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Ilustração - Fernando Vicente


A Gaffe de Ronaldo

rabiscado pela Gaffe, em 06.06.12

Não resisto e comento.

Cristiano Ronaldo tratou o PR por você.

Levantam-se as armas, os barões e os brasões (e os varões) que se assinalam pelo erro cometido e pelo escândalo sentido.

Não me pareceu grave.

Cristiano Ronaldo é um rapagão simpático, esforçado e bem-disposto que joga futebol de forma genial, que atira ou manda atirar gente ao rio (o que é sempre agradável nas noites de folia e nas madrugadas quentes de Ferrari estraçalhado) e que ainda não percebeu que os livrinhos de BD trazem balões com frases completas.

Lembro-me que, quando Portugal criticou um atleta olímpico que preferia estar na caminha na hora de competir, me saltou à frente as façanhas dignas de nota que os severos críticos tinham nos seus currículos e concluí que, apesar da idiotice do que foi dito, havia uma razoável vantagem do lado atlético.

Cristiano Ronaldo não é um intelectual, mas é um extraordinário jogador de futebol. Não se pode ter tudo, embora seja nossa obrigação desejar obter o Universo.

Há homens que embora geniais naquilo que fazem com os membros, trazem apenas na cabeça um penteado novo e, feitas as contas, o de Cristiano Ronaldo é bem mais engraçado do que o de Cavaco Silva.

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A Gaffe cor-de-rosa

rabiscado pela Gaffe, em 06.06.12

Talvez compensando uma certa sensação de rispidez da imagem anterior, escolho a relaxante cor-de-rosa, usualmente atribuída às raparigas, mas que usada por uma masculinidade sem hesitações traz um encanto irresistível.

É notório que nem todos os rapazes conseguem resistir a uma imagem quase monocromática, sobretudo quando a cor não está (ainda!) separada de uma imagética feminina.

Torna-se, contudo, bem mais agradável, e de mais fácil aceitação por parte da brigada dos bons costumes e da divina moral, a monocromática imagem de suave cor-de-rosa aparecer num homem já feito (diria a minha santa avó, que nunca foi membro do clube).

O estereótipo, pensamento básico, limitado, redutor e primário, é, em consequência, de fácil assimilação, chegando rápido, sólido e epidémico, às massas.

Desestruturar este estreito e delimitado pensamento exige maturidade e esta, como é sabido, chega (quando chega) invariavelmente com a idade.

Daí, esta suavidade máscula se destinar a homens. Não a rapazinhos.

Nenhum imberbe é capaz de alterar as conotações centenárias apensas ao cor-de-rosa, fornecendo-lhe a necessária dose de masculinidade que o torna, não apanágio de bebés de laço presos a caracóis e folhos em redor, mas apenas mais uma cor com que passeamos o lado solar das nossas vidas.

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A Gaffe confusa

rabiscado pela Gaffe, em 06.06.12

 

(Thom Browne)

Não perguntem! Creio que nenhuma de nós saberá responder com lucidez á pergunta que terá de morrer sem resposta clara e esclarecedora que nos interpela e nos constrange quando coloca em causa o extraordinário apelo erótico que trespassa este amontoado de pormenores fabulosos.   

Não se consegue racionalizar! Não vale a pena.

Não sabemos, nós, raparigas cultíssimas, se é a rispidez das tatuagens, a nudez dos pés aparentemente torturados pela combatividade dos sapatos, a leveza dos pequenos e inesperados apontamentos de cor que tornam bastante parisiense a aspereza do conjunto ou se apenas enlouquecemos perante a saudável e robusta imagem de um flaneur, romanticamente vadio, que nos atira, com a brutalidade que existe no que é frágil, a possibilidade de imaginarmos o que queremos.

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