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Ilustração - Fernando Vicente


A Gaffe sugere

rabiscado pela Gaffe, em 28.11.13

If you can’t beat them dress better than them.

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A Gaffe e o "dress code"

rabiscado pela Gaffe, em 28.11.13
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A camisola de malha grossa de Natal do meu avô era vermelha com uma barra larga branca no peito por onde saltitavam renas cor de camurça de guizos minúsculos ao pescoço, bonecos de neve com sorrisos de lã perto de dezenas de árvores de Natal repletas de pequenos pompons coloridos e de estrelas verdes que emolduravam o friso. Tinha flocos de neve espalhados por todo o lado.

O meu avô usou-a durante décadas na véspera e no dia de Natal, perante a discreta reprovação da minha avó negada pelo olhar e sorriso doce com que o brindava mal o sentia distraído.

A camisola era inevitável como o presépio, como as velas, as coroas de azevinho ou o pinheiro que coroávamos sempre à meia-noite.

A camisola do meu avô fez parte do Natal da minha família durante toda a minha vida. Era tão inevitável como um cântico ou como os laços nos presentes. Era tão esperada como a visita do Pai Natal ou como o fogo na lareira ou como aquela noite sempre gelada no Douro ou como a imensurável felicidade do desembrulhar dos presentes.

Sentado à cabeceira da mesa natalícia o me avô tornava-se o maestro do Natal e nada, absolutamente nada, me oferecia tanta segurança, tanta certeza, tanta amenidade e bonomia, tanta felicidade e paz do que ver as renas a engordarem à medida que os Natais passavam.

Este Natal o meu avô não vai poder usar a sua camisola.

Sou a neta mais velha.

Neste Natal o meu mais querido presente, chegado nas mãos da minha avó, vai ser a velha camisola vermelha de lã grossa com uma barra branca e enfeitada.

Neste Natal vou usar a camisola do meu avô e todos os meus Natais futuros terão a velha camisola a orquestrar a ceia. Serei a maestrina da saudade.

Queria tanto que neste Natal, por todas as avenidas deste mundo, passassem cachecóis de malha grossa, vermelhos com cristais de gelo, camisolas e gorros com pompons e estrelas e flocos espalhados, luvas vermelhas com pelinho branco, casacos com renas estampadas e árvores de Natal em todas as bainhas e brilhos verdes de azevinho entretecidos nos fios e nos laços que prendem os cabelos!

Nenhuma guerra teria continuidade, nenhuma batalha se iniciaria, nenhuma questiúncula poderia resistir se as ruas se enchessem de camisolas de Natal como a do meu avô.  

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Gavetas:

A Gaffe socióloga

rabiscado pela Gaffe, em 26.11.13

Clothes make the man. Naked people have little or no influence on society.

Mark Twain

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A Gaffe de choque

rabiscado pela Gaffe, em 26.11.13

(Demy Matzen para Migjen Rama)

A proposta de Migjen Rama é uma interessante mescla de polícia de choque e de diáfana odalisca.

A Gaffe não sabe se é dirigida aos valentões que fazem frente a multidões furibundas, mas considera a hipótese bastante proveitosa. A imagem de brutamontes repressores é atenuada pela transparência esvoaçante e frágil das camisas, convidando não só as meninas a beijar os uniformizados, mas também os jovens menos másculos atraídos pela musculatura vislumbrada e, em simultâneo, consegue paralisar de espanto e de perplexidade os mais enfurecidos portadores de cartazes mais reivindicativos.

Um conceito a ter em conta quando se trepa as escadarias de qualquer parlamento a lamentar sem as botas da revolta armada, mas com a ousadia e a coragem que reúne várias cores.       

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A Gaffe de Scott Matthew

rabiscado pela Gaffe, em 25.11.13
(Scott Matthew)

A melhor forma de nos confrontarmos com a mediocridade é colocarmo-nos sob o foco da extrema qualidade. Só então percebemos a capacidade de embrutecimento, de paralisia, ineficácia e de amesquinhamento que a primeira possui e a sua extraordinária aptidão para se expandir pelas massas, criando uma espécie de submissão anestesiada que limita, endurece e contrai as vítimas. A consciência deste facto surge nítida quando somos confrontados com o talento e incessante trabalho.

