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Ilustração - Fernando Vicente


A Gaffe brejeira

rabiscado pela Gaffe, em 31.12.12

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Gavetas:

A Gaffe arquitectónica

rabiscado pela Gaffe, em 29.12.12

(Vogue, Outubro, 2012 – fotografia de Craig McDean)

Diz-me um amigo que a arquitectura é também, e sobretudo, uma forma de interagir com o ambiente, sem o ferir ou conspurcar.

Acredito, até porque o rapaz é genial em todas as interacções que se lhe deparam.

Cingindo-me a este conceito, encontro a surpresa de perceber que, por vezes, existe uma subtil relação entre o vestuário e o envolvente e que vestir pode consubstanciar um acto quase arquitectónico.

Daí se arriscar concluir que as formas que a Vogue publicitou, já em 2012, sugerem quase de imediato a obra circular, arredondada ou esférica, bojuda e inspiradamente feminina de Oscar Niemeyer, obedecendo desta forma aos conceitos que orientaram, neste caso específico, o talento do genial construtor de cidades.   

A geometria das peças, já patente na colecção Hermès 2013, passa pela escolha criteriosa dos estampados minimais, puros, recorrendo a cores planas delimitadas por fronteiras rígidas, rigorosos nas linhas que os limitam, quase matemáticos, passando pela imagem límpida, nítida e polida, quase traçada a esquadro, régua e compasso de cada modelo que desfila, até aos cortes quase cirúrgicos das peças que se expõem.

A visão oriunda do conceito de arquitectura como interacção com o envolvente, torna-se patente nestes projectos de moda, incluindo cada peça numa determinada rede, sobretudo urbana, pensada e estruturada para complementar os seus usurários, inserindo-os no diálogo constante, imediato e harmonioso, com o circundante.

Existe uma clara tendência para aproximar o que se veste das formas que se habitam.

Vestir é habitar, é dar forma e corpo a determinado objecto, permitindo que esse mesmo objecto esteja em sintonia com o que o envolve e que, em simultâneo, forneça ao inquilino o conforto de uma arquitectura e de um design de excelência.

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A Gaffe e uma bigorna

rabiscado pela Gaffe, em 28.12.12

Confesso que hesitei quando pensei indicar o Imprensa Falsa como um blog favorito. Receei que me caísse uma bigorna em cima, mas depressa concluí que o Imprensa Falsa não faz desmoronar uma miúda tonta que nada mais faz do que saltitar pelas palavras mais inofensivas.     

O Imprensa Falsa é um dos blogs mais inteligentes que pululam por aqui e consegue, com um humor incomparável, tornar absolutamente lógica a notícia que deforma, completando-a com o mais convincente, aguçado e acertado dos raciocínios ou acrescentando-lhe dados que, mesmo quando surreais, nos fazem, de súbito, acreditar que reflectem com exactidão o que o real nos entrega.

É mais credível (e muitíssimo mais divertido) ler o Imprensa Falsa do que qualquer outro órgão de comunicação, porque o blog acaba por esboroar, desmoronar ou fazer explodir, o enfatuado, o balofo, a vigarice, a paspalhada (diria a minha santa avó) que nos atiram à cara quotidianamente.

Usando o humor, inabalavelmente inteligente, muitas vezes cínico, sempre satírico, às vezes com um sabor a negro, como o mais destrutivo modo de revelar e esmagar o mesquinho, o sujo, a trapaça, a vulgaridade, a lama e todas as outras formas de mediocridade, o Imprensa Falsa faz estilhaçar as cintilantes cristaleiras da idiotice.   

É mais lógico do que o real, mais credível do que o quotidiano.

Não ler o Imprensa Falsa é afastarmo-nos do modo mais penetrante, mais perspicaz e mais demolidor de olhar o país e merecemos, se o ignorarmos, levar com uma bigorna em cima.

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Gavetas:

A Gaffe tristíssima

rabiscado pela Gaffe, em 26.12.12

Nos meus raríssimos instantes de introspecção, acabo sempre a perguntar aos laços da minha lingerie (uma rapariga que se preza só tem instantes introspectivos usando transparências, laços e rendas com a textura das nuvens):

- O que faz uma ruiva com o seu blog?

