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Ilustração - Fernando Vicente


A Gaffe do facebook

rabiscado pela Gaffe, em 08.05.14

 De acordo com o estudo da Universidade do Missouri, citado pelo Mashable, publicar no facebook uma vez por hora ou uma vez por mês indica o estado mental em que a pessoa se encontra.

 

Os investigadores universitários estudaram 200 estudantes examinando os seus níveis de extroversão e defesa em relação a crenças estranhas. Depois, pediram-lhes que imprimissem o seu feed do facebook, com a opção de censurarem partes da cronologia que não achassem adequadas.

 

O que eles optaram por esconder foi precisamente o que revelava informações sobre os seus estados psicológicos – diz a investigadora Elizabeth Martin.

 

Alguns estudantes evidenciaram anedonia social, uma incapacidade de sentir prazer com a comunicação e interacção com outros. Os sintomas iam do desligamento social a crenças estranhas e essas mesmas pessoas eram as que publicavam menos fotos, comunicavam menos frequentemente via facebook e tinham uma rede com menos amigos.

Outros deram sinais de paranóia, tendo em conta a quantidade de informação que esconderam do seu perfil.  

 

Valha-me Deus! Sou ao mesmo tempo paranóica e anedónica.

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Gavetas:

A Gaffe metamorfoseada

rabiscado pela Gaffe, em 08.05.14

Com um bom gosto irrepreensível, a minha irmã tem a tenebrosa tendência para aproximar as gentes das imagens que delas recria e que tem a certeza são as certas. Por essa razão, é perigoso soltar a inocente frase que nos condena ao suplício:

- Ajudas-me a escolher?

O inocente é então domado por completo. Resiste armado até aos dentes com sucessivos NÃOOOOO!  ou sofre metamorfoses impensáveis. Não há outra saída.

Depois é só esperar. Às vezes dá erro e diverte imenso.

Tenho o prazer raro de assistir a mudanças, reformas, mutações e reviravoltas diversas.

Atingem inocentes que, na mais perfeitas das canduras, permitem que a minha irmã opine e deixam que ela escolha o que, segundo diz, lhes pertence desde sempre e, caso haja hesitações, caso se atrevam a apontar timidamente uma ou outra banalidade de que gostam, ouvem silvar a seta disparada:

- Não! É engano teu. Eu SEI que tu não gostas.

 

O caso do meu irmão é paradigma.

O pobre homem é um gigante meigo e manso, dócil e maleável nas mãos certas ou naquelas que manobram com sucesso e desde sempre nas mais ínvias estradas desta vida.           

A minha irmã de dedos longos de ave de rapina ou bisturi, vestido escarlate e olhos pardos, predadores, prende e segura, domina e avassala, as escolhas do colosso antes que o colosso escape sem a ouvir, para longe daqui.

Então foi vê-lo, inadaptado e pasmo, com ar perdido e resignado.
- Trocar de botas. Longe, muito longe as já cansadas botifarras sujas.

- Calças? Oh! mas nem sonhar com essas, castanhas sem pingo de charme, com um ar de cavalheiro antigo.

- Blusões de malha bem grossa? Eventualmente serão os permitidos. Se não houver tranças ou risco azul-escuro ou decote em V. Mas tens de usar mais lenços! Adereços! Cores! 

- Nada de camisas lassas como velas.

- Nada de terra na cor ou na mancha. É urgente colorir-te.

- Cinto renovado que o velho está gasto e, pasme o planeta, tem nódoas no couro.

- Blazer novo? Pois sim. Mas não de espinha, não um beje claro, mesclado de cinza. Tens de usar mais cor!

 

Conformado e zonzo, perdido e espantado, mas já galhofeiro, o meu pobre irmão, colorido Gatsby, personagem solta e a tocar o tonto, dentro dos vinhedos, desgarrado e perto das raízes, no outro lado do paraíso, terno como a noite.

 

Já perto do fim, murmura-me ao ouvido:

- Não ligues. Deixa-a divertir-se. Eu no avião troco de roupa. 

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