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Ilustração - Fernando Vicente


A Gaffe anónima

rabiscado pela Gaffe, em 30.06.14

Estava eu muito descansadinha a mordiscar o meu croissant da manhã quando uma rapariga esperta que trabalha comigo, de quem sou muito amiga e que me pediu para manter o anonimato logo que lhe disse que ia esbardalhar tudo aqui (ai! não digas que sou eu. Parece que fico nua!) me confidenciou que não andava nada, mas mesmo nada, virada para o sexo.
Fiquei intrigada. Então a mulher tinha alguma vez andado virada para ali?! Se sim, compreendia-se as dores no pescoço que diz que a atormentam.
- Francamente! Eu quero dizer que não ando com disposição para ter sexo todos os dias. É só.
Ainda mais intrigada fiquei. Então a rapariga tem tido sexo todos, repito, TODOS os dias?! Mas isso é possível sem a gente ficar com umas olheiras sinistras e com uma canseira descomunal?!
- Às vezes, são três...
- Três?!
- Três da manhã e o homem não larga! Mas também serve para referir o que pensaste. Juro-te que já ando fartinha. Às vezes só me apetece tomar um banhinho e adormecer descansadinha. Ainda por cima não tenho coragem para lhe dizer que só tive orgasmos nestes meses todos com muito esforço meu.
- Devias.
- Devia o quê?
- Dizer-lhe. Se voltas a confidenciar-me coisas dessas, digo-lhe eu.
- E fazias-me esse favor?
- Não! ‘tás parva?!
- Não custou nada tentar.
- Devias procurar chegar a um consenso. Fazias sexo às segundas, quartas e sextas e ele às terças e quintas e sábados. Ao domingo faziam os dois.
- Olha! Não é má ideia. Achas que ele vai nessa treta?
- Se for inteligente, vai ficar muito espantado contigo e com a tua proposta e tu ficas logo livre dele.
- Enfim, não é totó de todo, mas também não é nada brilhante.
- Então vai aceitar.
- Sabes que mais? Ainda um dia te enfio o sarcasmo pela garganta abaixo.

Porquê?! Pergunto eu. Então não é uma proposta a considerar?! Um homem que faz sexo TODOS os dias, várias vezes ao dia, e que ainda não percebeu que a pobre da mulher só teve orgasmos com esforço próprio, não merece que o tratem como gente.

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A Gaffe no autocarro

rabiscado pela Gaffe, em 30.06.14

e a vida é bela!

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A Gaffe jardineira

rabiscado pela Gaffe, em 30.06.14

Temos plantas no cérebro – diz um jardineiro de palavras.

A chegada do sol aos jardins faz com que nos apeteça criar os nossos próprios paraísos perfumadas em casa.

As estrelas internacionais da jardinagem, Tony Howard da De Plot to Pot e Benjamin Ranyard da Higgledy Jardim, juntamente com Nik Sul da Grace & Thorn, oferecem algumas pequenas sugestões ao aspirante a jardineiro de cidade. Desde os melhores legumes para crescer num ambiente urbano a um uso kitsch para as garrafas que vamos descartar, passando por um terrário fácil de executar, os nossos especialistas de jardinagem orientam os primeiros passos para o oásis urbano com que sempre sonhamos. 

É reconfortante e gratificante em ver algo natural crescer perto de nós. O jasmim cresce muito facilmente e tem um perfume absolutamente inebriante. Crie um pequeno espaço cheio de plantas em vasos de terracota. São de baixa manutenção, de todos os tamanhos e cores e conseguem viver em qualquer coisa - copos de ovos, rolhas, garrafas velhas, frascos de conservas (…). Pode até mesmo fazer um jardim vertical, usando caixilhos antigos e alguns arames. Os terrários são uma excelente forma de se ligar a natureza dentro de casa. Encha uma redoma de vidro ou frasco de pedreiro com plantas apropriadas, musgos, cascalho e casca - as combinações são infinitas. 

