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Ilustração - Fernando Vicente


A Gaffe turística

rabiscado pela Gaffe, em 31.07.13

É inacreditável o que apenas um recorte do SAPO pode fazer ao contador de visitas de um blog! Creio que é bem melhor do que apensarmos a cada post a tag sexo!

Se a Gaffe tivesse de registar o degredo que é este cantinho e a cosmopolita movimentação que se verifica logo após uma referência expressa do SAPO, teria de cuidar de se abastecer com algumas dezenas de rolos fotográficos (a Gaffe com um sabor retro) de forma a não ser apanhada desprevenida quando por ela passa um número inusual de acidentais turistas.    

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Gavetas:

A Gaffe muito simples

rabiscado pela Gaffe, em 30.07.13

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A Gaffe bouquiniste

rabiscado pela Gaffe, em 29.07.13
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Em Paris, na margem direita do Sena, da Pont Marie ao Quai du Louvre, e na margem esquerda, do Quai Tournelle ao Quai Voltaire, os mais de 300 bouquinistes, ao lado das gravuras, revistas, selos, mapas, cartões velhos onde esfumam as saudades e uma miríade de outros pequenos brilhos únicos e perenes ou de fantasias breves, trazem numa extensão de mais de 3 Km de livros que alguns dos homens mais belos do planeta desfolham como beijam.

Nenhuma outra cidade tem nas pedras um tão perfeito esvoaçar de beijos nas palavras. 

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A Gaffe revivalista

rabiscado pela Gaffe, em 28.07.13

Prada já tinha proposto uma imagem geometrizada, retrocedendo aos anos 60 através de um vago minimalismo contido nas peças de desenho puro, linear e básico, usado nos Verões dos miúdos dos colégios caros.

Os casacos zipados unidos a uma limpidez de forma e a calções justos a acabar no início das coxas, fazem a alegria do recreio e de nós, raparigas espertas, meninas de fitas largas no cabelo, mini-saias de rodelas de Rabanne e camisolas justas apertadas no desejo.   

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A Gaffe de um perfume

rabiscado pela Gaffe, em 26.07.13
As mulheres merecem e desde 2000 que Narciso Rodriguez lhes oferece uma das mais extraordinárias fragrâncias dos seus universos.

For her - l’eau, ao contrário dos acordes de todas as eaux que marcaram a história dos perfumes, não retém a essência dos citrinos, dando prevalência a pétalas de flores que esvoaçam ao mínimo sopor ou suspiro.

São acordes das chamadas flores de água, onde é misturado o acento de açucar do jasmim com as notas frescas e quase aquosas do cíclame, permitindo que a peónia entregue a ternura delicada de uma nuvem de Verão que o lírio do vale acidula e fantasia.

For her de Narciso Rodriguez é um dos mais aéreos e perfeitos perfumes que aliam as facetas florais ao coração do almíscar, fundindo esta aliança com notas de madeira e acordes de patchuli.

A elegância absoluta de um perfume chipre que se revela aditivo.

Um voo quase etéreo. 

O meu.

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Gavetas:

A Gaffe ginasticada

rabiscado pela Gaffe, em 25.07.13

Convenhamos, rapazes, a mais atraente forma de vos manterdes em forma, enformando os nossos desejos matinais, é a famosa madrugadora ginástica, sobretudo quando se inicia connosco a observar, inclinadas sobre fofas almofadas, depois de sentirmos que cuidaram com premeditada antecedência da vossa imagem, transformando um madrugador ensonado, ranhoso, ligeiramente javardo e mal cheiroso, no príncipe herdeiro das coroas de flores estampadas nos nossos lençóis.  

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A Gaffe e os idos rapagões

rabiscado pela Gaffe, em 24.07.13

Fui, de repente, convidada pela C. para a acompanhar à festa de noivado do seu ex, rapaz poderoso, escandalosamente rico, snob e detentor de uma personalidade pindérica, mesquinha, irritante e peluda. A C. precisava de uma cúmplice para esgadanhar em surdina a futura consorte e nada melhor do que as garras da sua querida amiga para coadjuvar esta deliciosa tarefa.

