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Ilustração - Fernando Vicente


A Gaffe cinéfila

rabiscado pela Gaffe, em 28.02.13

A Gaffe não é grande cinéfila, mas a actriz e realizadora Nadine Labaki é um caso singular na cultura libanesa, conseguindo logo na estreia atrás das câmaras um assinalável sucesso internacional.

E Agora, Onde Vamos? É uma comovente história da determinação de um grupo de mulheres para proteger a sua comunidade isolada e cercada pelas forças invasoras e divisionistas que a estão a tentar destruir do interior, num país dividido pela Guerra e pela religião.

Unidas por uma causa comum, estas mulheres urdem planos extraordinários, que roçam muitas vezes a tragicomédia, para distrair os homens e atenuar qualquer sinal de tensão de origem religiosa.
Uma série de caóticos incidentes testa o engenho das mulheres à medida que vão conseguindo, de forma corajosa, adiar com sucesso as repercussões do distante conflito.

Uma aproximação da realizadora (inevitável, dizem os conhecedores) às questões religiosas e políticas, embora com um suave véu de comedia dramática e um travo inesperado a musical que encontra no caminho uma linguagem poética de simplicidade luminosa.

Uma obra belíssima, largamente premiada, que dá vontade de recomendar aos homens que não imaginam que ser mulher pode significar ser guerreira, mesmo com as mãos armadas somente com pedaços de pão e de haxixe.

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A Gaffe nas noites de quedas

rabiscado pela Gaffe, em 28.02.13

Não vou maçar ninguém com comentários relacionados com a noite dos Óscares. Há milhões de blogs que o fazem bem melhor do que eu. Sou uma provinciana invejosa que pensa que replicar mulheres anos-luz mais produzidas do que as quotidianas, banais e atarracadas de trabalho, é uma canseira e uma falta de respeito quase tão gigantesco como os decotes da Gala TVI.

Há no entanto uma fotografia que não quero deixar passar incólume e que prova que não se ganha um Óscar à toa. Trata-se da celebérrima foto da queda de Jennifer Lawerence, melhor atriz no O lado bom da vida.

Quem cai assim, não tropeça.

Um sumptuoso, elegante, deslumbrante, publicitário, sedutor e extraordinariamente bem vestido tombo, é, só por si, digno de ser premiado e permite incluir trocadilhos interessantes no discurso.

Não cai assim quem quer. Cai quem pode e sobretudo quem está a usar um vestido absolutamente arrasador que, durante a queda certa, permite ser atravessado pela luminosidade levemente colorida dos focos nas escadas.

Um momento colossal.   

A última vez que caí, foi no casamento da minha prima. A rapariga exigiu uma cerimónia comme il faut (o marido é um maganta do café) e todos os respeitáveis convidados pareciam ter saído dos armários dos grandes costureiros actuais (e alguns, de outros móveis mais ambíguos). Toda Armani Couture deslizo pelo  atapetado corredor principal e, quase a chegar ao lugar que me tinham destinado (tinham planeado até as idas ao WC), encravo o vertiginoso tacão dos meus Jimmy Choo (caríssimos e feios – sei-o agora) numa dobra mal projectada do tapete e vou por ali fora, disparada a esbracejar, pernas trocadas, tortas, deagraçadas, vestido num trambolho a voltear como um pássaro pedrado, sapato arremessado a aterrar nas orquídeas e caracóis domados pelo Miguel durante à tarde inteira, a incendiar o espaço reservado à alvura do toucado da noiva. Desabei aos pés do padre, logo depois de lhe ter tentado arrancar a batina rendada com as minhas  aflitas e pobres garras já partidas.

Uma miséria que me levou a cortar relações com o café da prima e a abençoar a hora em que recusei o conselho de não usar lingerie debaixo de um vestido apertado no rabinho.

Por isso, sei que cair como o faz  Jennifer Lawerence é como produzir uma obra-prima. Exige experiência, trabalho, dedicação, muitas tentativas, resistência à frustração, e sobretudo talento. Tudo o que não tenho.

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A Gaffe prende os cabelos

rabiscado pela Gaffe, em 26.02.13

 

(Rodarte - ouro e prata)

De todos os adereços que uma mulher pode escolher, há uma exígua minoria que se torna polissémica adquirindo estatuto de símbolo ou de linguagem para além da linguagem.

A proposta de Rodarte para o Outono/Inverno de 2013-2014 é indubitavelmente um dos exemplos mais perfeitos da capacidade que um objecto possui de nos permitir narrativas diversas.