Nesses escassos momentos, a Gaffe, ruiva que sabe que jamais se bronzeará – maldição desta cor de fogo – acaba prostrada a desmoronar-se em lágrimas.

Depois, veste o blusão do esquecido marinheiro da noite anterior e, por entre a tempestade da saia amarfanhada, descobre que pode doar o blog onde escreve, como pífio pechisbeque, a uma qualquer loja dos chineses.

Adormece com sabor a lágrima.

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Gavetas:

A Gaffe e um blog

rabiscado pela Gaffe, em 26.12.12

Conta a minha santa avó que conheceu um cão, trôpego e lazarento, que todas as manhãs se aproximava do mar, esperava a onda mais suave, alçava a pata e cumpria o que normalmente se espera de todos os cães que alçam a pata, lazarentos ou não.
- Porque tudo acrescenta. – Concluía a minha santa o pensamento do bicho.
Numa versão que se coaduna muito mais com a neta, temos uma ondulante e esguia investigadora, do tipo CSI, cabelo ruivo a esvoaçar, blusa dois números abaixo do permitido pelos pneumologistas, de saia travada até esfolar os joelhos e estropiar as virilhas, a enterrar na areia os tacões agulha, transportando com cuidados desvelados a lamela onde uma gota de água treme ao ser depositada no azul espumado da onda mais suave.
- Porque tudo acrescenta.
A Gaffe, muito dada a oceânicas metáforas, descobre que as duas imagens ilustram de forma singular a evidência dos blogs que são somados às ondas.
- Todos acrescentam.
É evidente que alguns são os da pata alçada. Não falemos destes, porque tenho um gato. É evidente que a investigadora alça a pata (as duas? com certeza) mas em situações diferentes das que me trazem aqui. Ignoremos as que se vão evaporando de forma irreversível, interrompendo o ciclo da água sem dano nem agravo.
Gosto das que me encharcam nua na gota que acrescentam.
Admito, no entanto, frívola que sou, tonta de tão à superfície, que, de todas as gotículas, as minhas favoritas são as mais banais, porque é da banalidade a autoria de todos os argumentos, guiões e enredos da vida. Somos da banalidade, de corpo inteiro e alma aberta, apenas a disfarçamos com a pompa do que brilha e com a circunstância que permite o artifício e a ilusão.
Temos apenas de ter a certeza que não nos entramos, nem de pata alçada ou de tacão agulha, num workshoop de escrita criativa, coisa que sempre me intrigou, por me ser doloroso ter de admitir a existência de treinadores de criatividade, que nos aparecem a vender um book gift, depois de laurear, a preço substancial, as pevides da escrita dos tolos.
Em 2013, alguém devia criar um blog sobre o que acredita ser banal, para reconhecer depois o engano fascinante e descrever a viagem que ondula nos barcos que chegam no seguimento da coisa revelada.


Em alternativa, se é maçador este devaneio, há sempre a possibilidade, mais prosaica e simples, mas que é, sem a mais microscópica das dúvidas, única, genuinamente original:
Em 2013, alguém devia criar um blog sobre mim.

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A Gaffe acalentada

rabiscado pela Gaffe, em 26.12.12

(Louis Vuitton)

Ainda com estilhaços brancos e gelados de Natal presos aos dedos, é forçoso que nos aproximemos das lareiras, próximas ou longínquas, ainda que ignoremos as direcções das chegadas ou o modo mais dócil de derreter o gelo.  

O importante é perceber que nem todas as partidas implicam um destino certo e arquitectado, mas que todas devem ter a noção de que nenhuma lareira se acercará de nós. É o rumo que tomarmos que tem de passar pela nossa deliberada aproximação ao calor que delas surge.

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A Gaffe e um desejo

rabiscado pela Gaffe, em 23.12.12

 

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A Gaffe e o rebanho

rabiscado pela Gaffe, em 22.12.12

 

(René Maltête)

Coitados dos cordeiros quando os lobos querem ter razão.