O fui convidada é claramente um eufemismo para anestesiada, arrastada, amordaçada e drogada de forma a aceitar o convite sem espernear. Sou adversa a flutes onde cintilam as delicadas bolinhas de um Champagne francês. Continuo a preferir, saloiamente, as taças de espumante com os sons de risos simples e saudáveis que fazem cintilar a alma.

Mesmo alvoroçando a vizinhança com o facto de não existir no meu exíguo guarda-roupa os Armanis da praxe, fui enfiada num YSL deslumbrante e emprestado. Não preenchia as copas do vestido (a C. tem duas ogivas nucleares em vez de mamas), mas o desenho flutuante, fluído, amplo e esvoaçante do vestido disfarçava a ausência daquelas duas minas redondas que aparecem no fundo mar nos filmes debruçados sobre a II Guerra e no peito das meninas encorpadas.  

Cabelo preso numa banana ruiva, suplicando aos deuses a imobilidade forçada e enraivecida dos meus caracóis de fogo furiosos, uma leve entoação na face a elevar os olhos, um reforçar da extensão das pestanas e um bâton prudente de brilho contido, suave e sem textura (nestes momentos a C. soa tão chic!), chega-se aos sapatos.

O drama foi shakesperiano.

Recuso-me a usar as tenebrosas plataformas, que equilibram a altura dos tacões, porque me fazem sentir, ou que tenho graves problemas ortopédicos, ou que estou em cima de dois garrafões de água do Luso, que são pesados, difíceis de transportar e, como o nome indicia, metem água.

A alternativa foi calçada.

Uns belíssimos Jimmy Choo com a cor exacta do vestido (azul petróleo anoitecido – a C. é muito específica nestas alturas), sem plataformas de betão, mas com muito mais do que os sinistros 12 cm de agulhas.

Pensei que só me conseguiria equilibrar com eles calçados se me projectasse para a frente, embora correndo o risco de, com esta inclinação,de bater com os queixos na braguilha do noivo, ou para trás, numa manobra circense, fazendo pensar que tinham contratado, para animar a festa, a contorcionista do Cirque du Soleil.

- Aguenta! – Aconselha a C., como se fosse prima do Ulrich.

Aguento e periclitante, oscilante, com vertigens e tremuras, procuro o apoio da maçaneta da porta que se abre traiçoeira. Troco os pés, tropeço, caracóis vulcânicos já soltos, um azul petróleo anoitecido espapaçado no chão, um Jimmy Choo com um tacão cravado no estuque, um bâton de brilho contido todo esbardalhado na minha leve entoação na face.

Sem qualquer réstia de dignidade que suportasse a queda, ergui, desfraldei e fiz ondular a minha decisão como bandeira revolucionária e só não cantei Grândola Vila Morena, porque a minha santa avó me pergunta, sempre que trauteio um lá-lá-lá ainda que menos conotado, se me estou a sentir bem.

Acabamos as duas de pijama esparramadas no sofá, a ver Sangue Fresco, a comentar a leve entoação das faces dos actores, sem reter nada da série pateta nem da segunda garrafa de vinho maduro alentejano.

 

Os homens que já foram, que se casem. 

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Gavetas:

A Gaffe de bicicleta

rabiscado pela Gaffe, em 23.07.13

 

Somos por vezes criaturas em que a altivez se foi metamorfoseando, eclodindo e revelando o que de mais escuro existe em nós, sobretudo quando, à nossa frente, temos os que por nós dariam tudo, sabendo que, por eles, nada trocaríamos. Desembainhamos a crueldade e tornamos fácil agredir aqueles que nos querem, quando sabemos que esse desejo não tem reflexo em nós.

Impomos a sela de Pégaso como condição para aceitarmos que nos transportem as pérolas com que adornamos o pescoço da soberba e obrigamos a que todos os aromas que nos chegam do quotidiano mais comum, sejam submissos reflexos das nossas escolhas autistas.     

As janelas do amor que os outros nos dedicam, abrem tantas vezes para as nossas vielas putrefactas!

Dizemos depois que somos demasiado exigentes, urbanas, sofisticadas e cosmopolitas e que não temos tempo para dedicar à banalidade dos que passam olhando para dentro de nós à procura de chão.

Temos apenas céu.

