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Ilustração - Fernando Vicente


A Gaffe activista

rabiscado pela Gaffe, em 31.05.14
Embora seja habitual política da Gaffe, quando há vassourada, estar sempre do lado da vassoura, nunca hesitou ficar na linha da frente, do lado dos que apanham com as mangueiras, e enfrentar, não de peito aberto, mas de decote generoso, as forças militares que marcham em nome de monarcas.

Sobretudo quando estão bem equipadas.

 

Viva a República.

Foto de G.Drygg

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A Gaffe diária

rabiscado pela Gaffe, em 30.05.14

O rigor de uma escrita lapidada e concisa que subentende uma oficina da palavra em constante actividade. Um blog de quem (de quem?) é capaz de estabelecer uma das mais difíceis ligações com o leitor: a que dispensa o diálogo possibilitado pela presença do comentário, porque consegue que o que é dito seja reescrito, transformando o lido em coisa nossa. Em cosa nostra.  

Um blog indiscutível, imprescindível, onde o uso da língua é de um acerto exemplar e de uma qualidade inusual.

Um punhado de viagens sem leme, mas com bússolas.

Uma despesa diária obrigatória.   

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A Gaffe hesitante

rabiscado pela Gaffe, em 29.05.14

Talvez a Amizade possa ser mais exigente do que o Amor. Afinal, não tem as mesmas compensações.

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A Gaffe em pé de guerra

rabiscado pela Gaffe, em 29.05.14

Facilmente nos tornamos prisioneiros daqueles que são donos do que desejamos e daqueles que possuem o que evitamos.
Cada um destes carcereiros se transforma em potencial inimigo.
Nunca recusei uma guerra. Aberta ou surda, sangrenta ou subtil, sempre a encarei olhos nos olhos.
Sempre fui uma guerreira e sempre ergui estandartes, mesmo em nome de minúsculos motivos ou de causas insignificantes que reportava como dignos de tornar bandeiras.

 

Apesar de guerrear, nunca levo completamente a sério os meus campos de batalha e em relação aos inimigos se não os posso vencer, confundo-os.  

Creio que este é o segredo de todas as vitórias. 

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Gavetas:

A Gaffe dolorosa

rabiscado pela Gaffe, em 29.05.14

Há dois modos de transportar a Dor: por dentro ou por fora. Ou se sofre ou se faz sofrer.

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A Gaffe com bichinhos

rabiscado pela Gaffe, em 28.05.14

Os nossos bichinhos merecem tudo!

Mesmo quando não estamos, nós, raparigas espertas, a referirmo-nos aos rapagões que povoam as avenidas dos nossos contentamentos, temos de admitir que é sempre fofinho entregar ao bichinho o design nascido em Paris que tem como papás Marc Ange e Fred Stouls, da Chimère, a primeira loja dedicada aos móveis contemporâneos para os nossos bichanos.

Um mimo para quem, embora conheça os homens, cada vez gosta mais dos outros animaizinhos. 

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A Gaffe desconfiada

rabiscado pela Gaffe, em 27.05.14


Dear Gaffe!
You’re officially invited to Call the Tune Outfit Award. Your blog has been selected as one of the ones to watch by our team of fashionistas.

Call the tune is a project made with the support of VOGUE TALENTS: fashion designers worldwide present new fashion collections and projects before they hit the market.

The Call The Tune Outfit Award has been created for the best fashion bloggers to be involved in this prestigious network.

(...)

 

Hum... Aqui há gato.

Espero que seja o Garfield, porque se for outro, não mio.

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Gavetas:

A Gaffe com corta-unhas

rabiscado pela Gaffe, em 27.05.14

Não é nem bonito, nem aconselhável, cortar as unhas em público, sobretudo quando usamos aqueles instrumentozinhos de metal, que fazem uns cliques de arrepiar, porque nunca sabemos a direcção exacta daquilo que sai disparado, mas, à época, o sonoro ainda mal tinha deixado as fraldas e, portanto, perdoa-se o mal que se ouve pelo BOM que se vê.

Foto - US marine, NY - 1950

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A Gaffe antidepressiva

rabiscado pela Gaffe, em 26.05.14

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Gavetas:

A Gaffe com um cartão de visita

rabiscado pela Gaffe, em 26.05.14

A primeira impressão perdura mais do que aquilo que se pensa. A imagem que retemos mal avistamos o que desconhecemos, influencia demasiadas vezes uma apreciação futura e objectiva.

A importância de cartão de visita é notória e existe uma panóplia de criatividade a coadjuvar estes pequenos, mas significantes, modos de nos apresentarmos a alguém.

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A Gaffe arrepiada

rabiscado pela Gaffe, em 25.05.14

Assumo!

A única maneira de me fazerem desistir de rapagões barbudos é apelar aos criativos que engendraram esta convincente campanha publicitária.

Assusta-me imenso beijar alguém que traz um animal peludo e ameaçador nos queixos.

Para bichos peludos e sinistros agarrados à cara das pessoas, decididos a não descolarem da ideia de me arrepiarem, já bastam os que comigo trabalham.

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Gavetas:

A Gaffe corrupta

rabiscado pela Gaffe, em 23.05.14

Embora a minha irmã tenha feito um levantamento demográfico, económico, social, geográfico, espiolhado as redondezas, queimado terra, devastado as ruas e passeios e (talvez saibam os deuses!) tenha cravado a unha na demissão de potentados, não conseguiu impedir que a minha avó tivesse de recorrer à repartição de Finanças em busca da esmeralda perdida de um documento relacionado com o meu perdido avô.

