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Ilustração - Fernando Vicente


A Gaffe olímpica

rabiscado pela Gaffe, em 26.04.14

É certo e sabido que o desporto produz fotos excelentes que nos regalam os olhos e nos deixam a salivar.

É tudo tão bonito (em todos os sentidos e formatos) que se torna difícil escolher uma imagem que mereça destaque. Ficamos sideradas com tudo aquilo que vemos mergulhar, esbracejar, correr e saltar, pular e rodopiar no estádios, rampas ou piscinas. Um corrupio nunca visto tão juntinho de grandes e valentes rapagões.  

Um fotógrafo, se quiser ser mais original, não se pode limitar a captar as imagens que todos os outros coleguinhas facilmente apanharam já também. É apontar a objectiva para qualquer lado onde se agitam os atletas e rapidamente se faz uma brilhante fotografia de nos fazer levantar do sofá com as pernas tortas ou flectidas.

Exactamente por isto, escolhi uma de Rhys Howden. Não sei quem foi o responsável pela imagem, mas a verdade é que o pólo aquático fica muito mais interessante com este rapaz na equipa australiana. 

Apesar de não o favorecer muito e da presente e reduzida reprodução  não fazer justiça ao ar malandro do rosto atleta, a fotografia, mostrando-o no momento que antecede a entrada em competição, é um achado e consegue captar a expressão quase irónica de quem se sabe observado e gosta de se sentir olhado sem o reconhecer de forma aberta.

As texturas que o envolvem são incríveis e a luz faz delas um cenário próximo daqueles onde (fala o estereótipo) se moviam os gladiadores antes da entrada na arena para o confronto com os outros leões.  

Não é o repouso do guerreiro. É o momento exacto que antecede a luta e apesar de poder escapar facilmente do catálogo que reúne as fotos habituais neste tipo de evento, é sem sombra de dúvida uma fotografia olímpica de um semideus que espera medalhas.

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A Gaffe caminhante

rabiscado pela Gaffe, em 26.04.14

Há uma grande probabilidade dos presidentes dos Estados Unidos morrerem podres num rancho qualquer na Califórnia ou no Texas. Isto, claro, se ninguém se lembrar de os assassinar primeiro no meio da peça ou no centro da avenida.

É certo e sabido.
A morte de G. Ford (no seu rancho californiano, evidentemente) e as passeatas que por aqui faço com a minha avó, recordaram-me, não o famigerado e infeliz presidente que sofreu a desgraça de substituir o escabroso Nixon e padecer do fracasso vietnamita, mas (sofra-se a confusa miscelânea presidencial) Mrs. Nancy Reagan!


Uma mulher nunca é demasiado magra.


Esta máxima, elaborada pela cowgirl que casou com o homem que achava que as árvores eram causadoras de danos ambientais, pode ser considerada pretexto para os gigantescos passeios de início de Primavera com que, pela tarde de fim-de-semana, eu e a minha avó queimamos calorias.
Esguia, delicada, delgada e subtil, a minha avó jamais poderá amaldiçoar as suas inexistentes gorduras, flácidas rotundidades ou circular corpulência, mas a fogueira que insiste em atear nestes passeios tem como único objectivo o calor cúmplice, exclusivo, que se cria entre ambas.
Diz-mo enquanto encosto a cabeça ao seu braço, pendurado nele que me envolve.


Descubro que há diversos e distintos modos das pessoas que mais amo caminharem comigo.
Prendo o meu corpo à minha avó como serena trepadeira, mimada, terna e doce, com a certeza de que o muro é bem sólido e que posso deixar que as folhas se espraiem sem medo ou queixume.
A minha mãe, namoriscando, tomba presa no meu pulso, como uma breve e minúscula pulseira de oiro batida pelo sol.
O meu pai caminha comigo como se eu fosse um alfinete de gravata: dispensável, mas que se quer mostrar, porque se ama.
A minha irmã leva-me com ela, mas nunca vem comigo.
A minha prima pendura no meu braço o seu corrosivo humor, a sua indomável inquietude e a sua irresistível obstinação e rebeldia e transforma-se na mais aventurosa das cúmplices, na mais destemida aliada. 
O meu irmão é bem maior que eu. Caminha comigo e sei sempre onde piso. É como ter um mapa e uma bússola, sextante e astrolábio. Sabemos onde fica a estrela certa.


Mas só o meu avô sabia caminhar sorrindo devagar toda a jornada.  

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