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Ilustração - Fernando Vicente


A Gaffe no "Acontece"

rabiscado pela Gaffe, em 25.05.11

 

(Sam Dolman)

 É natural que, depois de ter tentado reconstruir (depois de a ter tentado desfazer de uma vez por todas) uma série de estruturas mentais bolorentas, revendo, verificando, analisando, alterando e refazendo os seus alicerces mais carunchosos, e ter recebido no fim, como recompensa, um sonoro olhar de desprezo e reprovação do paciente* que de inglês tinha apenas o penico da Rainha Vitória em vez de cérebro, me sinta exactamente como ele me viu.

 

 * Chamemos-lhe assim, para não descambar.

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A Gaffe e um segredo

rabiscado pela Gaffe, em 25.05.11

Um segredo é uma coisa interessantíssima que devemos partilhar apenas com uma pessoa de cada vez.

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A Gaffe e o sexo orientado

rabiscado pela Gaffe, em 25.05.11

O Oriente admitiu a sexualidade e nomeadamente a sacrossanta natureza do orgasmo, quer masculino, quer feminino, de forma mais evidente e homogénea ao longo dos tempos e das religiões do que o Ocidente.

Repare-se que em 1550 o poeta tunisino Umar ibn Muhammad Nefzawi produz uma obra a todos os níveis exemplar em relação a este tema. Está traduzida como The Perfumed Garden e deixa um excelente aroma de sensualidade nas culturas orientais e islâmicas.

É o The Perfumed Garden que aconselha, por exemplo, os homens desta mimosa forma: “Não te unas a uma mulher sem a teres excitado com carícias de prazer; então, o prazer será mútuo” e recomenda vivamente que a escolha do momento certo para a penetração desperte “o poder sugador da sua vagina” – que, por sua vez, conduz ao prazer orgástico para ambos.

Nefzawi descreve também um homem chamado Abou el Keiloukh que “permaneceu hirto durante trinta dias sem parar” – comendo cebolas e o Kamasutra advoga outro método de atingir níveis olímpicos de lasciva virtuosidade, aconselhando que se coma “muitos ovos fritos em manteiga e embebidos em mel, para manter o membro duro durante a noite inteira”.

O sexo está alerta e de perfeita saúde nestas orientais paragens.

Como é próprio das sociedades orgasticamente saciadas, à época, havia uma igual aceitação da homossexualidade (masculina, pelo menos), no Norte de África, Turquia, Pérsia, todo o Médio Oriente, Índia e tão longe do Médio Oriente como a indonésia.

Pondo de lado as escrituras mais austeras e maçadoras dos seguidores do Deus judaico-cristão, a homossexualidade no mundo oriental prevalecia desde a Antiguidade. O provérbio persa “um rapaz para ter prazer; uma mulher para ter filhos” ainda é adoptado por muitos, sem qualquer sentimento de culpa, em terras árabes. A sodomia na Pérsia representava virtudes “superiores”, o coito anal uma forma de se atingir alturas celestiais e de instruir os jovens. Era igualmente respeitado no Egipto, pelos mouros, árabes ou berberes, no Afeganistão, onde os Patans entoavam uma canção de amor homossexual “Coração Ferido” ("Há um rapaz do outro lado do rio com um rabo que parece um pêssego, mas, ó desgraça! Não sei nadar!”), e na Ásia Central, os cossacos, hunos, tártaros, mongóis e turcomanos são entusiastas fervorosos desta melodia. Quando o Islão se implantou na Península Ibérica, a poesia árabe reflectia a sua predilecção pela homossexualidade. Muhammad ibn Malik, na Andaluzia do século XII, por exemplo, escreve um poema intitulado “Voltado para Meca”:

 

 Sexta-feira

na mesquita

o meu olhar caiu sobre um jovem esguio

belo

como a lua ascendente.

Quando se curvou em oração

o meu único pensamento foi

oh, possuí-lo

deitado

diante de mim,

de rabo ao alto,

de rosto em baixo.

 

A verdade é que as modernas tendências anti-sexuais nos países islâmicos ou fundamentalistas e mesmo no subcontinente indiano são, como diz Alibhai-Brown, “uma malfadada marcha irrompendo pela História para negar, destruir e punir o amor físico”, embora só muito recentemente se tenha começado ali a sentir as angústias associadas à ideia de um corpo imperfeito. A tendência para orientar e controlar o sexo começa no Oriente mais tarde do que parece fazer crer e seguramente depois do mesmo fenómeno se verificar no Ocidente (e talvez este benigno atraso consubstancie uma das razões para uma maior opressão e repressão sexual detectadas nas culturas orientais actuais comparativamente com as do ocidente).

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