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A Gaffe principesca

rabiscado pela Gaffe, em 19.12.12

Constato que, embora encantada, voltei a ser desmembrada pela equipa do Sapo.

Como rapariga diligente que sou, procurei, entre muitas e deliciosas fotos de batráquios, uma que fizesse uma ternura à amabilidade repetida do gentil Pedro (recuso-me terminantemente a pensar que não foi ele), mas decidi que um Sapo tão amável já se transformou há muito num príncipe.

Sendo assim, busco, incansável, num veloz velejar nas cristas da net, um aristocrata traquina e maroto para fazer pendant com a gaiatice com que me brindam.

Encontro apenas aquele que se conjuga lindamente com a cor do meu cabelo e que, na foto escolhida, foi apanhado na mesma posição (ligeiramente gay, no caso de Sua Alteza) que esta pobre rapariga tonta ao descobrir que foi de novo tão mimada.

Não é provocadora de orgasmos dignos de nota ou rodapé histórico (a foto e o príncipe), mas a verdade é que, visto nu, qualquer rã que se preze não o deixa num coaxar infeliz por muito tempo.

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Gavetas:

A Gaffe e o comando

rabiscado pela Gaffe, em 19.12.12

Segundo as informações matutinas que recebo, os senhores interessados na privatização da RTP, são três nababos, associados, como seria de prever, detentores de fortunas colossais estrategicamente fechadas em offshores no Panamá, e que, em simultâneo, pertencem à administração de 10.000 empresas.

Uma rapariga por muito esperta que seja, não sendo Christine Lagarde, deixa com muita facilidade de entender este tipo de engenharia financeira.

O que me pesa é muito mais prosaico. É caseirinho perante as toneladas de lixo tóxico que envolvem estas operações.

 

Acompanhei o fim de Câmara Clara e acabei mais mirrada e reduzida.

Durante o tempo que não sei contar aprendi a gostar dos olhos de lâmina azul e do cabelo lustroso de Paula Moura Pinheiro, que me fizeram deslumbrar com poetas, ensaístas, filósofos, escritores, pintores, escultores, bailarinos, músicos e muito mais que não se diz aqui por ser extenso.

O serviço público prestado por Câmara Clara foi exemplar.

Uma direcção de programas que se dá ao luxo de considerar secundária e dispensável a divulgação cultural feita desta forma, não augura nada que se aproxime, ainda que vagamente, da preocupação em manter digna e perene a única sólida esperança de salvaguardar o que se inunda, a cada dia que passa, neste recanto plantado à beira de um mar já inútil.

Restam-me agora reportagens melodramáticas com músicas de fundo agonizantes, apresentadas pelo guarda-roupa duvidoso de Sandra Felgueiras, que, por entre sorrisos descontextualizados, modela a voz, carregando nas sílabas que lhe parecem mais distintas, encurtando assim a distância que a aproxima de uma espécie de Ana Malhoa do jornalismo.

Fica-me a Montblanc de José Rodrigues dos Santos, numa ambição de batuta, a dirigir uma orquestra de notícias onde às tristezas de Ronaldo ou às desavenças de uma Lucy com novos implantes de ciclones nas mamas, se anuncia a quebrada partitura que dá conta do contingente, mas não certo, duvidoso, mas possível, entretanto já afastado parece que por certo, encerramento da Casa das Histórias de Paula Rego.

Sobra-me a sucessão interminável de novelas onde todos os cenários são parecidos, onde todos os argumentos são idênticos, onde todos os protagonistas se repetem, numa espécie de reprodução audiovisual da série Uma Aventura de Isabel Alçada e Ana Magalhães.

Sobeja-me a imundície de uma Casa onde se fecham as mais absurdas, disparatadas, néscias e patéticas criaturas que se encontraram em castings suspeitos.