Usados com precaução, recriam um imaginário potencialmente sedutor, fornecendo-lhe fragmentos de histórias que cada um de nós vai construindo, usando os próprios espinhos e as mais subjectivas das defesas ou as mais invisíveis das fragilidades.

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A Gaffe e o Punk

rabiscado pela Gaffe, em 25.02.13

Encontrei, perdido na biblioteca, entalado entre calhamaços descomunais, um minúsculo livrinho encantador editado em 1984 por Robert Laffont. Les Mouvements de Mode, de Hector Oblak, Alain Soral e Alexandre Pashe. É um manual divertido que nos descreve algumas das diversas tribos urbanas que assolam e assombram as gerações anteriores às suas eclosões que as contemplam com pasmo e perplexidade. 

É uma obra evidentemente datada. Está ultrapassada, deixando de caracterizar uma panóplia imensa de subculturas urbanas que entretanto surgiram, transformaram ou extinguiram, mas é um curioso repositório de características bem definidas de tribos urbanas que conhecemos com alguma deficiência, embora tratadas de forma simplista e muitas vezes redutora. É uma colecção de estereótipos que cumprem uma função específica: procurar denominadores comuns a diversas e mais evidentes expressões e experiências, quer adolescentes, quer juvenis, ao mesmo tempo que as tenta seguir nas suas ramificações e desvios.

 Não esquecendo que o livro tem cerca de trinta anos e que as dinâmicas sociais usam TGV para ultrapassar o que tomamos como certo, a leitura que se faz acerca do movimento Punk é curiosíssima, sobretudo no que concerne à estrutura mental dos seguidores desta expressão social. Fala-nos o livrinho de uma imunidade ideológica que é assumida pela recusa do todas as formas de aborrecimento, sensação e estratégia de aparência. O silêncio odioso torna-se eloquente quando pretende a revelação, a denúncia, dos horrores sociais (de que o Punk é o espelho) ou, o que é mais palpável, a legitimação da vivência das debilidades adolescentes. O Punk é como um leproso que permite que a lepra o alimente fornecendo-lhe energia e transformando-o na agressividade que é agredida, detentora de uma violência imóvel, como é apelidada a resistência que se canibaliza.

Curiosa é também a referência a uma condição que é tida como causa principal do surgimento do movimento Punk e que aponta a desilusão generalizada ocorrida sobretudo entre 1975-77 onde de uma moral clara (a revolução contra o capitalismo ou o amor contra a morte lenta) se desemboca numa filosofia doente (proveniente de um marxismo debilitado), numa história sem sentido, num vácuo existencialista, onde a falha é uma constante da vida e onde o estrato intelectual das sociedades se vê perdido, se inscreve na Amnistia internacional ou se transforma em esteta. Ao jovem, em 1976, é reservado o comportamento primário do Punk.

Avesso a específicas e reconhecidas condições e situações sociais, o Punk é anti quase tudo.

Anti-social, anti-jovem, anti-burguês, anti-liberal, anti-comunitário e anti-punk, este movimento faz definhar o sentimento amoroso, reduzindo-o a um imaginário sadomasoquista que se exprime também através do uso do negro, das queimaduras de cigarro, dos alfinetes e de uma imensidão de adereços que vão desde o abuso de fechos metálicos (zips) que funcionam como cicatrizes dos tecidos, passando por coleiras, pulseiras e anéis com simbologias decadentes e acabando nas decorações militares, insígnias políticas e nas correntes pesadas que lhe dificultam o andar. Tudo sujeito a um spray com palavras de claro intuito provocador, sendo fuck, sexe ou rock as favoritas.

Acabamos por reconhecer que o Punk é a consternação. Consternação face a falência da contestação, face ao conformismo do anti-conformismo. É um modelo de identificação social criado por uma juventude que espera um novo papel social e por uma parte dessa juventude que não pode esperar seja o que for. Em 1975 ser nada ainda é hippie, porque ser-se hippie já não quer dizer nada. Em 1976 o jovem punk pode ser novo, bastando para tal dizer eu sou nada, ou seja, eu sou punk.

O resto do manancial informativo contido no livrinho é extenso, mas vale o esforço da procura até porque, neste caso específico, é bem provável que em 2013 se esteja na berma de um caminho similar ao calcorreado por este movimento escuro e cabisbaixo.

