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Ilustração - Fernando Vicente


A Gaffe pelos cotovelos

rabiscado pela Gaffe, em 10.10.12

 .


Oriundas de um look casual, as ovais protecções do cotovelo, ou cotoveleiras, em couro, camurça ou bombazina, contaminam hoje imagens que se situam em universos onde a exigência de uma maior formalidade é ponto assente.

Não protegendo da dor do dito, as cotoveleiras introduzem uma discreta hipótese de evasão na rigidez dos gabinetes onde uma significativa, antiquada e cansativa multidão de yuppies ainda conserva a ilusão, muito própria da advocacia e da Bolsa, de actualidade uberssexual.

O pormenor com um brevíssimo travo de desobediência e de risco, apanágio de aventureiros e de nómadas, de boémios e de temerários, com a capacidade de quebrar regras e de romper, pelo uso, indumentárias a que atribuem um valor apenas limitado à sua utilidade prática, cria na formalidade de um blazer clássico, de tribuna judicial ou secretária ministerial, a fantasia máscula muito próxima de se ser um Indiana Jones, mesmo um de pacotilha.

Esta brevíssima fantasia contribui para um também brevíssimo encanto que se origina no encontro fugaz de universos mais ou menos díspares e é inflacionado quando se percebe que a insurreição do formal, do obedientemente rígido, do espaço limitado por fronteiras nítidas, está condicionada e se dilui no atrevimento insuficiente que rege a transgressão.

É sempre encantador ver um gatinho a tentar convencer-nos que pode ser um tigre.

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