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Ilustração - Fernando Vicente


A Gaffe vitoriana

rabiscado pela Gaffe, em 11.01.14
Angela Venable

Angela Venable é uma enigmática joalheira capaz de produzir peças, talvez demasiado exuberantes, mas maioritariamente feiticeiras, susceptíveis de se verem incluídas na corrente estética  Steampunk que procura envolvimentos vitorianos e da revolução industrial, embora o movimento não se restrinja à Inglaterra ou mesmo ao continente europeu, podendo focar-se nas culturas não ocidentais, num futuro alternativo ou mesmo em épocas e cenários indefinidos.

Apesar de muitos dos trabalhos mais emblemáticos da estética steampunk serem dos anos 60/70, o termo, possivelmente inventado pelo autor de ficção científica K.W. Jeter - que escolhe cenários do século XIX (geralmente vitorianos) desafiando as convenções e regras da sociedade colocando-a em situações improváveis e recorrendo a máquinas retro-futuristas - , só apareceu no final da década de 80, como uma provocação ao cyberpunk tão em voga nessa década.

Em Abril de 1987, numa carta escrita à revista de ficção científica Locus, Jeter refere em público pela primeira vez o termo que iria passar a denominar toda uma estética:

Dear Locus,
Enclosed is a copy of my 1979 novel Morlock Night; I'd appreciate your being so good as to route it Faren Miller, as it's a prime piece of evidence in the great debate as to who in "the Powers/Blaylock/Jeter fantasy triumvirate" was writing in the "gonzo-historical manner" first. Though of course, I did find her review in the March Locus to be quite flattering.
Personally, I think Victorian fantasies are going to be the next big thing, as long as we can come up with a fitting collective term for Powers, Blaylock and myself. Something based on the appropriate technology of the era; like "steampunks", perhaps (...)

 K.W. Jeter

 

Um elemento que parece ser omnipresente nesta estética é a adaptação de tecnologias ultrapassadas a invenções futuristas que reproduzem máquinas e equipamentos impossíveis, engrenagens, dirigíveis, máquinas voadoras que aparecem muitas vezes como elementos cruciais da acção steampunk cujo motor é quase sempre a resistência a uma sociedade injusta, opressora ou em convulsão. O herói steampunk é símbolo da revolta e da luta determinada contra a injustiça, a arbitrariedade, a angústia, a selvajaria e a brutalidade civilizacional, podendo a acção cingir-se a um navio, um dirigível, uma estação de comboio, ou englobar uma cidade, um país ou mesmo um planeta.

É curioso perceber como actualmente a estética steampunk, graças a variadíssimos talentos - Gail Carriger e os seus vampiros e lobisomens; Cherie Priest e os zombies criados pela acção do Blight; Cassandra Clare e os seus anjos escuros e ferrugentos; as recentes versões cinematográficas de Sherlock Holmes, de Os Três Mosqueteiros ou de A Invenção de Hugo Cabret, todos claramente steampunk – se eleva da sua posição marginal, começando lentamente a invadir o vocabulário, as prateleiras e os cinemas, provocando uma invulgar valorização de tudo o que é vitoriano, de tudo o que é revivido pela linhas de força deste movimento.

Angela Venable é steampunk e os seus corpetes, relógios de bolso transformados em colares, pulseiras repletas de roldanas e mecanismos de corda, goggles, engrenagens e toda uma parafernália de objectos que são por ela reorganizados, se não nos ajudam a combater a opressão, pelo menos criam um allure próximo de quem o faz com uma convicção alicerçada no passado, mas com todas as roldanas no futuro. 

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