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Ilustração - Fernando Vicente


A Gaffe e as altas esferas

rabiscado pela Gaffe, em 06.06.11

Pergunta-me um simpático leitor (obrigada pela quantidade de piropos que culminam o seu mail) como funcionam as famosas esferas do amor.

Esta curiosidade faz-nos entrar no surpreendente Japão antigo que oferecia belas jovens, que iluminavam o templo de Asakusa, a Kwan-Non, Vénus japonesa, que sagrava estas prostitutas a uma ordem religiosa de monjas, as Bikuni e que nos templos xintoístas organizava orgias sexuais que facilmente rivalizavam com as Bacchanalia romanas.

Pensa-se que as primeiras esferas do amor, conhecidas mais tarde como bolas de gueixa, eram ovais, ocas, esculpidas em marfim. Posteriormente o revestimento passou a ser feito de ouro ou prata, com peso reduzido – mercúrio nos seus primórdios – colocado no centro para as fazer rolar, criando sensações de rotação no interior da vagina e no tecido sensível que a rodeia, podendo ser orgástico para a mulher experiente. As esferas podiam ser colocadas na parte inferior da vagina ou directamente atrás do ponto G. No contexto moderno, diz-se que ajudam a apertar e fortalecer os músculos pubococcígeos, bem como a controlar a bexiga e a prevenir a incontinência urinária.

Alguma das utilizadoras de Ben Wa garantiram que, para alcançarem uma sensação mais intensa, uma das esferas devia ser oca e a outra sólida. Ao friccionarem a vagina activavam uma espécie de vibração especial, dando origem a uma insinuante dose de orgasmo. Outras mulheres, no Japão antigo (e posteriormente) também apreciavam o uso das Ben Wa durante a penetração e afirmavam que os homens gostavam de sentir a suavidade das esferas.

Curioso é o modo como o Ocidente sempre sonhou usar outras esferas com finalidade que, embora eventualmente sexual, deixa muitas dúvidas em relação à cumplicidade com que devem ser usadas.

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A Gaffe e o milionário

rabiscado pela Gaffe, em 06.06.11

Como tinha prometido, aqui, dedico-me hoje parte da manhã, ao chamado ponto milionário.

Temos para tal de recuar alguns séculos depois da era chinesa distintiva da franqueza sexual e da lucidez poética, a dinastia Han (206 a.C. – 221d.C.), e facilmente encontraremos no Yufang Bijue (Instruções Secretas da Câmara de Jade), um texto taoísta onde se pode a descrição de uma técnica para o coitus obstructus:

Quando durante o acto sexual, o homem sente que está prestes a ejacular, deve fazer pressão no ponto entre o escroto e o ânus, com rapidez e firmeza, usando os dedos indicador e médio da mão esquerda, ao mesmo tempo que inspira profundamente e cerra os dentes com força várias vezes sem suster a respiração. Então, o sémen será activado, mas ainda não emitido. Regressa à Haste de Jade e entra no cérebro.

A localização exacta desta pressão crucial entre o escroto e o ânus é traduzida como o ponto milionário exactamente porque os mestres taoístas cobravam verbas elevadíssimas para ensinar os pupilos mais ávidos a reconhecer este local interessantíssimo.

O meu NIB está à vossa disposição.

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