-á que o pénis em erecção dobra o seu tamanho (embora também possua flexibilidade suficiente para dobrar outras características).

Se o pénis está dentro destes valores quando outros valores mais altos se levantam, pode, não direi ficar descansado porque seria um desperdício de talento bruto, mas procurar a cartolinha que lhe sirva.

 Se fica aquém, não se desesperemos. Tornemo-nos poliglotas.

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A Gaffe e o leitor compulsivo

rabiscado pela Gaffe, em 23.05.11

 

Façamos como os Inquisidores medievais. Demos uma vista de olhos à leitura que tanto interessa o seu mais-que-tudo e procure as páginas de um novo romance. As bibliotecas estão repletas de capas magníficas.

Lembremo-nos sempre que para um novo romance há sempre uma caneta disponível.

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Gavetas:

A Gaffe aconselha

rabiscado pela Gaffe, em 23.05.11

Cuidado com o que dizeis, rapazes, no Verão escaldante dos lençóis.

Ao contrário do que se pensa, uma rapariga não tem orgasmos múltiplos quando ouve impropérios durante o sexo. Pode fingir, mas não é de todo agradável desatar a miar e a gemer para convencer o menino que está a desenvolver um trabalho meritório ao usar a língua indevidamente.

A primeira vez que se atreveram comigo, chegou a ser docinho, mas confesso que em caso de hipoglicemia, prefiro comer um papo de anjo a ter de papar um anjinho com aspirações a macho dominador e vagamente porco.

Chamaram-me "putinha traquina". Bastou. O caso não teve repercussão grave. O rapazinho foi descartado ali mesmo (e antes mesmo de se sentir feliz), sem carta de recomendação, o que significa que não o emprestei às minhas amigas para que o usassem em caso mais urgente.

Não suporto que me considerem traquina!

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A Gaffe conta outra vez

rabiscado pela Gaffe, em 20.05.11

Uma das inúmeras exigências feitas a uma obra destinada a crianças é a da utilização de signos, se quisermos de significantes e de significados, numa prática sócio-semiótica progressiva, susceptíveis de ser assimilados com facilidade pelo destinatário cuja "inteligência abstracta" ainda é incipiente.

Fáceis de ser assimilados, não significa nem justifica de todo um uso limitado de vocábulos "simples" ou, muito menos, a utilização de uma espécie de linguagem débil, assumindo-se que é nesta restrição forçada que a leitura se processa com maior facilidade numa obra infantil.

A dificuldade do tradutor que tentava com algum desespero encontrar no francês o vocábulo próximo (mas não equivalente) da portuguesa "crónica", é absolutamente desprovida de senso. A palavra "crónica", dizia-se, não pertencia ao normal e usual, quotidiano, universo infantil e como tal deveria ser substituída por uma outra mais acessível, mas que gerava alguma dificuldade em achar. Esta posição é exemplo de uma certa anomalia na definição e na avaliação dos objectivos da literatura infantil actual. O uso de uma linguagem apurada e exigente que recorre a signos, fonemas, vozes, termos e sons, eventualmente afastados do universo da criança, não é de forma nenhuma um handicap tornando-se, pelo contrário, uma mais-valia. Entrega à criança a possibilidade da descoberta, processamento e desenvolvimento da língua e da sua capacidade de a interpretar e, em última análise, de a amar.

Ao contrário da, por exemplo, esmagadora maioria da literatura infanto-juvenil editada em Espanha, que tem como um dos seus critério de selecção a qualidade e riqueza vocabular, a portuguesa actual, é, salvo raríssimas excepções, de uma enorme pobreza nesta área (não falamos sequer da Inglesa com uma tradição de apuro, exigência e qualidade invejáveis). Escreve-se para minúsculas entidades desprovidas de inteligência, incapazes de raciocínios ligeiramente mais elaborados e um pouco mais que idiotas ou imbecis. Escreve-se procurando o mais incipiente do vocábulo e a mais irrelevante das frases.

Escreve-se quase exclusivamente com um intuito "moralizador" (compreendido numa abordagem diacrónica) muitas vezes preconceituoso e demasiadas vezes canhestro, como se fosse esse, ainda hoje, o objectivo primordial da literatura para a infância. Escreve-se para "formar leitores" sem se ter em conta que não é uma avalanche de edições pouco criteriosas que os formará, nem a ausência do factor surpresa de uma voz, impulsionador da procura e da descoberta externa à obra, paraliterária ou metaliterária, que os desenvolverá.

Escreve-se pobre em Portugal, para pobrezinhos.