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A Gaffe sublinha

rabiscado pela Gaffe, em 22.02.13

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Gavetas:

A Gaffe e a Capelinha

rabiscado pela Gaffe, em 17.02.13

Perco-me facilmente. O meu sentido de orientação está minado pelo vício que me faz prestar atenção aos minúsculos pormenores que encontro no caminho. Sou distraída por quase tudo o que se move ou tenha cor e lanço olhares de soslaio mesmo para os brilhos dos vidros partidos no passeio. Daí a minha total indiferença pela memória das estradas que percorro.
Quando me perdi, não dei importância. Encontrar-me-ia a breve trecho.
O carro enfia, desvia, entope, perfura, volteia na curva, abranda, acelera, retorce errante perdido e eu, separada do perder, observo. Longe do que faço, aquém do volante.
Nada me consome a distracção. Tudo é banal e feio. Passo e ignoro e penso no passado. Encontrarei o rumo logo que quiser. As ruas vão ser sempre as mesmas ruas que desembocam sempre ao pé do mar. Não há apelo nos sítios por onde passo, não há chamada, pedido, rasto a cintilar, fio de brilho. Guio e passo e enquanto passo perco-me no dia em que guio com passado.
Até que a vejo. Insignificante. Cubo erguido em pedra por esmolas beatas, sem traço, traça, raça ou só ser simples. À míngua, sequiosa, exígua de beleza. A capelinha com azulejo feio e redondo em medalhão por sobra a porta.
Faz-me parar a ver. A ver-lhe o nome. Perfeito a cintilar dentro das almas:

Nossa Senhora dos homens

e fez-se Catedral.

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A Gaffe costumizada

rabiscado pela Gaffe, em 15.02.13

A verdade é que uma rapariga arejada se sente um bocadinho apertada neste formato.

Este blog é estreito!

Confesso que quase tive um AVC quando decidi costumizar este cantinho. Acertar com as riscas e com a escolha do fundo e com as medidas do cabeçalho, foi um trabalho descomunal que me fez sair daqui a parecer a protagonista do Exorcista nos seus momentos mais esverdeados. Acabei por me contentar com o aspecto que tem, mas confesso que sinto as portas a bater sempre que respiro.

Vivo neste blog como num T0. Levanto uma perna e abro uma janela, espirro e soltam-se as sanefas, afasto as cortinas e desaba o fogareiro (sou uma rapariga campestre), estico os braços e tomba a caixilharia da marquise, bato as pestanas com mais força e escaco a louça do WC.

Uma tontura.

Não entendo rigorosamente nada de personalização avançada e o mais próximo que estive do CSS foi durante os episódios do CSI Las Vegas que suspeito não terem nada a ver com este assunto, apesar de não me importar nada de ser costumizada por Gary Dourdan.

Não sou apologista do tuning, mas às vezes apetece-me ter macacada infinita pendurada aqui. Receio ter dentro uma rapariga pronta a fazer saltar os faróis, a desatar o colorido do pára-choques, a sobrecarregar os laterais com desordenados slogans, a iluminar o tejadilho e a enfiar apetrechos aerodinâmicos no carburador, tudo ao som de uma batida bem sonora e bem pedrada.

Depois controlo-me. Lembro-me que, na única vez que fumei um charro, senti que a todo o momento me iam saltar os olhos e rebentar as maminhas. Não foi uma experiência agradável e dei comigo com a cabeça, enfiada no lavatório, a levar com jactos de água como se fossem meteoritos. Deixo, portanto, charros e costumização, para os profissionais.      

Eu fico por aqui.

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Gavetas:

A Gaffe em equilíbrio

rabiscado pela Gaffe, em 14.02.13

No Dia dos namorados, o SAPO sorri, recortando-me o tédio e o aborrecimento de me sentir sozinha, fazendo-me acreditar que ainda há príncipes dispostos a tentar o equilíbrio na fragilidade dos caules de duas palavritas.

Aceito!

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Gavetas:

A Gaffe e Cupido

rabiscado pela Gaffe, em 14.02.13

Tenho um amigo querido que me diz que Cupido é um débil mental pronto a disparar o que não controla, sem nenhum sentido de orientação, sem a mais pequena réstia de bom senso e sempre disposto a alçar a patinha nas nossas pobres almas atingidas.

Suponho que tem razão.

Acredito, no entanto, que esperamos sem interrupção que este doidivanas nos surja de repente e que nos faça sentir o que no mais perdido de nós desejamos sempre: as coisas mais simples, mais claras, mais límpidas, essenciais e únicas, como terra, água, ar, noite, dia, casa, árvore, pássaro, livro, um cão e, apertado num jeans, um rabo lindo de nos fazer cair para o lado comovidas.

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A Gaffe descalça

rabiscado pela Gaffe, em 13.02.13

 

Porque é sempre bom saberem onde enfiam os pés.

