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Ilustração - Fernando Vicente


A Gaffe e as formigas

rabiscado pela Gaffe, em 24.09.12

O enorme problema que afecta as pobres vítimas do que se ousou chamar tendências de moda torna-se motivo de contentamento para o senhor Ministro da Administração Interna.

Os rapazes, encadeados pelas luzes da ribalta, iludidos com a dúbia e enganadora certeza que os convence que usar determinada peça os equipara, equipa e aproxima da originalidade do princípio inovador e os prepara para uma almejada identificação de grupo, reproduzem-se confrangedoramente, convertendo-se em cromos que desiludem, porque repetidos, nas carteirinhas que rasgamos na infância e, como em Kafka, são transformados em insectos.

São formigas.

Também nestes casos, as cigarras são de extrema utilidade.

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A Gaffe no intervalo

rabiscado pela Gaffe, em 21.09.12

Hoje a Gaffe decidiu fazer um curtíssimo intervalo na sua já longa carreira martelada a perfume, lágrimas e algumas, parcas, alegrias.

O início do Outono provoca-lhe sempre uma certa letargia, um subtil cansaço melancólico que a leva à procura de beijos perdidos, mesmo sabendo que os lábios a beijar pertencem a um qualquer herói de banda desenhada.

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A Gaffe e o monstro

rabiscado pela Gaffe, em 20.09.12

 

(WGSN - London Fashion Week)

Nós, raparigas espertas, sabemos que cruzar com monumentais figuras masculinas, dignas de abrilhantar o cume do sagrado e do pagão, não é banal ou quotidiano. Habituamo-nos depressa a controlar e a dominar a frustração que é não poder saborear David Gandy todos os dias que passam.  

Admitamos que a Bela, do belíssimo conto de fadas que me permite o trocadilho, tem a vantagem de estar cativa de um monstro com uma sensualidade bastante animal e um apelo erótico muito subtil. O rapazinho desta história não parece ter a força da mitologia, mas, apesar deste pormenor irritante, é razoavelmente atractivo e sabe compor um ramalhete. Ajuda-o o breve travo vintage num estilo safari que combina os clássicos perfeitamente escolhidos a dedo com acessórios imprevistos.

O casaco de quatro bolsos, de inspiração militar, é um óptimo exemplo de funcionalidade e de alfaiataria. O lenço, com um estampado clássico e discreto, compensa a camisa riscada, quase regimental, e a gravata que se destaca pelo acentuar da cor dispersa pelas outras duas peças, permite que a nossa atenção não se disperse.

Será que se o beijarmos, se transforma num príncipe?

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Gavetas:

A Gaffe com pano para mangas

rabiscado pela Gaffe, em 19.09.12

Aqui temos uma bela animação que ilustra o que se quer dizer quando se refere que a manga de um casaco está desligada do conjunto.

Reportamo-nos ao ângulo em que a manga é inserida na cava. Se a curva e ângulo da manga não se harmonizam com a modo como os braços se deixam cair naturalmente, acaba por ser provocado um ensacamento feio na frente ou atrás da manga (geralmente atrás) que pode ser considerado inconveniente pelos mais atentos.

Há um ângulo perfeito para a maioria dos homens, mas alguns apresentem uma postura um pouco incomum. Os militares, por exemplo, muitas vezes são obrigados a permanecer mais erectos, os cavalheiros mais velhos podem apresentar um curvar de costas e mesmo os mais jovens ostentam, actualmente, um acentuado curvar de ombros. Em qualquer destes casos, se forem perfeccionistas, obcecados, maníacos ou patologicamente narcisistas, é necessária uma atenção especial à inserção das mangas no casaco.
Para verificarem se estas assumem uma posição correcta, basta que vistam o casaco e se coloquem, de lado, ao espelho. Se as mangas se exibem semelhantes aos três movimentos da ilustração, estão perfeitas.

Se surgirem diferenças, pode precisar de as ajustar. Se as ajustar por este motivo, deve agendar consulta no psiquiatra com a maior brevidade possível.

