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Ilustração - Fernando Vicente


A Gaffe na lapela

rabiscado pela Gaffe, em 10.08.12

(Luciano Barbera)

Perdeu-se há muito a delicadeza suave de uma flor numa lapela masculina.

A linguagem subliminar inscrita neste pormenor foi-se esbatendo e secando. Os homens decidiram tornar um detalhe de uma delicadeza significativa numa demonstração de desprotegida e inocente fragilidade, permitida apenas em casamento e baptizados.

A possibilidade de adornar as lapelas masculinas ficou restrita a pins minúsculos e banais onde se faz alarde do orgulho desportista ou do brio populista, mas governamental.

É lamentável o abandono votado aos discretos alfinetes com que os avós faziam brilhar lapelas rigorosamente entreteladas ou com que prendiam as sedosas gravatas com riscas regimentais.

O empobrecimento da panóplia de adereços masculinos não se reflectiu no aparentemente almejado evoluir de uma imagem de masculinidade a toda a prova, nem a tornou mais límpida, capaz de referenciar um despojamento másculo de quem se quer dinâmico e eficaz, com a sobriedade apensa à ilusão de não se perder tempo.

No entanto, o adornar florido da lapela masculina, inversamente ao tido como certo, é um dos mais encantadores detalhes a fazer prova da mais segura masculinidade e da mais assumida presença da sedução inteligente.

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