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Gavetas:

A Gaffe regressa à base

rabiscado pela Gaffe, em 13.02.13

Esvoaçam folhas e pauzinhos. Rodopiam esbaforidas as sebes pelo ar. Abrem-se vendavais no pátio levantando pedras. Correm galinhas depenadas a cacarejar histéricas. Os cães ao longe uivam doridos adivinhando perigo e as portas batem assoladas. Desarranjam-se as simetrias de jardim e as águas turvam-se confusas ensandecendo os peixes que se afogam. Enlouquecem as nuvens, remoinhos, tufões e corrupios, roda-viva, ciclones e tornados, torvelinhos.

Atira a ruiva multidão de caracóis para trás. Sopra naquele que teima em resistir. Perfume a vaguear pelos espaços. Bâton esboroado. Dior esfarrapado. Carteira pelo ar. Pernas trancadas por tacões agulha e olhos cobertos por negros óculos, verdes.

Quero álcool! Quero qualquer coisa que mate para beber!

Inclina-se a ruiva e desaba no sofá. Pé nu, sapato projectado no corredor imenso.

Perdi-me. Apanhei com um camionista a buzinar atrás de mim. Demorei quatro horas a chegar aqui aos solavancos. Parei numa tasca e fui quase engolida por um homem de bigode. Não faço xixi porque tenho medo de ser atacada por esquilos ou desaparecer num buraco qualquer de um café de esquina. Há árvores por todo o lado. Não há semáforos nem sinalética! As couves batem no tejadilho do carro e aquelas coisas das hortas estão vivas. Fui perseguida por uma galinha aos gritos e acabei de calcar bosta de vaca!

Tragam-me álcool ou cravo-vos o tacão que me resta no meio das vossas pernas.

 

Acabo de chegar à terra onde nasci!

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A Gaffe e o special one

rabiscado pela Gaffe, em 11.02.13

Há uma altura da noite, no momento em que tenho de desligar as luzes, em que espreito o que disse ou o que me disseram aqui, com a curiosidade de um ratito que se atreve pela calada dos sons a espiar os aromas da cozinha muda e surda.

Nessas alturas, no mecanismo idiota que mantenho sem saber porquê e que me indica o número de pessoas que estão aqui, comigo, encontro sempre uma. Há uma criatura que àquela hora do desligar da noite, vem olhar e ver e ler o que eu deixei planar sem nexo, à toa, sem asas ou vento que prometa uma distância longa.

Gosto tanto de ter essa pessoa aqui, constante, àquela hora! Sou uma menina que agarra um cobertor antigo para encostar ao sono, para dormir tranquila na hora invisível em que não digo nada, porque deixei no chão do dia todas as palavras e não tenho espaço para desgastar mais nada.

Habituei-me a ter essa pessoa àquela hora. Talvez seja alguém que passeia à noite pelas ruas e inveja todas as janelas com incêndios dentro, por saber que a dele está apagada e que descobre de repente que há outro viajante, lá fora,  a olhar para o escuro.

É o meu número um, àquela hora da noite em que no negro continuo a invejar as luzes nas janelas.  

Sou tonta quando penso que posso deixar de lhe escrever.

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A Gaffe esclarecida

rabiscado pela Gaffe, em 07.02.13

A versão feminina tem os mesmos esclarecimentos, mas escritos com tinta apenas legível quando molhada.

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A Gaffe e uma saudade pequenina

rabiscado pela Gaffe, em 05.02.13

 

Tenho saudade de ver nevar em Paris.

Temos, normalmente, grandes saudades de pequenas coisas. As grandes acarretam um sentir diferente que, englobando a saudade, não se confina apenas a este sentimento.

Creio que a mistura de emoções que advém da perda ou da falha de um lugar ou de uma pessoa – necessárias à presença da saudade – atinge-nos de modos diferentes e o pesar é mais aguçado quando a dimensão do perdido é mais comezinha, porque, neste caso, ficamos frente a um precipício bem delineado e nítido. Sabemos com exactidão aquilo que nos fere.

Nas grandes falhas ou perdas, o processo atinge proporções desmesuradas e abrem-se fissuras em todos os recantos das nossas vidas. Desconhecemos os locais exactos por onde se pode esvair a alma.

Tenho saudades de ver nevar em Paris. Dos flocos breves a tocar-me as pestanas quando olhava o céu de lantejoulas e de confetis brancos.

É uma saudade comezinha. Talvez por isso me deixe parada com um abismo na frente.

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A Gaffe pré-republicana

rabiscado pela Gaffe, em 04.02.13

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