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Gavetas:

A Gaffe na manifestação

rabiscado pela Gaffe, em 17.09.12

 

 

 

Faltou-lhe o cravo!

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Gavetas:

A Gaffe e os barbudos

rabiscado pela Gaffe, em 14.09.12

(Fabian Nordstrom por Daniel Jaems)

Rapazes, não há fuga possível!

Todas somos bombardeadas (e adoramos) por imagens de homens com barba descomunal e impecável e cabelo que faz recordar as páginas de um romance onde o herói é digno de figurar como imagem paradigmática do aventureiro mais romântico.

A tendência não se vai atenuar. Será aconselhável, meninos, dar início ao plano B, ou seja, abandonarem por um tempo considerável as lâminas, as máquinas de barbear, a depilação a laser e as minuciosas pesquisas de pilosidades inconvenientes e assumirem a vossa testosterona, libertando o troglodita sofisticado que há em cada um de vós.

Embora avessa a qualquer tipo de imposição, ilógica ou repleta de razão, tenho de admitir que me agrada este allure vagamente bruto e com travo machista, encantador porque tão inútil como os similares.

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A Gaffe e o zebrado

rabiscado pela Gaffe, em 13.09.12

 

(Marc Jacobs -2013)

Sei que tenho andado aborrecida e que, em consequência, tenho publicado posts absolutamente maçadores e suspeito que às riscas, como as zebras de Marc Jacobs. 

Este spleen existencialista alia-se sobremaneira à minha irritação perante a monótona, monocórdica e arrastada voz de Vitor Gaspar, sintoma de uma profunda, mas absolutamente controlada, gaguez – diz quem sabe, porque eu falo a cantar.

Parece comprovado o facto do rapaz conseguir dominar apenas uma coisa de cada vez.

O sexo masculino, mesmo simplificando a paleta, ou acerca na linha branca e se espalha na tira preta da asneira ou atinge a recta imaculada do triunfo, obtido com a negrura seca da bazófia.

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Gavetas:

A Gaffe e o desencontro

rabiscado pela Gaffe, em 12.09.12

 

Há quem afirme que crescemos desenvolvendo algumas características perfeitamente vincadas e indeléveis transportadas em pormenores com sabor a fado e a destino, impressos no nome que nos dão ou no da rua em que nascemos, no número da porta em que vivemos ou nas estrelas mais esconsas que nos regem.

Gosto de acreditar que pode ser verdade. É quase fantasia, é quase uma história que contam para nos adormecer, é quase uma poeira que cintila fora do real.

Há, no entanto, um detalhe deslumbrante neste correr de fado e de cantigas.

Há gente que nasceu para obedecer a determinada imagem, definida e única. Não existe, ou existe com menor vontade e maior esquecimento, se quebra ou subverte a vincada representação de si nos outros.

Não há forma de se reproduzir esta espécie subtil de um carisma que não passa de inteligência à flor da pele. Nasce como um signo que encontra definição e corpo no corpo de quem percebe ou sente esta particularidade. O duplo, o imitador, carece de certezas ou de vida própria. Fica sempre aquém daquilo que se quer.

O confronto do sujeito com a imagem que o reproduz na perfeição é raro e imperceptível. Reconhecemo-lo quando percebemos que, depois de o vislumbrar nos outros, não conseguimos deixar de admitir que há, algures, um encontro a que faltamos.

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A Gaffe vai à luta

rabiscado pela Gaffe, em 12.09.12

Debrucemo-nos com algum cuidado sobre o desporto nacional turco.

Com raízes na luta da Ásia antiga (que originou o que é hoje conhecido como Yağlı Gures - luta livre de óleo ou turca) consiste numa variante oleosa e com um sabor ainda mais alegre do que aquele que é apresentado pelo wrestling que conhecemos.

Relacionado com o Kurash Uzbeki, Khuresh Tuvan e o Koras tártaro (uma rapariga esperta sabe impressionar, mesmo recorrendo a serviços de espionagem e informação), esta modalidade faz com que os lutadores, conhecidos como pehlivan (herói ou campeão) usem um tipo de calças de couro grosso, costuradas à mão, o kisbet (ou kispet), tradicionalmente feito em pele de búfalo, e, mais recentemente, em pele de bezerro. O azeite ou óleo de oliva puro, que lhes cobre o corpo dificulta muitíssimo qualquer tipo de golpe, restando os locais onde, com alguma sorte, o óleo não penetrou, embora seja derramado também no interior apelativo do equipamento.

