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Ilustração - Fernando Vicente


A Gaffe caprichosa

rabiscado pela Gaffe, em 12.08.13

São 642 posts!

Um número que impressiona a Gaffe que nunca pensou ser capaz de juntar mais do que três ou quatro palavras.

É claro que os primeiros meses são desdentados, mas, mesmo assim, ter conseguido rabiscar mais do que seis centenas de apontamentos é surpreendente.

Depois de ter fechado a boca – uma rapariga tem de se preocupar com a imagem – a Gaffe pensa que chegou a altura de alterar o seu pequeno cantinho. Não vai suplicar aos senhores do Querido, mudei a casa porque sempre receou a qualidade do Ikea, teme que lhe surja o Cláudio Ramos a deitar as cartas - não adianta perguntar a causa da aliança que faço entre este querido e a sorte. É um pesadelo - e sabe que a colaboração da equipa SAPO não é extensiva aos caprichos de uma rapariga tonta.

Vai ter de arrancar o seu fantástico amigo, cúmplice de todas as horas, as montanhas de paciência de que vai necessitar para desatar o espartilho deste blog (e eu sei que ele sabe, porque já vi). Não é tarefa desmesurada, até porque me afeiçoei ao actual grafismo que, ele também, me ofereceu, mas é chegado o momento de alargar as avenidas.

Partindo deste objectivo, a Gaffe estende a sua indolência à dúvida existencial que se sintetiza na questão seguinte:

Qual o momento certo para mudarmos de visual ou, pelo menos, a base em que o visual está impresso?

Embora a pergunta não implique necessariamente CSS, é declaradamente um caso CSI.

É urgente uma investigação acerca das motivações que estão na base do desejo de uma radical ou de uma subtil mudança na forma como somos vistos.

A urgência que sentimos de alterar o corte de cabelo e tornamo-nos um Fábio Coentrão em vez de Grace Kelly; mudar a cor do bâton, surgindo com lábios esverdeados como se tivéssemos sugado, furiosas, um calipto de corantes; desatar a imitar o Everest trocando as pindéricas sabrinas por uns vertiginosos Manolo Blahnik; aparecer de speedo um número abaixo do confortável e do aceitável, quando sempre usamos tenebrosas bermudas pelos tornozelos (mesmo sabendo que as regiões antes impedidas de bronzear dificultam a ousadia) ou simplesmente fazer brotar da nossa boca mimosa o cacto de um palavrão grosseiro, electrocutando a elegantérrima forma com que sempre nos exprimimos, é sintoma de esgotamento, de saturação do quotidiano, de vontade de seguir a estação que se renova, de tédio, de fastio, do que somos, de necessidade de nos termos, só para nós, de forma reanimada, mas é também o anseio de sermos vistos pelo Outro de uma maneira encantatória, de por ele sermos olhados com os olhos da surpresa e do reencontro, de o fazermos acreditar que existe mais em nós a descobrir e de nos fazermos acreditar exactamente nisso.

A qualquer momento surge esta urgência tranquila de sentirmos que temos dentro a inesgotável capacidade de mudarmos. Quando não temos instrumentos reluzentes para levar a cabo esta ambição, usamos uma cor diferente de bâton, desequilibramo-nos em cima de sapatos a que jamais nos habituaremos ou mandamos bardamerda o rapaz que sempre nos teve como ponto assente.

No caso da Gaffe, neste específico caso corriqueiro, o desejo de mudar este seu canto deserto de visitas, é apenas um capricho.

Não se deseja alterar o vazio quando não existe ninguém do outro lado da porta.

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