O foco esteve ontem no Coliseu do Porto e chamava-se Rodrigo Leão.

É inútil reportar o assombro provocado pelas suas composições ou mesmo pelo estudo de luzes, impecável, que acompanha todos os concertos. O deslumbre atinge-nos imediatamente a partir dos primeiros acordes e das primeiras e discretas barras de luz e não deixa de aumentar sobretudo quando se reproduz a banda sonora de O Mordomo de Lee Daniels em que os dezassete músicos em cena conseguem aproximar as peças de clássicos absolutamente inesquecíveis.

O mesmo fascínio acontece quando Rodrigo Leão nos mostra os abismos dentro dos trechos (dos textos) que recria, aproximando as concertinas de Piazzolla ao travo subtil de um fado bem rasgado e dolorido, como é o caso de O Tango dos Malandros ou da quase desesperante Pásion na voz de Celina da Piedade.

Rodrigo Leão é sem qualquer sombra de dúvida um compositor universal e é imprescindível ouvir e pasmar como seu talento que possui a perspicácia de escolher as vozes mais perfeitas e que mais se misturam nos seus acordes.

Scott Matthew é um portento. Se a sedução tivesse voz soaria como este australiano. Uma voz de veludo e de espinhos. Uma voz com texturas inusuais, inesperadas, simultaneamente doces e agressivas. Interpretações magníficas como a de Terrible Dawn comprovam a simbiose perfeita que existe entre o compositor e o intérprete.

Há tempos, o SAPO propôs um desafio: o de revelarmos a quem faríamos a pergunta O menino dança? Creio que Scott Matthew consegue responder por mim da forma mais completa.

O concerto de Rodrigo Leão, ontem, no Coliseu do Porto, é sem qualquer hesitação o foco potentíssimo de luz que paralisa a pequenez absurda e mesquinha que parece crescer por todo o lado num jardim à beira mar plantado, num país sem mar ao fundo.     

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A Gaffe às Segundas

rabiscado pela Gaffe, em 25.11.13

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Gavetas:

A Gaffe e um provérbio apache*

rabiscado pela Gaffe, em 21.11.13

Quando o Grande Lobo Branco invadir a pradaria, resiste com a nobreza do búfalo, mas com o coração aberto como asas de falcão e... 

abana-me essas franjas, valha-me Deus!


* Mentira! Inventei agora.

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Gavetas:

A Gaffe de meggings

rabiscado pela Gaffe, em 20.11.13

A Gaffe não entende como é que se deixou de usar ceroulas, uma peça de vestuário tão jeitosa.

Percebe contente que, no entanto, esta abandonada peça de interior aconchegado vai aflorando as suas avenidas, embora tenha alterado a sua habitual posição na hierarquia do vestuário.

As ceroulas são peças que entregaram valoroso contributo à solidificação do charme interior de várias gerações. O seu bisavô devia ter tido umas, embora suspeite que não lhe ficavam tão apelativas como aos rapagões da imagem, dada a pouca descendência. O seu avô, provavelmente tinha algumas e, pelas fotos que existem dele, o rapaz não era nada de se deitar fora. Foi pena o pai não se ter protegido dos rigores do Inverno com umas iguais (às dos valentões da foto, não às do seu bisavô), porque ainda agora é um homem muito atraente.

O mais próximo que esta rapariga esperta encontra desta velhinha peça de roupa são as as meias usadas pelos bailarinos do Bolshoi. A Gaffe refere o  Bolshoi, porque lhe parece adequado referir uma grande Companhia de Ballet para disfarçar as tontices que vai pensando. O Bolshoi sempre dá um cheirinho a coisa fina e respeitada. No entanto, não é, evidentemente, a mesma coisa. No caso dos bailarinos já se espera que entrem aos saltos e aos pinotes vestidos com uma adaptação aprimorada, e um bocadito afectada, das ceroulas.

