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Ilustração - Fernando Vicente


A Gaffe recortada

rabiscado pela Gaffe, em 22.11.12

Sou um recorte para o Sapo!

Não é a primeira gentileza que me fazem e fico sempre entusiasmada por receber gente que jamais se lembraria de passar por este cantinho ignorado (embora hospitaleiro) se não fosse esta pequena amabilidade.

Já trago vestido o meu Armani Privé - Haute Couture – e, pelo sim, pelo não, escolhi a mais rendada e vaporosa lingerie de que há memória, porque pressinto que o recorte foi da responsabilidade do sempre tão gentil Pedro e é sempre delicioso deixar um rapaz amável suspeitar que temos uns interiores dignos de figurar na primeira página do catálogo de Deus (a capa, sou eu toda nua). Se me enganar, sou diáfana na mesma.

No entanto, sou uma rapariga ingrata (embora esperta).

O Sapo faz, de vez em quando, com que nos sintamos numa festa onde se entra elegantemente enfarpelado e distinto. Torna-nos radiantes e leva-nos a oferecer a mão para que os cavalheiros a beijem (embora, em alguns casos, a mão deva ter garras).

Há, no entanto, nos recortes do sapo, assim como em ocasionais e cavalheiresco movimentos de se beijar a garra, um minúsculo contratempo. Um recorte é como ser afagada por um gentil-homem tímido. Segura-nos a mão com a delicadeza e a graça que se espera, mas aflora-nos apenas as falanges, transformando em breve brisa refrescante o que devia ser uma beijoca repimpada (no mínimo, repenicada).

Uma rapariga em divina lingerie, ou mesmo dando graça a um Armani, já deslumbrante sem a ter lá dentro, espera muito mais do que um sopro nas suas falangetas esguias, ágeis e prometedoras.

Não há como iludir! Esta rapariga tonta tem preso na alça do soutien rendado o desejo de o ver rasgado pelo frenesim alucinado dos cavalheiros que perdem o juízo e, de repente, a destacam, corpo inteiro, com toda a pujança de um feroz batráquio.             

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A Gaffe envernizada

rabiscado pela Gaffe, em 22.11.12

De acordo com uma das minhas queridas amigas, doutorada em Ciências Farmacêuticas, com estágio na Casa Chanel (sou do melhor que há, na área das amizades), a cosmética sofre de forma brutal em tempos de crise, com um número de vendas reduzido e raquítico, havendo contudo, e curiosamente, determinados produtos cuja procura se torna desenfreada.

Em 1983, e nos anos logo imediatos, embora se tenha tornado avassaladora a quebra de transacções na área, levando mesmo ao desaparecimento de produtos intermédios (os topo de gama continuaram a embelezar as raparigas endinheiradas), verificou-se uma elevadíssima ascensão na procura de batons!

As vendas dispararam. Os pequenos sticks coloridos contornavam a crise enquanto preenchiam os lábios das moçoilas.

Segundo a mesma fonte, em 2011/2012 os estudos revelam uma queda de consumo na área da cosmética ainda mais acentuada do que a antecedente e detecta-se novamente uma acentuadíssima focalização num produto que eleva de forma clara as suas cotas de vendas.  

Dos lábios passa-se às unhas. É o verniz a estrela do momento.

Já não temos um sorriso colorido, talvez porque tenhamos finalmente compreendido que só quem tem as unhas protegidas, consegue tocar as guitarras certas. 

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