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Ilustração - Fernando Vicente


A Gaffe e a tribo digital

rabiscado pela Gaffe, em 19.06.12

Na eventualidade de serem tentados a usar, respeitando literalmente, o que no desfile trespassa o vosso deslumbre, socorram-se de um relaxante muscular com propriedades sedativas.

O que passa, vossos males espaça, mas caso não tenham o incêndio do corpanzil de nadador olímpico em que se transformam os modelos ou a coragem (também olímpica) para enfrentar a urbe conservadora e cinzenta antracite, não arrisquem levar o cão a passear reproduzindo com absoluto rigor um modelo que vos cegou num desfile de Galliano numa das suas fases psicóticas (a não ser que o cão seja um doberman treinado para atacar trolhas, beatas, o pároco da freguesia, taberneiros e afins).

A proposta interessantíssima que mistura padrões tribais com elementos digitais, provenientes de um universo informatizado e quase asséptico, acaba por produzir peças deliciosas cujos padrões se conjugam, e coadjuvam, numa miscelânea atractiva e perfeitamente conseguida.

Há, no entanto, que acalmar a propensão para o entusiasmo imediato que quase sempre acaba por nos deixar uma ou outra mazela no bom senso.

Esta mescla de elementos quase antagónicos de dois mundos que, dir-se-iam, em princípio, discordantes e impossibilitados de intersecção, não pode (se o tal cão for um pincher) ser usada indiscriminadamente pensando-se que, se desperta a faísca do deslumbre no tapete do desfile, vai provocar o trovão na esquina do quotidiano.

As adaptações e as reinterpretações são essenciais.

O autocarro que nos transporta pelas ruelas da vida não inclui lugares iluminados por profissionais altamente qualificados, nem há música de fundo para nos modelar os compassos e os passos.

A forma mais perfeita de adaptação do extraordinário criativo, destinado a permanecer debaixo de luzes e de sons externos ao quotidiano mais comum, é o uso da inteligência, crítica, analítica, contundente e cirúrgica, que permite, por exemplo, uma conjugação do mais principesco dos clássicos padrões com subtis elementos tribais, consubstanciados em pormenores discretos e quase ínfimos, unindo, desta forma, a proposta, possivelmente considerada excêntrica, que foi apresentada.

O absoluto clássico é susceptível de se tornar elemento primordial numa actualização, como diriam os connaisseurs, mais vanguardista.

Basta um inteligente golpe de asa.

 

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A Gaffe vitoriana

rabiscado pela Gaffe, em 19.06.12

Esta sumptuosidade, onde as flores e folhagens são reproduzidas em diamantes e pérolas, é o diadema usado pela Rainha Vitória em 1850, durante a sua coroação.
 As jóias naturalista, decoradas com flores e frutas claramente identificáveis, foram as favoritas durante grande parte deste período e tornadas célebres nos primeiros anos do século, por influência do amplo interesse pela botânica, desperto na época, e pelo fascínio de poetas românticos, como Wordsworth, que colocaram bucólicas paisagens e floreados intimistas, mimoseados por folhagens e ramagens apaixonadas e trágicas, nos seus sonetos de amor.

Na década de 1850, os primeiros desenhos delicados tinha dado lugar a composições mais extravagantes e complexas composições florais, usadas para expressar o amor e amizade, contribuindo em simultâneo, pelo uso de pedras coloridas, para criar uma linguagem das flores que soletrava mensagens especiais, codificadas extravagante e luxuosamente.

É evidente que ninguém se lembra de saudar uma época em que foram assinadas, em Inglaterra, por Sua Majestade, as violentíssimas leis contra a homossexualidade masculina (não foi condenada a homossexualidade feminina, porque a Rainha Vitória se recusou terminantemente a admitir que existia!) e onde se cobriam as pernas das cadeiras e dos pianos para que não despertassem lúbricas memórias e lascivas imagens nos distintos cavalheiros, mas temos de admitir que estas vitorianas pudicas, carunchosas e consumidas pelo preconceito, sabiam escolher o que pousar na cabeça.

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