Umas ceroulas devem ser másculas. Devem ser de algodão branco, canelado, grosso e macio, um bocado largotas em cima, com uma carcela abotoada (ou não, depende muito das circunstâncias) e com um punho nos tornozelos. Não devem é ser usadas no Verão. Não ficam bem com os calções em cima e chanatas no pés, pese embora o que hoje se nos atravessa nas ruas.

Contribuem também para a definição do macho. São coisas usadas de forma machista. Uma moçoila, se as traz vestidas, ou dança num rancho folclórico ou é mais velha que o Manuel de Oliveira. Um brutamontes com fio dental metido nos dentes de trás é deprimente e pode, em certos casos, causar ambíguas perplexidades a quem o apanha sem estar prevenido. Os boxers, se mal escolhidos, também como as ceroulas, não segurarem grande coisa, amarfanham-se nas pernas fazendo com que se acabe a suspeitar que o rapaz traz vestidos uns calções quinhentistas por baixo das calças do fatinho. As cuecas (as normalinhas - a Gaffe já viu de tudo) ainda são o que mais  assegura um bom andamento, mas é difícil encontrar as que favorecem a imagem a preços acessíveis, sem o Mickey estampado ou sem o nome do dono no elástico. Das outras peças destinadas a uso similar a Gaffe não quer falar, por se lembrar da sua santa avó.

Posto isto, chega-se à razão que a leva à eleição das ceroulas como tema.

Os rapazes que passam por ela todos os dias (os mais garbosos, é bom que se refira) andam de ceroulas!

As ceroulas ganharam o estatuto de peça exterior. Todos os atraentes matulões na casa dos vinte anos trocaram as calças por ceroulas. É vê-las às riscas, ao xadrez, de pie-de-poule e príncipe de Gales, lisas, às cores ou às ramagens, enfiadas nas pernocas dos meninos com casacos e camisas largalhonas a completar a indumentária.

Não é bonito de se ver. Perdem a dignidade e a respeitabilidade que tinham, terminando acanhadas nos tornozelos nus e sem nadinha que anuncie umas botifarras de respeito ou uns sapatos bicudos e com furinhos, que assumem assim usados proporções inesperadas.

A verdade é que esta rapariga sente uma certa nostalgia vendo as ceroulas de novo a passar, mas, ao mesmo tempo, alegra-se a pensar que se o seu avô fosse vivo podia perfeitamente fazer frente ao matulões que desfilam agora pela suas avenidas vestidos com a peça que outrora foi a alegria de uma alcova recatada.

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A Gaffe e uma senhora

rabiscado pela Gaffe, em 19.11.13
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A morte da minha tia-avó não teve qualquer impacto visível em mim. Passou pela vida como se viajasse e encontrasse no caminho um banco fresco ou um fio de água, como se parasse então para beber, de mãos em concha, para logo retomar o seu destino sem olhar em redor para me ver.

Irmã mais velha da minha avó, a senhora de nome tão impronunciável que dele foi feito um diminutivo que a diminuía, Minita, desprezou de modo supremo o país onde viveu durante quase toda a sua vida. Fumava cigarrilhas e falava francês com o casal de velhos empregados que com ela vivia, primeiro num edifício soberbo no centro do Porto, depois, na última década, na quinta duriense, propriedade da irmã que lha cedeu.

Dela tudo o que sei foi-me contado. Fama de leviana e doidivanas, excêntrica, esbanjadora e destravada, nocturna e amante de champagne e poker, jogava ténis e conduzia, doida, um carro nas altas madrugadas da cidade.

Nada existe seguro pelo fio da minha própria memória, a não ser um minúsculo episódio em que a acidez, a aridez e o sarcasmo da velha senhora se atenuou (brevíssimos instante) ao se debruçar, num dos raros momentos em que nela se vislumbrava uma gotícula de ternura, sobre a sobrinha-neta e lhe confidenciar a maior fraqueza: escrevia coisas.