Falamos da indiferença racional e da polida e culta e livre forma de viver e de sentir de mulheres que ultrapassaram as margens da timidez vagarosa que flutua no olhar dos que nos querem, porque a ousadia e a fúria do arrojo dos heróis e dos guerreiros condiz melhor com a velocidade a que nos movemos.

Tantas vezes somos mulheres a jacto!

Neste percurso de tocadas pelos deuses das avenidas largas e infinitas, de aço, de acrílico, de brilho de navalha, apenas amarfanhamos, comprimimos, sufocamos, o desejo de numa tarde banal e corriqueira, numa rua, numa qualquer ruela abandonada, termos o tempo lento a soprar na cara enquanto alguém nos leva, longe, de mansinho.   

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A Gaffe e um provérbio

rabiscado pela Gaffe, em 23.07.13

Ouço dizer que quanto maior for a altitude do voo, maior será o abismo em que se cai.

Se há verdade nesta empírica sentença, o contrário também se verifica e quanto maior for a queda, maiores serão asas que nos crescem.

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A Gaffe quarentona

rabiscado pela Gaffe, em 22.07.13

 

Um dos meus amigos favoritos declara com suspeita convicção que o prazo de validade de um homem termina por volta dos quarenta anos.

A partir dessa idade, o rapagão deixa de seduzir a menina do shooping, ou aquela que vem e que passa num doce balanço a caminho do mar, com a sorte e a facilidade que sempre supôs o coadjuvaram sem aparentes condições.

Atingindo esta proveta idade que, num primeiro relance, os inclui nos potenciais proibidos, pertença do grupo dos casados ou dos gays, um quarentão passa a ser olhado como se tivesse colado na testa o símbolo de risco biológico.

As rugas, ainda ténues, e o grisalho nas têmporas, ainda que de um charme divinal, passam a ser olhados com respeitinho (e o respeitinho é um dos mais certeiros e destruidores ataques que atingem a sedução). O quarentão tende a ser visto como o pai da amiga que, embora deliciosamente atractivo, é interdito, porque não se seduz o pai da Fifi, amiga do peito, e é constrangedor aceitar um bolinho e uma limonada das mãos da mãe da Fifi, uma querida, quando o que aceitamos do pai é bastante menos inocente e nos impede de o desancar quando proíbe a filha de acampar com penosos dias de antecedência à porta de um concerto qualquer onde se fumam cachimbos estranhos, mesmo jurando que Ceci n'est pas une pipe.

Esta assombração que paira nos quarenta acaba por ser consequência dos mesmos factores que nos condicionam em relação ao nosso corpo que se quer jovem, magro, quase até á anorexia, altíssimo, tonificado, macio, depilado e com um certo vislumbre de divino cravado no umbigo como o piercing do imaginário.

Formatadas e reprogramadas, acabamos por sentir uma repulsa, uma aversão automática, pelo Kg a mais que subitamente se nos colou às ancas (mesmo que seja esse exacto Kg o que nos transforma em divas capazes de humilhar Sophia Loren – sejamos retro) e para recusar, instintivamente, e sem apelo, os homens maduros, avassaladoramente sedutores, charmosos, solitários e tentadores heterossexuais que por nós passam deixando um rasto de Cartier e uma imagem como aquela que se apensa, nos nossos mais recalcados desejos.

Para contrariar este facto, esquecemo-nos que os vícios que caminham para o decadente que alimentamos aos trinta, serão a nossa cara (e as nossas ancas) a partir dos quarenta e disfarçamos, atravessada a fronteira, recriando imagens pouco dignas, e invariavelmente ridículas, que reproduzem os tiques e as correntes da geração que até há pouco vinha atrás de nós e que agora nos ultrapassa sem piedade.

São as tintas negras que invadem o couro cabeludo, como derrames de petróleo, dos maduros rapagões ecologicamente imaturos e jeans apertados que prendem camisas cintadas prontas a explodir com a pressão de roliças e proeminentes barriguinhas que se tentam comprimir como nenhum ginásio conseguiu ousar.

São os implantes das entradotas moçoilas que nos fazem duvidar se ainda subsistem as originais perdidas nos esticões e nas intumescências que lhes fornecem uma eternidade que dura enquanto o diabo esfrega um olho (retocado).

