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Ilustração - Fernando Vicente


A Gaffe das Sextas-feira no Douro

rabiscado pela Gaffe, em 01.11.13
(Lavadeira do Douro)

Todas as Sextas-feiras, no Douro, as mulheres chegam ao terreiro,  garridas, em grupos ruidosos.

Contam anedotas e escondem o rosto e as gargalhadas com lenços ou xailes.

Chegam da lida e à lida voltam que devem espalhar toalhas sobre as mesas e servir os homens que ficam para trás. Pão quente e vinho, enchidos e carnes cozidas, batatas e sopa.

Voltam mais cedo elas, unidas, todas as Sextas-feiras no terreiro.

Não gosto de nenhuma. Invejo todas. 

Porque gargalham as gralhas e porque trazem aventais floridos; porque contam anedotas sujas e felizes; porque nos seus meneios acanhados existe o cheiro a terra, a esterco, a suor e a sexo já maldito por rezas que rumorejam quando o fazem; porque arrostam as lidas sem cansaços e se arrojam aos cornos das enxadas; porque sabem de cor o que é um almude e desdenham daquilo que não sabem; porque se aprumam frente a eles, aos que para trás ficaram, mas que hão-de vir para comer os cozidos que elas fazem e  porque me dizem que mesmo assim, colhidas pela vida, conseguem ser felizes.

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A Gaffe à janela

rabiscado pela Gaffe, em 01.11.13
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Não devíamos nunca sentir que temos de pedir perdão, a não ser àqueles que nos amam e a quem mostramos o que de mais sombrio temos na alma, só porque não são amados por nós.

As janelas dos que se apaixonam às vezes abrem para canais apodrecidos.

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