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Ilustração - Fernando Vicente


A Gaffe de Joseph Blatter

rabiscado pela Gaffe, em 03.11.13

A Gaffe não gosta de poeira a voltear no espaço. Espera que tombe e assente para depois colocar os seus Jimmy Shoo no pavimento.

Há contudo futuros sedimentos que a fazem cismar e arriscar o sapato.

Observa com algum pasmo o proliferar de indignação generalizada desperta pelos ditos de um senhor de idade que despreza Cristiano Ronaldo, dando primazia a Messi no seu provecto coração.

Joseph Blatter, depois de fumar umas coisitas ilegais, mostrou que nada há de mais patético do que um senhor de idade a mimar o Michael Jackson (já depois de falecido) e, decidindo referir as alterações da crista de CR7 e mais uma ou outra consideração menos abonatória em relação ao craque, consegue a unanimidade em redor da indignação, o consenso impossível, a coesão almejada, a união de forças, de um país que se sentiu humilhado, achincalhado e desconsiderado.

Nunca ninguém, no passado ou no presente, cometeu equivalente afronta ao país dos igrejos lusíadas.

Um Conselho de Ministros foi interrompido para que o governo de Portugal declarasse a sua mais profunda revolta perante o acontecido. Mota Soares foi impedido de apresentar a lei que limita o número de avós que um apartamento pode acolher, Crato não teve tempo para referir o número mínimo obrigatório de alunos por metro quadrado, Conceição Cristas não pode apontar os estudos que vão permitir estabelecer o número máximo de jibóias, de periquitos, de tarântulas e de iguanas que um casal de portugueses pode sustentar. Outros valores mais altos se alevantaram. Multiplicaram-se os artigos erguidos do chão enlameado onde Blatter colocou os portugueses. Sucederam-se petições e abaixo assinados ao lado de blogs surgidos com o único intuito de exigir a demissão do ofensor. Fizeram-se manifestações à porta do Parlamento mostrando Portugal preterido e humilhado erguendo a sua voz.   

Entretanto, o supostamente ofendido, aconselhado pelo batalhão de assessores de imprensa e de imagem que ganha num mês o que a totalidade dos manifestantes revoltados ganha num ano (devido ao alargamento do horário de trabalho os funcionários públicos não participaram, o que faz descer para apenas doze meses a década prevista) responde lindamente ao senhor de idade que tem imensa queda para aprovar o envio de jogadores para o Inferno.

Em simultâneo à continência vingativa, o ícone português, contrariando à vista desarmada o artigo publicado na Proceedings of the National Academy of Sciences que comprova que os homens com os testículos pequenos tendem a colaborar mais nos cuidados com as crianças, mostra-se pelas ruas e avenidas vestido apenas com as cuecas que quer vender, não deixando de lembrar aos jornalistas que quem compra um filho, compra-o por gosto. 

Joseph Blatter é um senhor idoso que se tornou patético.

O País torna-se patético quando levanta tempestades de poeira onde se deve apenas tocar com o tacão.

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