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Ilustração - Fernando Vicente


A Gaffe com visitas

rabiscado pela Gaffe, em 18.06.13

Por muito que se tente, não é possível ignorar o incremento, o adubo, a dilatação, o aumento e a expansão que um recorte do SAPO provoca num cantinho abandonado como este onde os comentários são uma espécie rara como os pandas ou os pirolitos doces das feiras da minha infância e os visitantes um grupo restrito, mas de um bom gosto irrepreensível, que tropeça inadvertidamente nesta ruazita.

Uma rapariga desprevenida assusta-se quando de repente olha para o maldito contador e verifica que há mais de 300% de visitantes em relação ao dia anterior e suspeita que é, sem saber, o bigode de Mário Nogueira, ou que se transformou nas duas maminhas que trazem acopladas uma rapariga muito popular, no Big Brother das… coisas.

Tal como as maminhas da granada loira e o bigode do grande líder, esta popularidade é passageira (embora de uma visibilidade que fere os olhos).   

Amanhã, as maminhas com a menina colada, o bigode colado no menino e este blog que se cola a um quotidiano mais corriqueiro, vão voltar ao marasmo inodoro e habitual.  

Seja como for, hoje é agradabilíssimo ter gente por perto.  

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Gavetas:

A Gaffe de chegada

rabiscado pela Gaffe, em 18.06.13

A colisão entre o urbano, cosmopolita e sofisticado e o Douro mais íntimo e desbravado, tem os seus momentos divertidos.

A C, de tacões Manolo Blahnik, agulhas mais altas dois cm do que o habitual, abusa da sorte.

As pedras gigantes do chão da entrada da casa da minha santa avó, apesar de polidas pelo tempo, não estão niveladas e é fácil tropeçarmos quando nos pés usamos os Himalaias transformados em sapatos. No entanto, a minha amiga está convencida de que quem se deverá vergar, obedecer e moldar-se aos seus caprichos, terá de ser obrigatoriamente o outro. Admite com muita relutância a mínima adaptação ao que a rodeia, mesmo que isso signifique o seu equilíbrio.

Chegamos ao Douro na manhã de ontem.

A C. pousou a urbanidade na pedra, pronta a tentar manter o piso seguro debaixo dos tacões. É tarefa que lhe exige concentração e lhe entope todos os sensores. Foi por causa dos sensores apontados para os desníveis do solo que desprevenida sofreu o ataque.

Há, aqui, solto e feroz, uma espécie de galo bonsai, um frango com peneiras, um Marques Mendes dos galináceos, uma coisa chamada garnizé, três vezes mais pequeno do que um galo normal, mas seguramente mais agressivo do que toda a capoeira. Odeia tudo e todos e, sobranceiro e orgulhoso, desata a correr atrás de tudo o que se move pronto a bicar e a esfrangalhar os calcanhares ao maior dos invasores.

A carteira Louis Vuitton da minha amiga, transformada em arma assassina, serviu de arremesso, mas há que reconhecer que foi divinal ver a minha pobre C., desgrenhada e esgaivotada, esbugalhada e esgrouviada, a tentar afugentar o psicopata.

Pálida, com a tensão arterial em queda abrupta, rígida e já sem qualquer tipo de fleuma, incluindo a britânica, a C. enerva-se:

- Partimos amanhã! e não penses que te deixo sozinha com uma galinha psicótica e coisas tortas no chão que fazem cair as pessoas.

O Porto é já ali, mas com a C. destravada e sem controlo e comigo à frente do navio, ainda acabamos, as duas, no sul do Líbano, a perguntar onde raio se meteu a torre dos Clérigos.

Que os deuses nos protejam.

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