 

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 Ao contrário do wrestling olímpico, este jogo oleado pode ser ganho através de uma retenção eficaz do kispet do adversário. Assim, o pehlivan, coberto de acordo com a lei islâmica (entre o umbigo e os joelhos), visa controlar a luta, enfiando o braço nas calças do oponente ou colocando e tentando manter as mãos dentro do kispet do outro guerreiro agarrando-lhe as algemas, logo abaixo dos joelhos. Vencerá de imediato se conseguir realizar o movimento Kazik (manguito tolo – neste caso, as calças podem ser puxadas para baixo ou rasgadas). – O que anula a minha perplexidade ao deparar com estes divinais matulões com as mãos ferozmente enfiadas nas calças dos oponentes: É regra do jogo. Não são libidos recalcadas que explodem de modo encapotado.

Confesso que me agrada! O Kispet é fantástico e uma rapariga tem de se entreter com qualquer coisa vagamente similar à feminina luta na lama tão apreciada pelos motoqueiros.

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A Gaffe nas noites a crescer

rabiscado pela Gaffe, em 11.09.12

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As noites começam a estender os braços e a alongar uma espécie de melancolia de travo adocicado que anuncia o tombar das coisas breves.

O Outono pestaneja com cortes minimais e rigorosos, sobretudos limpos e ajustados, com o cheiro da cor da terra e a gama extraordinária dos azuis que abarca tonalidades verdes ou petróleo. 

O homem adquire um allure repleto de passado e insinua uma fugaz memória de James Dean ou do pequeno instante em que a melodia do banal quotidiano se rege pelas normas do que é simples, mas estruturado.

Há que reter estas histórias já contadas, ouvidas deste modo nas mãos destes flâneurs.

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A Gaffe e o esquecimento

rabiscado pela Gaffe, em 10.09.12

 

Segundo Chanel, uma mulher elegante é aquela que se esquece do colar de pérolas debaixo da camisola de gola alta e do anel de diamantes sob a luva.

Os adereços são fulcrais neste julgamento e classificação. Há uma nítida supremacia do indivíduo sobre o objecto e uma desqualificação da coisa usada, em prol de quem a usa. Supera-se a importância atribuída à matéria (consumível) e o olhar é desviado para outros círculos onde é mais sólida a permanência da individualidade.

Uma rapariga esperta jamais esquece que por muito glamour que exista nos adereços que usa, será sempre o modo de os esquecer que lhe fornece a elegância.

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A Gaffe recorda

rabiscado pela Gaffe, em 08.09.12

É sempre um prazer quando encontramos, perdidos nos labirintos dos nossos baús, conselhos com este sabor graciosamente vintage.

 

 

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A Gaffe filosófica

rabiscado pela Gaffe, em 07.09.12

É necessário reconhecer o caminhar inexorável do tempo e aceitar com a elegância que se exige aos que assumem a circular andança de estações sem a lamentação pateta de quem se vê entristecer na rugosidade dos Invernos, o traçado minimal do que é quase almofada morna, cruzado com pedaços sanguíneos de lenços escondidos sobre golas altas.

As outonais divagações podem conter a mesma luz de uma Primavera já passada.       

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A Gaffe no Outono

rabiscado pela Gaffe, em 05.09.12

No centro destes dias ensolarados, demasiado quentes para que uma rapariga consiga manter a pele sem as quezílias de uma secura quebradiça, sonha-se com finais de tarde de um Outono com uma luz repartida por tons de ouro e terra, onde, solitárias, caminhamos displicentes ao encontro de um sábado perdido e deliciosamente inútil, partilhado por um boémio com um allure vagamente clássico que nos insinua que o passado é longo e que contém enigmas e que o futuro acaba numa chávena de chá.

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