Nada de imortal. Rimas. Apenas rimas.

Secretamente disse à rapariguinha que tinha mesmo ganho um concursinho.

Na telefonia desafiavam os senhores ouvintes a inventar uma quadra de homenagem ao Hotel Lis, de que não sei a história. Ela ganhou, mas nunca quis sair do anonimato.

Hoje (décadas depois!) descubro-me a recitar a quadra do triunfo. Durante todo o tempo, depois desta confidência tocada por champagne, percebo que nunca esqueci a vencedora incógnita que na telefonia homenageava o Lis:

 

Lisboa para ser Lisboa

 Tem de ter o Lis ao pé.

 Sem o Lis, pode ser boa,

 Mas Lisboa é que não é.

Agora já sabem de quem é o prémio.

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A Gaffe num cais

rabiscado pela Gaffe, em 18.11.13
.Há homens que de tão habituados a esperar deixam de chegar seja onde for. Outros há que de tão habituados a partir a cada instante nunca chegam a lado nenhum.

São os homens que sabem escolher o cais perfeito e que conhecem a hora exacta da partida e da chegada que, mesmo esperando, sabem que a viagem termina sempre ao nosso lado.     

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A Gaffe erudita

rabiscado pela Gaffe, em 18.11.13

Noblesse oblige.
A Conferência, num Sábado à noite, seria proferida por um velho amigo, professor catedrático jubilado, com pouso na Sorbonne (Paris IV).

 

Frei Miguel dos Santos e a conjura de D. Sebastião de Madrigal

 

O caso envolvia Ana de Áustria, pequena princesa bastarda, encerrada no convento de Madrigal e o público presente datava da mesma época.

Não é que me tenha causado incómodo ouvir o meu velhinho sábio e teatral despejar sapiência por todos os cantos da sala. Cheguei mesmo a ficar deslumbrada com o facto do senhor ser capaz de referir, sem qualquer hesitação, toda a genealogia da moça ingénua e enganada. O que me aborreceu foi a colecção de velhos que me lambuzaram a cara, com beijos sôfregos e suspeitos e não existir nenhuma saída de emergência.

Quanto ao pretenso D. Sebastião, chegou-se à triste conclusão que o farsante era pasteleiro e, como tal, foi enforcado.
Mas o que realmente me espanta e incomoda, isso sim,  é saber da quantidade de pasteleiros que há agora, tratados todos e ao mesmo tempo por El-Rei que se encontrou.

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Gavetas:

A Gaffe em Viseu a preto e branco

rabiscado pela Gaffe, em 17.11.13

A mulher entra no carro e obriga-me a ir ao lado. Previne os passageiros que vão entrar depois para não repararem nas sementes espalhadas nos lugares traseiros. Que são dos passarinhos que o filho colecciona.

Suspeito que são dela. Que come as sementinhas nos intervalos parcos em que deixa de falar dilatada pelo orgulho do seu Martim, rapazola espigado, com acne, cabelo encarapinhado e a pose arrogante dos adolescentes tímidos.

Mostra a fotografia e embevecida deixa-a parada nos dedinhos pequeninos, presa nas unhas agudas, aguçadas. Reparo na mancha vermelha na pele que lhe apanha o polegar e lhe ameaça o pulso. Parece um mapa de carne em que as estradas são traçadas por fios leitosos. Aquosamente me repugno.

Canso-me da mulher saltitando pelas palavras, debicando sílabas, esgravatando frases. Puxo o banco para trás para encaixar as pernas e tento olhar a cidade, não ouvir o matraquear constante das palavras que tropeçam. Parecem agora pequenas castanholas ou estalidos secos de ramos a partir quando calcamos bosques pelo Outono.

A casa é já ali. Procura um lugar para estacionar.

- Andamos mais uns metros e já lá estamos.

O meu amigo, atrás, deixou há muito de se esforçar por ouvir o que a mulher espirra e esguicha sem parar. Ignora-a de forma deselegante e vai petiscando palavritas breves com a C. que ao lado dele é cúmplice, manobrando para escapar à catatua.