Quando me atrevi a resmungar, reprovando a forma como a maninha tentava ultrapassar burocracias e fazer com a espera fosse drasticamente anulada, o resultado da contenda foi ensanguentado: 

- Quando decidires ser hipócrita, tenta sê-lo com alguma sedução. Agora vai brincar, enquanto tento que a avó passe à frente de trinta e duas velhinhas, doze caquécticos e quatro crianças. 

 

Conseguiu.

Na repartição de Finanças da área de residência, ficamos sentadinhas nas cadeiras depois de nos dizerem que já tinham sido informados e que nos atenderiam logo que saísse do gabinete uma das tais velhinhas resistentes à sanha exterminadora da minha irmã.

 

Esperar é uma maçada.

Esperar é uma estopada.

Esperar é um aborrecimento.

 

Quando a senhora entrou, amei-a de imediato!

Pequenina e encolhidinha, com olhinhos minúsculos e sorriso de deslumbramento fácil. Embrulhada em xailes e de papel na mão, perdida e minúscula, sumida e miúda, confusa e errante.

Ajudei.

Não foi uma forma de serenar a minha consciência. Já tinha abençoado a minha irmã pela manipulação das filas. Mas quando ela sorriu, o meu coração ruivo recolheu o mel e disparou solicito.

No guichet usei o ficheiro 315/SE – Sedução de Emergência – que consiste numa aproximação tímida, levemente embaraçada, com uso do franzir de sobrancelhas, inclinação breve junto à cana do nariz, provocando uma brevíssima brisa de desprotecção, evitar o contacto visual (o que inevitável cria uma sensação de timidez irresistível), desviando sorrateira os olhos quando sou olhada e, finalmente, um humedecer estratégico do lábio superior com a pontinha da língua, num desmaio dela!

Resulta sempre.

O rapagão do guichet derrama-se, esfarela-se, entorna-se e a velhinha por quem me apaixonei é envolvida por atenções pouco vulgares. Missão cumprida.

Sorri (é tão formoso o sorriso da senhora!) e num lance de perfeita carteirista, sinto-a tocar na minha mão quieta.

 

Na palma da minha mão espantada, deixou malandra um euro de gorjeta.

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A Gaffe à espera

rabiscado pela Gaffe, em 22.05.14
Tinhas-te enganado no bairro, na rua e inevitavelmente no número da porta, por isso a chuva havia destruído os dois croissants com amendoim e amêndoa, Boulangerie La Môle, Rue de Tourene, empapando o saco retro, pardo, com um cozinheiro balofo e sorridente desenhado a azul. Os braços do homem desfaziam-se, alastrando pelo papel pingado e o traço do sorriso resvalava numa gota azul que escorria rápida, sobrevivendo ao empapado embrulho.

Senti o teu perfume muito antes de te sentir os passos, de sentir a tua luva a deslizar no corrimão. O teu perfume altera-se quando a tua pele o toca, por isso, mesmo cega, te reconheço entre milhares.

Trazias o sobretudo bege, aquele que tu gostas e dura há tanto tempo, manchado pela chuva. Nos ombros os desenhos da água do céu escuro de Paris, como se dos olhos tivessem tombado os arabescos tristes. Sorrias quando me mostraste o teu guarda-chuva desdentado pela força do vento e te sentaste no chão mesmo ao meu lado.

 

- Vim esperar contigo. Podemos esperar aqui, os dois, o tempo que quiseres.

 

Abraçaste-me e foi então que comecei a chorar, aninhada em ti. Chorei mais do que a chuva. Encharquei-te o peito de soluços e ganidos.

Ficamos quanto tempo? Quantas horas durou o meu corpo a desfazer-se em água?

Quanto tempo levei a decidir matar o tempo de esperar?

Foi ali que aprendi contigo que a espera só se torna vã no momento exacto em que a nossa alma assim o decide, mesmo sem sabermos porque o fez.

 

Há dois mendigos eternos (tu e eu, ali) que esperam por Godot. Há um povo perdido a aguardar um rei sifiliticamente mágico que perdeu no sol. Há um poeta a sonhar ser amado como um dia amou. Não há esperas inúteis até ao momento em que as transformamos, mesmo sem saber, em vazio incómodo.

Um povo, dois mendigos e um poeta só podem ter razão!

A espera continua a vida, mistura-se com ela até ser viva. Integra a nossa alma até ser pedaço dela, indivisível, inalienável. Não adia o tempo de viver, porque é já ele.

 

Gostava de me atravessar na porta por onde o tempo passa. Impedir que se escoe, que desapareça. Talvez então eu conseguisse fazer a morte parar, ficar à espera. Talvez então encontrasse um modo de entregar a alguém o tempo que é meu e de que mais me orgulho: as horas empapadas em que eu esperei. Esse tempo exacto. Esse intervalo nítido que finda no instante em que me levantaste porque sentiste a minha espera desistir, abandonar-me a vida.

 

Paris?!

Paris espera sempre, porque nada como o fio ténue de uma espera para nos segurar ao lugar de onde partimos.

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A Gaffe vernácula

rabiscado pela Gaffe, em 22.05.14

Acho engraçado, embora um niquinho irritante, uma pessoa escrever uma qualquer palavra menos sofisticada usando asteriscos pelo meio. A coisa fica mais ou menos assim:

c**alho

Imagino sempre uma noviça toda corada a espreitar os panos que tapam a p*la ao crucifixo ou a esconder debaixo do colchão fotos eróticas que todo o convento já viu, porque foram tiradas pelo Sr. Abade e a figuração foi feita pelas outras freiras.

Ou outra m**da assim.

 

Mas isto sou eu que sou uma rapariga grosseira. 

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Gavetas:

A Gaffe seduzida

rabiscado pela Gaffe, em 21.05.14

O princípio do amor é quando a inventada nudez deixa de ser necessária à sedução.

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