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Ilustração - Fernando Vicente


A Gaffe beijoqueira

rabiscado pela Gaffe, em 15.05.14

You must remember this 
A kiss is just a kiss, a sigh is just a sigh 
The fundamental things apply 
As time goes by

(…)

it's still the same old story 
A fight for love and glory 
A case of do or die 
The world will always welcome lovers 

As time goes by

 

A Gaffe acorda a cantarolar uma das mais belas canções que se escreveram.

Não se sente a Bergman, de rosto redondo, enevoado e de olhar soturno envolto em lágrimas, porque fica esbardanhadamente arrepiada quando percebe que vai ter de se enfiar num avião.

 

Depois entende a súbita mudez de Armstrong quando fica atónita perante o redemoinho que coloca o beijo de Daniel Carriço a Ivan Rakitić (ou vice-versa) nas parangonas de todos os jornais.

As reacções divergem de jornalista para jornalista. Vão desde o coma induzido pelo beijo, ao choque anafilático, passando por recalcamentos da libido de rabo de fora, ciúmes inflamados e bênções melífluas e maliciosas.

 

A Gaffe sempre pensou que todas as vitórias e todas as derrotas se deveriam festejar com um beijo na boca. O beijo relativiza o universo inteiro. Fornece-lhe a humildade do saber vencer e minimiza a rugosidade do fracasso.

Tudo devia começar por um beijo daqueles.  

 

A Gaffe lamenta os pobres jornalistas que fazem de um beijo daqueles, cerne de notícia.

 

They never had Paris.

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A Gaffe cinematográfica

rabiscado pela Gaffe, em 15.05.14

Não sou grande fã de Liza Minelli e confesso que aquela história do ícone gay só tem piada pela ameaça de cacofonia que traz apensa. No entanto, gosto de Cabaret e quando o vi pela primeira vez fiquei encantada com o boneco fantástico criado por Joel Grey, um MC repleto de ambiguidades e com uma subtil e fascinante androginia, uma espécie de marioneta inteligente que move os seus próprios fios.

 

Fiquei-me por aqui.

 

Acontece que acabo de saber que Michael C. Hall tinha sido nomeado para melhor actor principal, na categoria de série dramática, com a interpretação de Emcee, em Cabaret.

Sou uma rapariga muito curiosa e com uma memória bastante sólida. Lembrava-me de Joel Grey (ainda lhe ouvia a voz nasalada e ligeiramente sinistra a saudar o público) e decidi espreitar esta nova versão do boneco.

Com Michael C. Hall, o MC adquire uma animalidade talvez desnecessária e o guarda-roupa, apesar de notável, deixa-me a pensar se o fraque escolhido por Bob Fosse para dar corpo ao Master of Ceremonies não surtia com maior eficácia o efeito desejado, ou seja, criar uma cumplicidade obscura com o elenco que trabalha no palco e quase ameaçadora com o espectador que o vê.

Se Joel Grey era um bicho inqualificável pelo fugidio e pela indefinição e quase a tocar as margens do repugnante, que são os lugares da atracção doentia, Michael C. Hall é um animal poderoso, apelativo e físico.

 

Escolho, porque sou uma rapariga muito mais perversa do que se possa pensar, o primeiro.

 

No entanto, se pudéssemos seguir os passos desta fantástica personagem, posteriores ao Cabaret, perceberíamos que Michael C. Hall encaixa nesse derivar como uma luva. Afinal, foi transformado em assassino em série.

Seja com o for, ambos são parecidos com cada um de nós. Tentamos todos atrair o que é preciso, ganhar o necessário, agarrar o desejo dos outros, roubar a consciência do errado usando aquilo que temos à mão, disfarçando aquilo que somos de verdade ou travestindo-nos de nós. Acabamos longe do que éramos ou a assassinar em série pedaços do que somos.

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