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Ilustração - Fernando Vicente


A Gaffe no fim do Verão

rabiscado pela Gaffe, em 21.09.13

Neste final de estação, a Gaffe recorda com simpatia os garbosos veraneantes que traçam pudicamente a toalha rígida de sal, de sol e com sabor a ondas para, reservados e postos em resguardo, trocarem os calções que se encharcaram.

Tão ingénuos (ou tão marotos são, que a ingenuidade alia-se às vezes a uma subtil garotice que nos belisca levemente a alma) esquecem-se que é no alçar da perna que procura a segurança protectora da perna dos calções, que todo o véu não basta, toda a toalha é pouca, para esconder os mundos que se avistam da sombra tropical das nossas esplanadas.  

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A Gaffe não aceite

rabiscado pela Gaffe, em 21.09.13

Um dos verbos que devia ser abolido do dicionário da alma de alguns é o Aceitar.
Neles, aceitar o outro, tem implícito um minúsculo julgamento feito nos confins da alma de quem aceita.
Quando aceitam não estão a reorganizar o pensamento de forma a que este se adapte ao que não consegue ou que revela dificuldade em compreender ou reconhecer como forma de consciência independente e diversa daquela que possui.
Sentam-se nos seus pequeninos tronos e, magnanimamente, aceitam o outro. Não o entendem segundo diferentes arquitecturas interiores e recusam ou subtilmente condenam cada acto cometido, porque não é assimilado pelas suas organizações internas, mas, e como são criaturas superiores, aceitam.
O seu irrisório tribunal interno não arrisca declaradamente o perdão, por beata modéstia, mas inclui no aceitar uma parcela de indulgência, envernizada, mascarada de respeito pelo outro.
Aceitar
, dentro deles, traz no bolso um calado sentimento de superioridade, uma velada e inconsciente vontade de domínio, uma escondida certeza de que, o que são, se torna a regra mais conveniente para o equilíbrio planetário.
Julgam o outro quando o aceitam e não abdicam dessa miserável e ínfima sensação de superioridade. Ao aceitar, recusam, recuam e, em última análise, assinam de caneta Mont Blanc agarrada a alma a moção de censura ou negação.
Ao aceitar as formas externas ao traçado arquitectónico que reconhecem como seu, são como as anafadas senhoras, de agenda apopléctica e reservado lugar em todas as comissões de avaliação e em todos os plenários ou jurados. Depilam as sobrancelhas para as desenhar depois com traços negros, escondem estampas pornográficas nas páginas batidas do missal e aceitam, soberanamente, superiormente, o outro que também tem direito à vida.
- Não consigo compreender estes gauleses... mas aceito-os. - Diria o Imperador, olhando de soslaio o Axtérix.

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