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Ilustração - Fernando Vicente


A Gaffe sem guarda-chuva

rabiscado pela Gaffe, em 18.06.12

Eu sei que não devia! Sei que é próprio de meninas feias e marotas andar a saltitar de blog em blog, à procura de rivais de sucesso, mas sei, como todas as raparigas espertas, que não conhecendo o inimigo, a nossa pequena batalha terá um D. Sebastião a conduzir-nos o exército.

Os meus leitores são parcos e poucos e não posso, como está demonstrado, ser considerada uma especialista na área em que já se movem velhas e respeitadas experiências.

Recuso-me, no entanto, a ter no cérebro uma papa cor-de-rosa capaz de vender produtos que jamais usaria sem receio de ter de fazer quimioterapia depois, não consigo referir objectos, momentos, acontecimentos (ou qualquer outra coisa), que jamais provocariam a minha atenção ou admiração e não consigo seguir caninamente aqueles que ditam o que deve ser considerado de excelência ou digno de figurar na lista do intocável.

Creio que não acerto, que jamais terei um clube de fãs e que se quiser passar umas férias na Suécia não poderei nunca esperar pelo patrocínio do Ikea, mas divirto-me imenso com as tolices que vou fazendo esvoaçar aqui e, em simultâneo, sei que respeito, incondicional e seriamente, aqueles que por acaso tombam no meu canto minúsculo e ignorado.

Pequenina e despercebida, sinto-me no meio das tempestades à procura de escapar ilesa por entre os intervalinhos da chuva.

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A Gaffe ganha pulso

rabiscado pela Gaffe, em 18.06.12

(Veronique Leroy)

Em 2013, minhas queridas, (E se ainda não o fizeram em 2012) abandonem a colecção de contas idiotas que vão sendo adicionadas a uma pulseira que vos recorda os momentos mais marcantes das vossas vidas e esqueçam as correntes subtis de ouro com medalhinhas de S. Jerónimo a badalar.

Os vossos pulsos serão lugar de destaque, local privilegiado onde todos os olhares convergem, onde todas as fantasias trazem medida e peso poderoso e onde o excesso deixará de ser condenável, porque abrange o despudor da sofisticação.

Tenham pulso e suportem o poder do excessivo, do dominante, do quase em demasia, predominando como o Empire State Building na cidade em que o vosso corpo ganha forma.

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A Gaffe a alta velocidade

rabiscado pela Gaffe, em 18.06.12

vintage Belstaff Trialmaster jacket, perfeito para uma estação de transição, é um misto de peça especialmente criada para motociclistas e um impermeabilizado fragmento de urbanidade mais ou menos sofisticada.

Embora correndo-se o risco de se parecer um selector de alface do leste europeu (rapaz por quem sinto o mais elevado respeito), usar o Trialmaster Belstaff, um clássico, quatro bolsos na cintura, cinto, forrado a tartan, com um comprimento três quarto, pode funcionar na perfeição, surpreendendo-nos, quer por invocar Steve McQueen, quer pelo uso de materiais alternativos.

O Trialmaster chega-nos agora com os ombros e cotovelos transformados em armadura e um forro acolchoado destacável, mas mantendo-se fiel ao estilo do ícone original.
Infelizmente a aventura invocadora de velocidade e testosterona, pode terminar se o local onde permanece tem o aquecimento ligado. O revestimento de cera a que o  Trialmaster  foi submetido pode transformar o vento das estradas alfazema ou o mais requintado dos perfumes masculinos, no suplício que é ir ao encontro de Godot com o nariz enfiado em dois sovacos trogloditas.

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