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Ilustração - Fernando Vicente


A Gaffe de encantar

rabiscado pela Gaffe, em 03.09.13
(Dina Goldstein)

Enquanto vou substituindo as imagens barradas pelo photobucket (uma operação traumatizante!) vou tomando consciência do facto de quase todos os meus rabiscos ficarem sem nexo, sem sentido, sem qualquer ponta por onde se lhes pegar, sem o auxílio das figurinhas que escolhi para os ilustrar.

Esta ligação ou simbiose, como se lhes queira chamar, é uma miserável metáfora para outras uniões que grassam por todo o lado e que são incomparavelmente mais dignas e mais importantes do que as que vou fazendo levianamente por aqui.

Há alianças que fustigam os dias com os brilhos de promessas encantadas, uniões que afiançam a eternidade de uma fábula, elos que trazem a garantia do encanto e da magia de uma história de fadas, laços de seda, de veludo e de cetim que adornam a solidez do reino onde se pode ser feliz para todo o sempre, que, de modo subtil, se vão esfumando ou estilhaçando em silêncio de encontro ao tempo que passa.

Subitamente, percebemos que atingimos o limite concedido para alojar pedaços que supomos ser os que nos são mais queridos, que esgotamos a nossa capacidade de acumular sentimentos ou imagens de um sentir que não é nosso, que todos os retalhos de felicidade que fomos reunindo são substituídos pela cinza de um aviso breve e cru.

Não nos é permitido mais.

As adornadas vedações que nos impediam de ver o que chegava lento e sem ruído para minar a nossa etérea ilusão de felicidade, acabam por fazer desaparecer o que retínhamos na alma e que nos fazia acreditar que éramos heróis e heroínas de contos infantis.

Ficamos com os abismos da desilusão nos braços.

É claro que há remédio!

Levantamos o rabinho da rocha magmática, enegrecida e bruta, em que se transformou a vida e vamos substituindo, com a coragem dos que se sentem sós, pedaço a pedaço, as imagens perdidas, retocando sempre que podermos o ilusório acumulado outrora com a consciência, exacta como um bisturi, de que nem sempre os sapos trazem príncipes dentro.

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A Gaffe super-heroína

rabiscado pela Gaffe, em 03.09.13

Stanley Lau (‘Artgerm) imaginou uma revista, Justice Magazine, e fez algumas das mais sedutoras super-heroínas posarem para as capas.

Os atributos que as fazem voar, empunhar chicotes com uma destreza inimaginável ou dominarem um exército de burgessos maldosos à força de punho, não são aqui ponto crucial ou destacado, mas as curvilíneas capacidades de sedução e os modelados recantos dos seus corpos acabam por compensar a ausência de voos mais heróicos e, pelo menos, nós, raparigas banais, não nos sentimos incomodadas pelas meninas de muita carne e pouco osso que nos atiram à cara os melões de silicone que as prendem ao chão dificultando qualquer rota mais aérea.

 

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