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Ilustração - Fernando Vicente


A Gaffe simétrica

rabiscado pela Gaffe, em 17.05.14
O conceito de beleza (falo de beleza física) é um fenómeno volátil, divergindo no tempo e no espaço, dizem os entendidos.

Uma rapariga bonitona e gorducha amada por Rubens, não é considerada digna de piropos atrolharados passados pouquíssimos séculos.

Sabemos que hoje basta uma quantidade ínfima de anos para alterar o conceito. Beatriz Costa era linda de morrer e de fazer moda e hoje brilha a radiosa Rita Pereira no panorama caseiro. A antiga namoradinha de Lisboa é agora apenas uma boa actriz. A Rita Pereira é por enquanto apenas boa atrás.

Há no entanto qualquer detalhe que falha nesta consideração.

Há quem afirme que existe uma especial característica na beleza que atravessa os séculos e é, em todos, revogada e reafirmada. A beleza possui, portanto, uma característica que não passa despercebida a um construtor de pirâmides, a um legionário do Império Romano, a um renascentista emproado, a um barroco floreado, a um maneirinho maneirista, a um iluminado aborrecido, a um romântico escanzelado e por aí fora que já se faz tarde.

Torna-se curioso saber qual é a característica que unifica este conceito tornando-o transversal e, mais do que isso, omnipresente.

 

A simetria!

 

Um rosto simétrico atravessa o tempo e o espaço e é considerado belo, quer seja no deserto de Gobi, quer seja na Cochinchina, quer seja ainda na rua que atravessamos hoje de manhã, no tempo do arroz de quinze, no da Srª Merkel e no que virá depois (caso vier).

Se o lado esquerdo de um rosto e de um corpo é igual ao seu lado direito, temos festa e piropos atrolharados pela certa.

A Beleza é simétrica, diziam alguns gregos velhos e diz o senhor Ramiro que não conta porque que vê beleza em tudo, vendo a dobrar, engarrafado em vinhaça.

Não me custa acreditar. Embora me seja penoso verificar que tenho uma orelha colocada um bocadinho mais abaixo do que a outra e que o meu braço esquerdo é imperceptivelmente mais pequeno do que o direito, não recuso o reinado eterno da simetria.

No entanto, seja lá pelo que for, olho fotografias como esta, de gente banal e sem história, e penso que, simétrica ou não, esta gente perdida no tempo e até no espaço, contém essa extraordinária beleza do que fica apenas porque não tem nada mais do que a verdade do que vejo, transformando o que vejo no que é belo e provando sem lugar para dúvidas que, como diria o meu querido amigo, só o passado é eterno.

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