Às vezes, o único espaço para jardim é dentro de casa. Mesmo num pequeno apartamento as plantas são imprescindíveis. Tudo o que precisa é de um pouco de luz e de plantas certas. A jardinagem vertical é uma excelente maneira de utilizar ao máximo o espaço exterior. As paredes podem ser perfeitamente coloridas com vasos entregando ao espaço um toque exuberante. Samambaias, bromélias, cactos, ervas e até legumes, criam facilmente um jardim vertical. 

 As flores sazonais! São as estrelas rock do universo floral. Calêndulas, rúcula ou zinias, vivem pouco e morrem jovens, mas abrem um belo trilho de cor e de formas gloriosas. Na cidade, pode fazer crescer facilmente flores sazonais em pequenos recipientes, porque as raízes são geralmente apenas de seis centímetros de profundidade.

As sementes não são de todo caras, por isso pode valer a pena espalhar algumas num terreno baldio e ver o que acontece.

As cidades são óptimas para o cultivo de hortaliças! Normalmente as temperaturas são ligeiramente mais elevadas o que significa um jardim a florir mais cedo. Podemos fazer crescer um monte de salada, ervas e tomates no Verão e nos meses de Inverno folhas chinesas como pak choi, salada de milho ou rabanete espanhol. Algumas das frutas mais exóticas e vegetais como açafrão, limão, batata-doce e gengibre são fáceis de cultivar.

Olhe ao seu redor e veja o que cresce bem na sua área. Escolha as plantas que gosta e comece por aí. Pode experimentar as mais complexas mais tarde. 

Lembre-se sempre que o cultivo de flores não é de gratificação instantânea. É uma viagem cíclica a partir de sementes e flor, de flor em semente. É necessário aprender a obter prazer em preparar terreno na Primavera e semear na estação certa. Nunca compre sementes antigas e não se esqueça de um bom chapéu.

Se não tiver ficado fascinada com a proposta ou encontrar muitas pedrinhas no caminho, não desanime! Há sempre a possibilidade de suplicar ajuda ao valentão solteiro, musculado e bronzeado que passa o tempo a aparar o jardinzinho em frente.

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A Gaffe e uns queridos

rabiscado pela Gaffe, em 29.06.14

Dear Gaffe,

 

You’re officially invited to the Endless Fashion Week - Bloggers Hub. Your blog has been selected as one of the ones to watch by our team of experts.

 

The Bloggers Hub is the online destination home to find the resources that you need to cover all the fashion projects that designers are launching worldwide and to receive our Endless Fashion Week’s official certificate for your blog and high quality content.

 

Each project needs a certain number of supporters to become a reality. Now your blog posts and opinions have a direct impact on what will be produced.

(...)

You can pre-order the work of international designers before everyone else.

(...)

 

... E não é que é verdade?!?!

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A Gaffe num cálice de Porto

rabiscado pela Gaffe, em 28.06.14

A elegância apenas amadurece como um vinho de eleição, ganhando corpo, paladar, textura, aroma e personalidade inconfundível, se, para além de o fazer em cascos de qualidade única, traz os taninos da inteligência incutidos na história do chão donde proveio.  

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A Gaffe fartinha

rabiscado pela Gaffe, em 27.06.14

A Gaffe deixou de tentar compreender a humanidade.  

Anda uma rapariga esperta a fazer que trabalha e o mundo ainda reclama!

 

Que querem?! Que a Gaffe se esbardalhe a sirigaitar por todo o lado com uma data de papéis nos dentes?! Não há tempo para tudo. Ou está por aqui a rabiscar o que lhe vai na alma sem qualquer tipo de critério e qualidade ou esborracha-se a fazer tudo o que lhe é exigido!

 

Valha-vos Deus!

 

 A Gaffe jura que não tem paciência nenhuma para aturar tipos iguais àquele que está a massacrar-lhe a dieta. Não aguenta homens do tamanho de pigmeus com óculos de massa e cabelo pintado de preto.

