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Ilustração - Fernando Vicente


A Gaffe principesca

rabiscado pela Gaffe, em 19.12.12

Constato que, embora encantada, voltei a ser desmembrada pela equipa do Sapo.

Como rapariga diligente que sou, procurei, entre muitas e deliciosas fotos de batráquios, uma que fizesse uma ternura à amabilidade repetida do gentil Pedro (recuso-me terminantemente a pensar que não foi ele), mas decidi que um Sapo tão amável já se transformou há muito num príncipe.

Sendo assim, busco, incansável, num veloz velejar nas cristas da net, um aristocrata traquina e maroto para fazer pendant com a gaiatice com que me brindam.

Encontro apenas aquele que se conjuga lindamente com a cor do meu cabelo e que, na foto escolhida, foi apanhado na mesma posição (ligeiramente gay, no caso de Sua Alteza) que esta pobre rapariga tonta ao descobrir que foi de novo tão mimada.

Não é provocadora de orgasmos dignos de nota ou rodapé histórico (a foto e o príncipe), mas a verdade é que, visto nu, qualquer rã que se preze não o deixa num coaxar infeliz por muito tempo.

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Gavetas:

A Gaffe e o comando

rabiscado pela Gaffe, em 19.12.12

Segundo as informações matutinas que recebo, os senhores interessados na privatização da RTP, são três nababos, associados, como seria de prever, detentores de fortunas colossais estrategicamente fechadas em offshores no Panamá, e que, em simultâneo, pertencem à administração de 10.000 empresas.

Uma rapariga por muito esperta que seja, não sendo Christine Lagarde, deixa com muita facilidade de entender este tipo de engenharia financeira.

O que me pesa é muito mais prosaico. É caseirinho perante as toneladas de lixo tóxico que envolvem estas operações.

 

Acompanhei o fim de Câmara Clara e acabei mais mirrada e reduzida.

Durante o tempo que não sei contar aprendi a gostar dos olhos de lâmina azul e do cabelo lustroso de Paula Moura Pinheiro, que me fizeram deslumbrar com poetas, ensaístas, filósofos, escritores, pintores, escultores, bailarinos, músicos e muito mais que não se diz aqui por ser extenso.

O serviço público prestado por Câmara Clara foi exemplar.

Uma direcção de programas que se dá ao luxo de considerar secundária e dispensável a divulgação cultural feita desta forma, não augura nada que se aproxime, ainda que vagamente, da preocupação em manter digna e perene a única sólida esperança de salvaguardar o que se inunda, a cada dia que passa, neste recanto plantado à beira de um mar já inútil.

Restam-me agora reportagens melodramáticas com músicas de fundo agonizantes, apresentadas pelo guarda-roupa duvidoso de Sandra Felgueiras, que, por entre sorrisos descontextualizados, modela a voz, carregando nas sílabas que lhe parecem mais distintas, encurtando assim a distância que a aproxima de uma espécie de Ana Malhoa do jornalismo.

Fica-me a Montblanc de José Rodrigues dos Santos, numa ambição de batuta, a dirigir uma orquestra de notícias onde às tristezas de Ronaldo ou às desavenças de uma Lucy com novos implantes de ciclones nas mamas, se anuncia a quebrada partitura que dá conta do contingente, mas não certo, duvidoso, mas possível, entretanto já afastado parece que por certo, encerramento da Casa das Histórias de Paula Rego.

Sobra-me a sucessão interminável de novelas onde todos os cenários são parecidos, onde todos os argumentos são idênticos, onde todos os protagonistas se repetem, numa espécie de reprodução audiovisual da série Uma Aventura de Isabel Alçada e Ana Magalhães.

Sobeja-me a imundície de uma Casa onde se fecham as mais absurdas, disparatadas, néscias e patéticas criaturas que se encontraram em castings suspeitos.

Perdura a imensidão das chamadas séries de culto onde se decapitam mortos-vivos; onde se perde gente numa nuvem; onde há cirurgiãs de pestanas postiças e unhas nacaradas, que derramam lágrimas de trágicos amores no peito aberto de gente que chega à história com todos os órgãos decepados; onde os polícias são giros e elas boazonas, capazes de, com um só disparo, castrar o mosquito contaminado com o vírus tenebroso criado pelo mais óbvio dos vilões.

Abundam-me concursos esburacados, onde tudo é alarve para coadjuvar as gargalhadas imbecilizadas dos apresentadores; onde se desencantam dos confins do nada, três ou quatro histriónicos papalvos cuja função predefinida é escarrar nos participantes mais imprudentes e patetas ou beijocar à força mentecaptos de casacos estampados como papéis de parede dos anos 60.  

Fico-me com documentários onde crocodilos dilaceram gnus, ininterruptamente; onde Indiana Jones aos berros de alegria agarram em serpentes e tarântulas espremendo para lamelas todos os venenos que, por sorte, ainda não ingeri de tanto os ver.

Fica-me o poder de rapinar o comando, que não é meu, nem faço questão que o seja, e a possibilidade de recusar o que me enfiam, goela abaixo, e que me faz compreender que, desta forma, é lógica a entrega da RTP aos senhores dos paraísos fiscais no Panamá.

Não têm qualquer importância as câmaras onde os sábios entram luminosos.

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