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Ilustração - Fernando Vicente


A Gaffe e as ruas de Paris

rabiscado pela Gaffe, em 21.05.12

Por muito que se negue, Paris continua a marcar presença indelével no quadro dos homens mais atraentes do planeta.

Existe uma particular característica nesta cidade, só comparável àquela que, embora com diferenças substâncias e proveniente de outras esferas, surge no Rio de Janeiro. Em ambas as cidades, o que se veste é da exclusiva inventividade dos transeuntes ou, então, reproduz o que é visto na telenovela de sucesso no momento, respectivamente.

Paris Street style adquire de importância vital para os criadores, porque acaba por se tornar um barómetro infalível no que concerne ao que é passível de ser recriado, revisto, redesenhado e adaptado pelo prêt-à-porter que conta com a análise especializada de observadores treinados e experientes.

A originalidade parisiense não é apanágio feminino. Os homens são inovadores e arrojados e facilmente nos cruzamos, nas douradas ruas da cidade, com a renovadora indumentária daqueles que ainda não se confinaram aos quotidianos dias acinzentados.

Com excepção do lenço claramente Hermès (evitável, digo eu), atado à cintura, é uma delícia ver passar o sobretudo corta-vento, sobre um decote em V, onde pingentes, banais e adaptados de berloques de fios de seda, fornecem uma mais-valia ao quase discreto conjunto. A irrecusável e apelativa flor próxima do imaculado, na lapela, contrasta com os jeans, clássicos e fáceis de encontrar em qualquer lugar, perto de si.

Paris deixa passar a originalidade e a inventividade que se multiplicam nas ruas. Não as condena, nem as aprova, não as censura, não as estigmatiza, não as oprime, mas também não as aplaude entusiasticamente. É-lhe indiferente, porque é normal.

Talvez seja por isso que Paris se torna, em cada esquina, o lugar onde a anormalidade é comum e onde é possível que os limites, de tão longe, se encontrarem perdidos.

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A Gaffe deixa-se conduzir

rabiscado pela Gaffe, em 21.05.12

Sei, porque ainda me sinto apesar de suspeitar que por pouco tempo, que não vamos directas enfiar os rapazes nos frigoríficos do Inverno, mas, meus queridos, ao volante do Bugatti 16C Galibier, podem usar e abusar destes estupendos acessórios que, apesar de não apropriados para a condução, vos entregarão a capacidade de nos ver babadas e desesperadas por boleia, destruindo à bofetada todas as rivais que estão na fila.

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A Gaffe barroca

rabiscado pela Gaffe, em 21.05.12

(Chanel, Cruise 2013)

Tento, sempre que disposição tenho para tal, evitar publicar fotografias de desfiles, por motivos óbvios. Ninguém, mortal e quotidiano, consegue trazer apenso a multidão de cabeleireiros, de assistentes e de assessores de imagem, repletos de ganchos, de agulhas, de escovas e tem, atrás dos arbustos, dezenas de pequenos acólitos encarregados de manter sem a mais irrisória falha aquilo que nos vai embasbacar em cima da passerelle.

Mas trata-se de Chanel, minhas queridas, e a esta Senhora tudo é permitido (a não ser a hipotética colaboração com os Nazis).

2012/13 é para a Casa Chanel, para além de outras maravilhosas viagens, também o quase Barroco e, se nos atrevermos com alguma maroteira, um discreto apelo ao Rococó.

A silhueta feminina retoma, de forma atenuada e absolutamente subtil, o busto e as anquinhas de Maria Antonieta e os decotes acompanham a infelicíssima austríaca decapitada.

Brocados de seda trabalhados (emborrachados, dirão os especialistas), como os tectos do Petit Trianon, dobras e relevos quase arquitectónicos, em perfeita harmonia com as enevoadas rendas, discretos folhos e dobragens. Origamis de seda pesada que escondem ou revelam os mais requintados pormenores daquilo a que se convencionou apelidar linha princesa.

A fantasia, já patente, é realçada com os magníficos frisos florais e tons pastel ou adquirindo tonalidades mais intensas. Perfeitos, minuciosos, estrategicamente colocados e dispostos a tornar em poética cristalina toda a colecção que adquire uma modernidade frágil e etérea, capaz de contradizer a tecnologia e quase soturnidade empregue pela, por exemplo, pela colecção D&G.

Os pormenores, como não me canso de sublinhar, são de importância vital, como se prova.

Evidentemente que não é nada adequado para arrasar e esmagar rivais à entrada do Pingo-Doce numa súbita promoção de 50% nas carnes, mas resulta se estivermos a descer a escadaria de uma mansão no Douro.

Agora, minhas caras, não desatem a colar florinhas em todos os vestidinhos brancos que esconderam no armário. Nunca esqueçam que Chanel é sempre uma obra-prima e que ter a ousadia de a plagiar é como ir a Roma e ficar, parola e especada, a tentar ver o anel papal, lá longe, na varanda do urbi et orbi.

 

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