Saltar para: Posts [1], Pesquisa e Arquivos [2]




Ilustração - Fernando Vicente


A Gaffe e o desencontro

rabiscado pela Gaffe, em 12.09.12

 

Há quem afirme que crescemos desenvolvendo algumas características perfeitamente vincadas e indeléveis transportadas em pormenores com sabor a fado e a destino, impressos no nome que nos dão ou no da rua em que nascemos, no número da porta em que vivemos ou nas estrelas mais esconsas que nos regem.

Gosto de acreditar que pode ser verdade. É quase fantasia, é quase uma história que contam para nos adormecer, é quase uma poeira que cintila fora do real.

Há, no entanto, um detalhe deslumbrante neste correr de fado e de cantigas.

Há gente que nasceu para obedecer a determinada imagem, definida e única. Não existe, ou existe com menor vontade e maior esquecimento, se quebra ou subverte a vincada representação de si nos outros.

Não há forma de se reproduzir esta espécie subtil de um carisma que não passa de inteligência à flor da pele. Nasce como um signo que encontra definição e corpo no corpo de quem percebe ou sente esta particularidade. O duplo, o imitador, carece de certezas ou de vida própria. Fica sempre aquém daquilo que se quer.

O confronto do sujeito com a imagem que o reproduz na perfeição é raro e imperceptível. Reconhecemo-lo quando percebemos que, depois de o vislumbrar nos outros, não conseguimos deixar de admitir que há, algures, um encontro a que faltamos.

 photo man_zps989a72a6.png

Autoria e outros dados (tags, etc)

A Gaffe vai à luta

rabiscado pela Gaffe, em 12.09.12

Debrucemo-nos com algum cuidado sobre o desporto nacional turco.

Com raízes na luta da Ásia antiga (que originou o que é hoje conhecido como Yağlı Gures - luta livre de óleo ou turca) consiste numa variante oleosa e com um sabor ainda mais alegre do que aquele que é apresentado pelo wrestling que conhecemos.

Relacionado com o Kurash Uzbeki, Khuresh Tuvan e o Koras tártaro (uma rapariga esperta sabe impressionar, mesmo recorrendo a serviços de espionagem e informação), esta modalidade faz com que os lutadores, conhecidos como pehlivan (herói ou campeão) usem um tipo de calças de couro grosso, costuradas à mão, o kisbet (ou kispet), tradicionalmente feito em pele de búfalo, e, mais recentemente, em pele de bezerro. O azeite ou óleo de oliva puro, que lhes cobre o corpo dificulta muitíssimo qualquer tipo de golpe, restando os locais onde, com alguma sorte, o óleo não penetrou, embora seja derramado também no interior apelativo do equipamento.

 

.

 

 Ao contrário do wrestling olímpico, este jogo oleado pode ser ganho através de uma retenção eficaz do kispet do adversário. Assim, o pehlivan, coberto de acordo com a lei islâmica (entre o umbigo e os joelhos), visa controlar a luta, enfiando o braço nas calças do oponente ou colocando e tentando manter as mãos dentro do kispet do outro guerreiro agarrando-lhe as algemas, logo abaixo dos joelhos. Vencerá de imediato se conseguir realizar o movimento Kazik (manguito tolo – neste caso, as calças podem ser puxadas para baixo ou rasgadas). – O que anula a minha perplexidade ao deparar com estes divinais matulões com as mãos ferozmente enfiadas nas calças dos oponentes: É regra do jogo. Não são libidos recalcadas que explodem de modo encapotado.

Confesso que me agrada! O Kispet é fantástico e uma rapariga tem de se entreter com qualquer coisa vagamente similar à feminina luta na lama tão apreciada pelos motoqueiros.

 photo man_zps989a72a6.png

Autoria e outros dados (tags, etc)





  Pesquisar no Blog






Copyrighted.com Registered & Protected 
JIFR-J5MR-Y1XR-YACD