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A Gaffe nas histórias de fadas

rabiscado pela Gaffe, em 19.05.11

 

Usemos aleatoriamente o "Capuchinho Vermelho" e "A Bela Adormecida" que são, sem hipótese de contradição, duas obras com direito a figurar nas estantes da memória de todas as crianças. Não faremos uma análise exaustiva das obras. Afloraremos apenas o aspecto que ilustra de certo modo o que é dito atrás. O primeiro conto fala de uma menina que, usando um capuz encarnado, deverá no seu passeio pelo bosque, passar a ter cuidado com o lobo que a espreita com intuitos devoradores. Numa primeira e quase imediata aproximação, descobrimos a cor do capuchinho que, segundo uma data considerável de analistas, representa a menarca, a primeira menstruação de uma jovem. A rapariga, fértil, deverá cuidar da sua segurança e do afastamento do possível agressor e/ou desflorador, aqui transformado em lobo cujas características estão desenhadas de modo a ser considerado fatal. A lição possível é dada de modo eficaz e o aviso subliminar fica registado. A menstruação, metaforicamente encapuzada, é sinal claro, vermelho, para que a jovem menina passe a observar os sinais de perigo vindos do bosque. Uma agressão não pode, ainda hoje, ser evitada usando o medo do lobo que espreita?

É também curiosa a quantidade de sangue que se derrama nestes dois contos (mas não exclusiva destes). O sangue metafórico do capuz e o sangue provindo da picada que adormece a Bela. Desta feita, no caso da Princesa catatónica, ser picada é ser desflorada. Há um elemento perfurador, o fuso, que penetra na carne da jovem que tinha atingido a idade em que se tornaria normal uma iniciação sexual. Como castigo, a adolescente adormece e terá de ser o Escolhido a tentar reanimá-la com um beijo após ultrapassar uma série de provas que demonstram que é o merecedor. O feitiço é imposto pela bruxa (interessante também esta dualidade entre bruxa/fada, fada madrinha/feiticeira, que está muito próxima da imagem da mãe, criatura benévola versus criatura malfazeja) e é quebrado por imposição (permissão?) de uma fada com a condição de ser um corajoso, garboso e aprovado jovem a reanimar a princesa picada e ensanguentada. Neste caso, o beijo poderá ser leve e pueril, ao contrário do da Branca de Neve que será obrigatoriamente mais profundo de forma a retirar da garganta o pedaço de maçã envenenada. Muitas vezes ignorada ou dispensada esta característica contribui de modo decisivo para a perenidade e a intemporalidade da história.

Estes dois exemplos, mostrados de forma simplificada, dizem dos modos sublimados de abordar o sexo nas histórias para as crianças, transmitindo noções e conceitos que se enraízam no inconsciente colectivo e estão directamente relacionados com os chamados arquétipos da humanidade. Não são exageros de mentes sórdidas capazes de encontrar, de modo freudiano, o sexo nos anjos. Até porque são raros (se é que há alguns) os contos onde os querubins se tornam personagens dignas de eternidade oral ou escrita. Por não terem sexo, acabam não contáveis. A minha aproximação, pecando por defeito, é necessariamente curta e restrita e está apoiada nos mais básicos alicerces do corpo construtor da clássica narrativa infantil susceptível de atravessar gerações sem modificações na sua estrutura essencial. Carece de maior desenvolvimento (que não tem lugar aqui) e deveria, logicamente, ser aliada a outras que com esta fornecem o estatuto de “obra maior” ao que é contado. A violência, a morte, a crueldade, a disfunção (sobretudo no âmbito familiar) e o universo do fantasioso povoado por ogres, fadas, duendes e bruxas, são pilares quase totalmente ausentes na literatura infantil da actualidade que oferece à criança uma planície asséptica, afastada e purificada, repetindo e retratando um quotidiano aparentemente inocente, clarificado e isento de implícitas referências aos arquétipos edificadores e organizadores do inconsciente colectivo.

Com um público situado numa faixa etária ligeiramente mais elevada, J. K. Rowling recorre a estas implicações de forma quase exemplar em Harry Potter, provando que hoje, como no século que viu o Capuchinho ser atacado pela fera, ou nos reinos de Tolkien, recorrer à certeiras e velhíssimas "fórmulas mágicas" é garantia de aceitação, de reconhecimento imediato e projecção no futuro e não se está a falar, neste momento, de óptimas e inteligentes campanhas publicitárias.

 

Nota - Imprescindível abrir os links amavelmente fornecidos pelo blog Fraldas e Gravatas

Aqui

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A Gaffe e os Incêndios

rabiscado pela Gaffe, em 14.05.11

 

 

Para que um casamento tenha a chama (olímpica ou nem por isso) sempre erguida e activa, é necessário um certo jogo de cintura.

É atribuída à mulher, e na esmagadora maioria dos casos de forma injusta, a grandiosa e difícil tarefa de fazer com que a ligação não se pareça com um fósforo em fim de combustão.

Segundo as sábias, mulheres habituadas a pirómanos de pacotilha, há uma solução infalível para esta complicada manutenção. Se a labareda corre o risco de extinção e é a nós imputada a culpa, nós, raparigas espertas, temos na mão e nas testas dos maridos o combustível ideal: troquemos de amante.

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