 

Um homem com o cabelo pintado é pior do que um com capachinho. Os de peruca arranjam-lhe a bonita: não consegue descolar os olhos daquela coisa. Eles percebem e começam a azucrinar-lhe o juízo. Seja como for, os de cabelo pintado, com personalidade similar, são bem piores, sobretudo quando o couro cabeludo fica roxo escuro ou castanho avermelhado. A Gaffe pensa sempre que se devem ver aflitos quando chove.

Com gagos também nada corre bem. Se a Gaffe não está atenta, passados quatro ou cinco minutos está a gaguejar como eles. Não parece bem! Como tem de estar muito concentrada para que o que diz saia direitinho, acaba por não os ouvir e fica a gaguejar na mesma quando eles lhe perguntam qualquer coisa. 

 

Ter de dar satisfações a um tronco que mesmo de pé parece estar sentado, com os óculos de massa preta do Onassis e cabelo repleto de tinta é bem pior do que manicurar o Freddy Krueger.

 

Uma rapariga não é de ferro, porque se fosse já lho tinha enfiado por qualquer sítio acima.

 

A Gaffe está farta, mas tão farta, tão fartinha que se apanha aqui, depois deste imbecil, a substituta do chefe de serviço a seringar-lhe o descanso, é ela que com as próprias mãos a despe e a deixa estatelada no meio da fotocopiadora a reproduzir-lhe o rabo e vai depois espalhar as fotocópias por aqui fora depois de escrever por baixo:

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A Gaffe azeda

rabiscado pela Gaffe, em 26.06.14

Talvez fosse interessante divagar, mais uma vez, sobre a selecção portuguesa que parece um grupinho de entradotes liderados pelo mais reguila, mas francamente a Gaffe não tem paciência para augurar o futuro da desilusão. Podia ser um post bem interessante se reportasse à contaminação sublimada do poder do estereotipo pelo tablóide e se abordasse o significado do encontro entre vedetismo e mito. Mas a Gaffe não anda com paciência, por isso acaba por não dizer absolutamente nada que valha a pena ser dito (o que é frequente). 

 

Depois anda saturada de todas as análises inteligentes que por aqui se cravam. Aqui significa cá no burgo e cá nos blogs. A Gaffe concluiu que para se ser tido como capaz de se fazer corar de vergonha os mais distraídos, humilhar os maiores pensadores dos séculos passados e vindouros e dar a impressão de que se é um génio obscuro e ignorado por vontade própria, há obrigatoriamente que parecer azedo, amargo, desiludido e mal pago. Deve-se dizer o piorio de tudo o que passe pela frente e premiar doseadamente (não vá a gentalha achar que é do seu agrado) toda a porcaria impenetrável que é sempre de bom-tom considerar que se entende desde o início do tempo, mas que é complexo demais para chegar ao domínio do populacho. O povo, esse aglomerado de lixo diverso, jamais entenderá o que o analista viu e sempre soube. É imperioso dar a entender que sem a sua ajuda os pobres ficarão nas trevas da ignorância.
Se se for pessimista, amargo e azedo, sem parecer frustrado, pode-se arrasar tudo o que quer. Só dá prestígio e desperta naqueles que se considera indigentes (e que grassam por todo o lado, segundo a visão clara do amargoso) a maior admiração e reverência.

É evidente que resulta.

Os azedos que conseguem fazer passar a mensagem que avisa que, sem eles, o mundo era uma pantominice e um lodaçal de parolice, acabam por ser citados a torto e a direito e a arrastar um rol suficientemente largo de seguidores patéticos que não dão um suspiro com medo de represálias e reprimendas do mestre.
Também ajuda uma pitadinha de referências culturais, parágrafos enormes, com frases trapezistas e se possível uma ou outra citação, o mais hermética possível, de qualquer senhor morto e que portanto não pode clamar inocência e espalhar que não era bem aquilo a que se queria ligar. 


Temos pena. - Diz a Gaffe a arrasar de vez e com ácido sulfúrico tudo o que se move à sua frente.

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A Gaffe com um cartoon

rabiscado pela Gaffe, em 25.06.14

Mundial em língua gestual

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A Gaffe nos templates

rabiscado pela Gaffe, em 25.06.14

A Gaffe andou a saltitar pelo universo dos blogs e decidiu que o template do dela é uma pobreza. Uma das hipóteses seria passar os dias a roubar, alterar, macaquear imagens e a tentar seguir as angústias dos designers.


