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Ilustração - Fernando Vicente


A Gaffe é assaltada

rabiscado pela Gaffe, em 17.06.13

 

A Gaffe foi assaltada!

É evidente que não ficou agorafóbica, apesar de ter apanhado um susto monumental.

A noite de Sábado teria sido destinado a descanso absoluto, mas a insistência dos amigos foi superior à preguiça e esta rapariga pouco esperta aceitou passarinhar durante algumas horas pelos cafés da Invicta.

A promessa de se retirar para os seus aposentos, sem deixar passar as chamadas altas horas da noite, foi cumprida e a Gaffe recusou a companhia que a levaria até casa. Afinal, a rua é movimentada, não se podia considerar tarde e má hora a hora do regresso e havia apenas uns duzentos metros de insegurança para chegar ao seu humilde santuário.

Sozinha, sente que a seguem. Tem a sensação de estar a ser introduzida num pedacinho de película abandonada do mestre Hitchcock e decide acelerar o passo. Chega à porta do prédio e retira as chaves no exacto momento em que se apercebe do desatar a correr em direcção a ela do perseguidor até ali discreto.

Petrifica!

De chaves na mão, é atacada (convém exagerar, para entregar um sabor a tragédia à narrativa) por um jovem que lhe agarra a carteira. A Gaffe reage, segurando-a como pode, mas desiste perante o grito cadavérico do assaltante.

- SOLTA!

O pobre do moço levou o telemóvel de serviço, todos os cartões possíveis e imaginários, habitualmente deixados em casa, mas naquela noite (prometida curta) não resguardados e dois € perdidos no fundo do que levantou voo.

Se o pobre assaltante me estiver a ler, gostaria de o informar que o grosso do dinheiro estava no bolso do meu elegantíssimo casaco e que a carteira que levou é uma falsificação de uma Louis Vuitton (indetectável à vista desarmada, mas mesmo assim uma despudorada e vergonhosa fraude) e que o BlackBerry estava, por acaso, na mão que não segurava a porcaria do roubado.

O menino levou o lixo.

Meu querido larápio, compensando o vácuo trabalho que teve, dedico-lhe a imagem que também roubei a quem desconheço e aconselho-o a ser mais eficaz e atento quando resolve mimar as aventuras de um gangster ranhoso num filme negro de terceira categoria.

Saiba, meu querido, que até para se ser ladrão é necessário ter classe e que não gosto que um desconhecido me trate por tu.     

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