Perdura a imensidão das chamadas séries de culto onde se decapitam mortos-vivos; onde se perde gente numa nuvem; onde há cirurgiãs de pestanas postiças e unhas nacaradas, que derramam lágrimas de trágicos amores no peito aberto de gente que chega à história com todos os órgãos decepados; onde os polícias são giros e elas boazonas, capazes de, com um só disparo, castrar o mosquito contaminado com o vírus tenebroso criado pelo mais óbvio dos vilões.

Abundam-me concursos esburacados, onde tudo é alarve para coadjuvar as gargalhadas imbecilizadas dos apresentadores; onde se desencantam dos confins do nada, três ou quatro histriónicos papalvos cuja função predefinida é escarrar nos participantes mais imprudentes e patetas ou beijocar à força mentecaptos de casacos estampados como papéis de parede dos anos 60.  

Fico-me com documentários onde crocodilos dilaceram gnus, ininterruptamente; onde Indiana Jones aos berros de alegria agarram em serpentes e tarântulas espremendo para lamelas todos os venenos que, por sorte, ainda não ingeri de tanto os ver.

Fica-me o poder de rapinar o comando, que não é meu, nem faço questão que o seja, e a possibilidade de recusar o que me enfiam, goela abaixo, e que me faz compreender que, desta forma, é lógica a entrega da RTP aos senhores dos paraísos fiscais no Panamá.

Não têm qualquer importância as câmaras onde os sábios entram luminosos.

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A Gaffe sonolenta

rabiscado pela Gaffe, em 18.12.12

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Gavetas:

A Gaffe contraditória

rabiscado pela Gaffe, em 17.12.12

 

A transgressão solidificada pelo pensamento é apanágio dos bravos.

Recusar, e em simultâneo aceitar, as prisões aprimoradas do clássico, rompendo o universo do intemporal com elementos provenientes de uma rudeza datada, é exercício complexo cujo resultado nem sempre se torna harmonioso.

A ordem, proveniente do caos, nele baseada, resulta sempre quando a ousadia, o arrojo e sobretudo a capacidade de aliar o aparentemente inconciliável e contraditório, se encontra com a ruptura com o que foi apelidado tradicional.

Nada parece distorcido ou deslocado na proposta da imagem, e mesmo a tenebrosa pochette agarrada com displicência, acaba secundária no impulsivo conjunto.

O tempo das contradições anuncia os seus feitiços.

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Gavetas:

A Gaffe preguiçosa

rabiscado pela Gaffe, em 16.12.12

A minha futilidade é uma cama.

Nada de prometedor auguram os dias em que me levanto com o desejo imenso de me voltar a deitar.

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A Gaffe real

rabiscado pela Gaffe, em 14.12.12

A Gaffe, como está provado, não é especialmente católica. No entanto, não deixa de se espantar com o modo como Deus encara miseravelmente as monarquias, tendo em consideração as cabeças que escolhe para coroar.

Os outros regimes não escapam à ira divina, mas os diferentes escolhidos que os encabeçam, dizem-se eleitos por outras artes.

Há no entanto, algumas, raras, excepções a esta indiferença divinal.

Há mulheres que são ocultas, latentes infantas, herdeiras dos reinos mais íntimos das almas dos homens e, mesmo sem diadema repleto de jóias solares, são capazes de urdir a mais imponente das insígnias reais: as coroas que ostentam são entrançadas com as próprias fibras.

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A Gaffe e o Terrorista

rabiscado pela Gaffe, em 14.12.12

Der Terrorist é hoje o meu eleito.

Não consigo resistir a templates (ou layouts, como queiram, que não sou rigorosa nestas matérias) tão masculinos que me provocam tonturas só de os vislumbrar.

Sustentar a curiosidade desperta pelos links que suportam os comentários tantas vezes ácidos, jocosos e sempre inteligentes, é tarefa dura de roer. Abdico de todas as tentativas de controlar a minha irritante vontade de os seguir a todos.

Acabo prostrada, exausta de tanto lhe dar razão (ou discordar) e com uma vontade imensa de o temer em maliciosa surdina.

É tão excitante este calafrio que nos atinge quando encontramos pela frente uma reserva imensa de testosterona com tanta qualidade!    

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Gavetas:

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