- Olhem! O cigano deixou-me um lugar a jeito. É espantoso! Isto ao Domingo é de fugir. Só ciganada. Tenham cuidado com os telemóveis.

Em frente a mim a estátua de D.Duarte sustenta a indiferença em bronze e olha sem olhos.

- Atrás é o Grão-Vasco. – Explica a C., a procurar escapar por entre as pedras pequenas do caminho antigo.

- São as muralhas do antigo palácio dos bispos, do século XVI. Ao lado é a Catedral.

- Não se pode passar aqui de saltos altos. – Indigna-se a mulherzinha e volta a massacrar:

- Odeio os ciganos e os pretos. Não tenho culpa. É já desde pequena.

- E de gays? – Dispara a C. e atinge o pobre rapaz que ao meu lado tenta agora a todo o custo controlar o que suspeita ver abrir-se em ferida.

- Almoçamos n'O Cortiço. – Tento abafar.

- Desculpe? – Espanta-se a mulher, desperta e atenta à pergunta que a surpreende.

- Perguntei se odiava da mesma forma os mulatos. – Pânico nas hostes. Adivinho o perigo e desato a palrar sobre o empedrado do caminho.

- Ah! Esses não sei. Nem para eles olho. A verdade é que há poucos por aqui. Mas pergunta porquê?!

- Porque o meu amigo é gay. Será interessante saber se pensa que tenho de esconder o telemóvel.

Almoçamos n'Cortiço.

A mulher que debica sementes a comer lombo assado, finalmente atafulhada no silêncio do embaraço, consegue com que os meus amigos se entreguem à cigana tarefa de tentar elevar desmesuradamente a conta que ela há-de pagar com pedidos absurdos e inúteis que incluem feijocas com todos à maneira da criada do senhor abade e bacalhau apodrecido na adega.

Achei adequados os pratos que escolheram. Afinal tinhamos na frente uma feijoca que um senhor abade de aldeola deixa apodrecer na água santa onde foi demolhado o esquecido bacalhau de uma beata vendada e trauliteira.

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A Gaffe marítima

rabiscado pela Gaffe, em 14.11.13
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Em terra, todos os marinheiros são pertença do porto onde pousou o seu navio.

Podem prometer as viagens que quiserem à bolina de ventos e das bússolas do desejo, com a arte de marear em toda a vela, que todas as suas âncoras afundam no mar das mãos de uma mulher.    

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A Gaffe oportunista

rabiscado pela Gaffe, em 14.11.13

Fui ontem fazer compras com a C.
A minha boa amiga compra de forma compulsiva, mas absolutamente ordenada.
Sabe com rigor o que deseja, mas exige que lhe mostrem o stock completo e nas sapatarias só não experimenta os sapatos do empregado.

Sempre desejei entrar numa loja qualquer agarrada a uma gigantesca faca de trinchar e, com olhos esbugalhados e cabelo esgrouviado, abeirar-me de alguém e com voz cava perguntar onde se situa a secção dos anti-depressivos.
Também me seduz a ideia de entrar num provador e passados uns minutos desatar aos gritos a perguntar onde está o papel higiénico.
Li algures que resulta em qualquer lado e que em qualquer lado somos de imediato atendidos, mas limito-me sempre a suspirar com ar de enfado enquanto enfio no saco das compras  tudo o que a C. encontra e aquilo que penso que me serve.
Depois angelicamente espero que o brilho do cartão de crédito da rapariga me ofusque o olhar.

Agora só não entendo muito bem para que quero eu um par de luvas brancas até ao cotovelo e umas cuecas pretas com um sardão estampado no rabo!

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A Gaffe na tempestade

rabiscado pela Gaffe, em 13.11.13
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Os homens podem vestir as tempestades.

Basta que deixem uma rapariga esperta procurar o sítio certo, o abrigo, as telhas, os algerozes, que mesmo nas trovoadas mais cinzentas ela encontrará um Outono mais ameno.

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