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Ilustração - Fernando Vicente


A Gaffe citando

rabiscado pela Gaffe, em 17.05.12

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A Gaffe e a época da caça

rabiscado pela Gaffe, em 17.05.12

Está a chegar o Verão, meus rapazes, e com ele os sensualíssimos desportos náuticos e, para nós, a abertura oficial da época de caça.

Sejam uns queridos e não usem aquelas coisas larguíssimas, coloridas, floridas, riscadas e repletas de logos, com cordelinho de algodão na cinta e quase a tocar nos tornozelos.

Transformem-se nos homens que queremos como bússola. Desgrenhados e barbudos, de blusões de malha azul a ofuscar o mar, sonhadores e solitariamente mentirosos. Sejam flaneurs aquáticos de calções justos no início das coxas e troquem a prancha da piscina por veleiros ou façam com que acreditemos que o conseguem.

Quem se importará de vós, depois do Verão?!

Sobretudo, meus queridos, arranjem uma luxação num pé! Pode ser mito, estereótipo, léria e ladainha, mas, no fundo de cada rapariga, há sempre uma enfermeira em sentinela, pronta para vos cuidar.

No Verão, meus queridos, somos todas tão despreocupadamente inteligentes!

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A Gaffe perde a cabeça

rabiscado pela Gaffe, em 17.05.12

Imagine, minha querida, que é uma das convidadas para o Bal de la Croix Rouge de Monaco (em francês, soa melhor e faz “pandant” consigo).

Não deve pedir emprestado o colar Océan, porque não fica bem repetir as faíscas das outras, e não espere que Charlene de Mónaco coloque a prótese que lhe produz o sorriso, desate disparada, desenfreada, tresloucada e psicótica a uma qualquer Alexandre McQueen e incendeie o seu salário nesta adorável menina, a Metallic Wipstitich Box Clutch.


Não vai ter dinheiro para mais nada, mas, minha cara, recorra à modalidade cash-advance, perca a cabeça e os pés no Louboutin ou no Jimmy Choo. Depois, cole um número inevitável de post-it nos lugares que considera estratégicos e vá nua!

Ninguém vai perceber, porque toda aquela gente fica entretida a contar as rugas das encarquilhadas princesas (lembre-se que as palhaçadas, folguedos, traquinices e festins que nos divertem aos vinte, serão visíveis nas nossas caras a partir dos quarenta), pode sempre dizer que a esplendorosa clutch apaga, mata, torna transparente, invisível, dissolve e anula, qualquer trapinho que dela se aproxime.

Se, mesmo assim, alguém fizer qualquer reparo, diga que está a usar Fátima Lopes.

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A Gaffe e velha Senhora

rabiscado pela Gaffe, em 17.05.12

(Chanel Cruise 2012/13)

Minhas caras, este é um dos rostos Chanel 2012/13, portanto, respeitinho. A velha Senhora ainda o inspira.

Num primeiro relance, torna-se evidente a pertença da marca e não é apenas pelo logo de veludo, adesivo, que a menina traz na suavíssima face e que substitui na perfeição os insinuantes e codificados sinais oitocentistas.

Tudo aqui exala Chanel e tenho uma certa esperança que não seja o nº5. Apesar de ser a única gota que Marilyn vestia para dormir, de figurar no Metropolitan Museum of Art e de ter adquirido o portentoso Brad Pitt para o oferecer a todas as ingénuas, sempre me enjoou terrivelmente. Suspeito que a Monroe o usava apenas porque entrava em coma hiperglicêmico e passava uma noite descansada.

Apesar de reter traços muitíssimo vagos (e absolutamente menos tenebrosos) de Rooney Mara, a heroína Lizbeth Salander do “Millenium - Os homens que não amavam as mulheres”, o rosto Chanel está isento da pesada carga e tensão emocional, tantas vezes a rasar o sufocante e sombrio, da personagem do filme.

Interessa reter o mate rosa envelhecido, um esbatido salmão, distribuído uniformemente por todo o rosto e as sobrancelhas que adquirem grossura. Há nuances subtis nas arcadas supraciliares que se aproximam das têmporas com uma cor mais pronunciada, mais densa e mais dramática. Recorda, de certo modo, as gueixas que expandiam o olhar, aprofundando o mistério, com uma gota de vermelho junto ao saco lacrimal e prolongavam os olhos com sombra carmim.

O rosto Chanel 2012/13 torna-se um misto de ingénua e incauta leveza e de perigo insinuado, mas iminente. Como se Lizbeth Salander não tivesse nascido no negro do enredo de Stieg Larsson e que, pelo contrário, Chanel tivesse escrito um enigma de portas abertas.

Um anjo com esporas.

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