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Ilustração - Fernando Vicente


A Gaffe invejosa

rabiscado pela Gaffe, em 12.03.13

A Gaffe não vai fixar a atenção na rapariga da imagem. Parece ser do tipo adorei, adorei, adorei, mas é o preto que fica bem com tudo. É reconhecidamente esperta, porque de outra forma não trazia apenso aquele matulão divinal que desperta em qualquer das nossas cores e feitios a vontade de o ver solitário e triste, de coração partido e pronto a ser mimado, abraçado e consolado.

Somos meninas más quando se nos depara um prodígio masculino, repleto de matelassé em tons suaves, protegendo peitorais que imaginamos de volume firme e consistente, abdómen rijo e bruto, sulcado pelas ondas de um ginásio, coxas de embondeiro e braços de tenaz que aperta até nos fazer saltar de tontas as maminhas, pertença de uma lambisgóia que, apenas por milagre, o traz à tiracolo.

Somos mazinhas. Desejamos em surdina que a vitoriosa pindérica se enfie no buraco negro que, em sonho, lhe abrimos no caminho e concluímos de imediato que o matulão fantástico é daqueles que acreditam piamente que a Divina Comédia é um musical de La Féria.

A inveja é muito feia! Geralmente é servida a ferver e queima-nos a língua.   

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A Gaffe e os trágicos guerreiros

rabiscado pela Gaffe, em 12.03.13

( Alex Minsky)

Continua tenebroso para mim o escuro da frase que declara assassino o homem que mata um outro, mas que transforma em herói o que, no centro da guerra e em nome de uma pátria, aniquila milhares.

As malhas que os Impérios tecem, não me são inteligíveis.

Creio que heróis ou assassinos, todos se tornam amputados. Decepados no instante em que fazem parar o bater de um coração. O premir do gatilho é a perda irremediável de um pedaço de nós.

A proximidade entre Oscar Pistorius, acusado de assassinar Reeva SteenKamp e Alex Minsky, veterano da guerra no Afeganistão, cujo número de mortes que eventualmente provocou não é contabilizado, está na trágica amputação interior de que foram vítimas ao matar e não na superação da catástrofe física que os atinge. Deceparam a alma.

Os dois absorveram a calamitosa beleza do que é trágico, superaram o corpo incompleto com proezas laureadas nos estádios ou hiperbolizaram o que resta, marcando-o com cifras e sinais irreparáveis, como se reivindicassem o domínio total do que ficou, mas não acredito que consigam sublimar, metamorfosear ou reinventar o que na alma não admite próteses.

São agora, os dois, trágicos guerreiros em batalhas com derrota anunciada.

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