É um desagradável acidente tentar reproduzir as imagens juvenis que trespassam a desilusão de quem se vê envelhecer ignorando que o tempo que se vai adquirindo facilita, amadurece e torna visível, o charme sedutor dos experientes.

É um deslize imperdoável não darmos conta que, aos quarenta, podemos fazer tudo o que fazíamos aos vinte, sobretudo se não nos importarmos de parecer idiotas e que é uma irremissível falta de perspicácia, de inteligência e de bom senso, tentar ignorar que a única forma de permanecermos jovens, é mentirmos na idade.

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A Gaffe utilitária

rabiscado pela Gaffe, em 22.07.13

 

Dois interessantes e utéis esquemas que fazem as delícias de um rapaz dotado e bem apessoado e de uma rapariga prendada com tendência a prestar vassalagem ao desleixo e falta de cuidado do cavalheiro que obedece com afinco ao esquema que lhe permite enlaçar o encanto no pescoço.

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Gavetas:

A Gaffe latino-americana

rabiscado pela Gaffe, em 19.07.13
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Neste Verão, rapazes, não se esqueçam do chapéu e, se for um panamá, aguentem o inevitável desejo de sombra que trespassa qualquer rapariga esperta, em busca da frescura com um ar de patife sedução, da aba do que trazem na cabeça.

(Excelentes os vendidos no Porto, na velha José & Baião Ld.ª - R. de S. Crispim)

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A Gaffe disfarça

rabiscado pela Gaffe, em 18.07.13

A Gaffe veste o seu tailleur preto e justíssimo, os seus vertiginosos Louboutin, inclina a capeline, escolhe os óculos que a manterão anónima e disfarça o destaque concedido pelo seu amoroso SAPO.

Guarda só para si o facto de, olhando-se ao espelho, se espantar por ver lá dentro, a olhar para ela aos gritos, uma rapariga esbardalhada, histérica, palonça, de caracóis desgrenhados, desequilibrada, demente, com olhos arregalados de alegria e perdigotos a saltar como se estivessem amestrados.

 

A Gaffe é uma rapariga muito sofisticada.   

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Gavetas:

A Gaffe reflectora

rabiscado pela Gaffe, em 16.07.13

 

 

Havendo já a bota de ouro e as prateadas sapatilhas de desporto de Ronaldo, não vale a pena, rapazes, cobiçarem os resplandecentes sapatos da imagem, a não ser que se preparem para peregrinar durante a noite, na berma da auto-estrada, receando o trânsito nocturno que desta forma passará a ser ofuscado pelo reflexo do vosso pedestre vaguear.  

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Gavetas:

A Gaffe muda de endereço

rabiscado pela Gaffe, em 16.07.13

Desde o primeiro instante que o endereço deste cantinho soou mal à dona.

Sempre lhe pareceu desajustado, desadequado e um bocadinho idiota.

A resignação da Gaffe era uma pedra no seu  Jimmy Choo.

O querido SAPO acaba de possibilitar a emenda deste lapso, permitindo a extracção do pedregulho.
A Gaffe procurou o seu amigo para lhe impingir a adaptação da ruiva pin-up de Fernando Vicente ao novo endereço escolhido e, após uma luta renhida que durou mais tempo do que o conveniente e do que o respeitável, o seu querido designer pessoal declara que O blog da Gaffe é um endereço demasiado óbvio e de difícil encaixe. 

A Gaffe não é um portento criativo. Tinha-se limitado à mais evidente, à mais lógica e à mais directa das denominações e embora suspeite que o amigo apenas a quer fazer engolir o endereço que melhor lhe tomba naquilo a que a minha querida avó chamaria goto, aceita a sugestão.

Não é um endereço apelativo, original ou detentor de um brilho criativo capaz de encadear o mais incauto, mas sempre é bem melhor do que o anterior.

O grafismo vai acabar por sofrer algumas, ligeiras, alterações, mas A Gaffe e as Avenidas é já o nome deste blog.

Seria agradabilíssimo poder dizer às massas que devem alterar os links, mas as únicas massas que por aqui passam tem a Gaffe de as encomendar na pizzaria da esquina. 

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