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Ilustração - Fernando Vicente


La Gaffe et l’amour fou

rabiscado pela Gaffe, em 27.10.13

É tão engraçado observar os esforços que se fazem para esconder uma paixão proibida.
Nestes gabinetes há um rapazinho loiro de gigantescos olhinhos azuis, magrinho e franzino, pedante e miudinho. O cargo que ocupa é proeminente e o menino assume-o de maneira pomposa e cheia de brio, aprumo e masculinidade. Inclusivamente aos fins-de-semana.
Entra então em cena a sempre activa e presente técnica de informática. Uma belíssima morena, de olhos de veludo e sorriso malandro. Recentemente destacada, faz as delícias dos homens que desataram, subitamente, a precisar com urgências suspeitas dos seus serviços mais competentes. 
A rapariga não se faz rogada e atende, com todo o carinho e de forma pontual e assídua, todas as necessidades masculinas, sobretudo as do namorado, colosso pouco dado a manobras informáticas, mas poderoso e atento segurança principal.
O menino de olhinho azul, franzino e frágil, apaixonou-se por ela de uma forma confrangedora.
É delicioso observar os seus movimentos atados, os seus olhares disfarçados, mas sempre presos ao corpo da moçoila, os seus mais pungentes esforços para disfarçar o inevitavelmente claro, as suas mais rebuscadas desculpas para a ter por perto ou para se cruzar com ela nas esquinas e nos cantos dos corredores e o abandono recente dos seus encargos mais importantes. 
O alvo desta dança mantém-se indiferente. Não vê. Não ouve. Não sente. Não faz a mais ínfima ideia do que despertou. Continua a sorrir e a passar airosa, sem sombra de pecado, arrastando, preso no cinto, o mísero olhar do pobre desgraçado.
- A R. está no seu gabinete? – Pergunta-me de olhos de safira, pela centésima vez no espaço de uma hora.
- Não! Nunca sabe dela, não é?! É tão resvaladiça aquela rapariga.
- Não sei. Nunca a procura!
Ah! Quando o amor se levanta a razão fica de joelhos.

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A Gaffe macabra

rabiscado pela Gaffe, em 27.10.13

Cruzou a perna e acendeu o cigarro. Uma Sharon Stone de pacotilha, com muito menos pernas e muito mais lingerie. 
- Podes confiar em mim! Eu sou um túmulo.
É sempre útil termos à nossa disposição um túmulo capaz. Nunca se sabe se algum dia nos veremos na necessidade de estrangular uma sensação ou assassinar um sentimento.
Mas a minha Sharon Stone é um túmulo sem tampa. Os cadáveres ficam a apodrecer à vista de toda a gente.

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