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Ilustração - Fernando Vicente


A Gaffe sangrenta

rabiscado pela Gaffe, em 14.05.12

(Federico Cabrera)

Mesmo que os psiquiatras vos digam que realçar os lábios é subliminarmente um apelo sexual, transformando a boca num simulacro de vagina, minhas queridas, ignorem.

Como diz um maravilhoso amigo meu, o mundo seria muitíssimo mais simples sem Freud e sem Woody Allen.

Sejam sanguíneas. Atrevam-se, neste Verão, a trazer na boca a prova de que cometeram o assassínio de um beijo e que a vítima ficou exangue, não por lhe termos sorvido o necessário, mas por perceber que jamais conseguirá sobreviver sem a nossa boca.

 

Nota – Voltarei a este assunto brevemente…

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A Gaffe no casamento da melhor amiga

rabiscado pela Gaffe, em 14.05.12

Imagine que foi convidada para o casamento da sua melhor amiga.

Normalmente, antipatizamos categoricamente com o noivo, porque nos sobe pelas entranhas um ciúme rasteiro que é apanágio das raparigas que durante muito tempo foram cúmplices em todas as situações que a vida lhes propôs e que se vão passar a ter um poste entre as duas, supostamente para a vida inteira.

Podemos, como é evidente, arrasar o noivo, lançando subtis venenos ou insinuadas calamidades secretas acerca do pobre do rapaz que vai acabar, com tempo e paciência, por se tornar, invariavelmente, mais um amigo nosso agradável e compreensivo, tendo em consideração o facto de jamais lhe perdoarmos o ter casado com a nossa mais íntima confidente.

Podemos, também, abrir o curral (creio que é assim que se chama ao apartamento onde vive este animal) e soltar a cabra que nos consome por dentro.

Neste último caso, corremos alguns riscos. Segundo a regra instituída, obedecida, inteligível e de bom-tom, apenas a noiva usará o branco.

Pois, minhas caras, apareçam imaculadas!

Destruam o dia à pindérica que vos superou, abocanhando aquele nadador olímpico que vos sorria todas as vezes que se preparava para ouvir o disparo de partida. Arrasem a parola que não se coibiu de vos roubar o jogador de rugby que sempre que caía vos atirava um pedacinho de lama. Aniquilem a patega que teve a ousadia de desfolhar o vosso professor de Física Quântica que ficava com os óculos de tartaruga embaciados sempre que batia com as lentes nos vossos olhos cintilantes.

Surjam de branco!

Evidentemente que vai ser detectado o vosso péssimo gosto e revelado o vosso estatuto de animal de curral, mas usem o alvo deslumbre deste exemplo.

Há um inconveniente. Não se podem sentar sem amarfanhar desastrosamente o ramalhete. Levantam-se e as rosas de chantung, seda ou chantilly já derreteram, estão mortas, amarfanhadas pela amargura e pelo azedume da ocasião, e vão parecer que usam esfregonas, compradas nas promoções do Pingo-Doce, depois de assassinarem os rivais que já tinham chegado primeiro à secção dos detergentes, mas quem se quer sentar vestida desta forma?!

Aguentem estoicamente de pé a cerimónia. Confundam as hostes e belisquem as meninas das alianças, pisquem o olho ao padre quando o pobre sacerdote perguntar se há alguém contra aquele enlace, derramem pacotes de sal sobre os morangos, cuspam no Dom Pérignon, torçam-se com dor abdominal durante as entradas, rasguem e critiquem e destruam cada convidado, mas façam-no de pé. Um vestido destes não pode ter um rabo sentado.

Em alternativa, sejam a imperatriz.

Imitem Josefina e surjam prontas a napoleonicamente arrancar das mãos de um qualquer Pio VII a coroa do sucesso para a pousar na vossa cabeleira farta e enciumada.

Neste caso, basta ter cuidado para não pisar a bosta. Nestes casamentos, os noivos vão quase sempre de coche.

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