A verdade é que não entende rigorosamente nada de CSS e ter de suplicar ajuda faz correr muito sangue.
Isto dos layouts, dos templates, tem que se lhe diga. Acaba-se por querer que reflicta a personalidade do dono ou a linha editorial (se a houver) do bicho. Quando não se é o dono a trabalhar no dito, arranja sempre modo de achar que não é bem aquilo; que fico ali uma coisinha desnecessária; que se deviam encontrar umas cores mais harmoniosas. Queremos o fundo branco, mas o fundo branco é uma desolação. Queremos o fundo com uma imagem, mas a imagem não pode fazer ruído no texto. Preferimos o fundo branco. Agora queremos uns simbolozinhos que desencantamos, mas não os queremos tão cinza. O tamanho da letra não convence, mas 14 é demais. A linha não pode ser vermelha. Mudamos para preta. Preta não será demais? Pode ser vermelha. Não. Queremos preta. Os macaquinhos não entram?! Pomos macaquinhos. Afinal não gostamos de macacada. Tiramos a macaquice. O cabeçalho não está centrado. Centramos o cabeçalho. O contador fica muito separado do resto. Apertamos o contador. As cores 2015 são o azul-lilás e amarelo-mimosa (surpresa! uma informação do mais inesperado que há!), mas tentar dominar esta parafernália de pantones é uma pantominice e tem de confessar que se aborrece com esta animação.

Para agravar o seu estado de irritação surgem os links!

 

- Escolhe uns quantos dos teus favoritos! 

- Os meus favoritos são os TEUS favoritos. Quando quero ler qualquer coisa de jeito vou aos teus. Não penses que abarroto a minha barra lateral com coisas dessas.
- Baca!
- baca, mas sagrada.
- Então diz-me os que queres lá enfiados.
Fazemos uma lista. Damos-lhe a lista. Coloca a lista. Faltam alguns. Há mulheres a mais nos favoritos? Há.
- Então deixa ficar assim.
- Uma coisa é certa: a tua sorte é eu ser tão paciente, ouviste?! PACIENTE, é o que eu sou. Uma rapariga paciente, mas sem tempo para aturar a tua má disposição.
- Baca.
- Voi.
- Queres só os tipos?
- já não quero nada.

- A ver vamos.

 

Se não virmos é porque a Gaffe foi presa por homicídio. 

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A Gaffe no rescaldo

rabiscado pela Gaffe, em 24.06.14

O luto devido a uma relação que finda não deve durar mais do que duas semanas, embora possamos disfarçar-nos de dolorosas durante um bocadinho mais, para não desiludirmos os puristas.

a Gaffe sempre se considerou uma perita nestas coisas de quebra de relações e sabe que não vale a pena olhamos para os homens das nossas vidas como uma das pastorinhas de Fátima para o extraterrestre (à Gaffe ninguém lhe tira que aquilo foi obra do ET).
As mulheres, as poucas que a Gaffe conhece mais de perto, quando deparam com uma relação moribunda começam de imediato a encetar esforços para distrair a companheira vítima, tentando fazê-la esquecer o mau bocado. Chegam em bicos de pés e convidam-na para sair para aqui e para acolá. É evidente que a Gaffe sabe, porque as conhece bem, que estão com a mesquinhez de saltos altos e o que realmente querem é rilhar o osso. Não sabem que, infelizmente para elas, nunca há grande coisa para roer. Não há luto para mastigar em conjunto e o que quer que tenha acontecido nunca merece grande choro. Afinal é um homem uma das premissas!
O curioso é que se acabe por descobrir que, no meio disto tudo, a vítima muitas vezes é a menos interessada no sucedido. É verdade que lamenta ter um par de apêndices monumentais colados à testa, por exemplo, mas também não acha necessário fazer desta alegoria um dramalhão romântico.

O que se passa é que, geralmente (sublinha-se o geralmente), quando uma ligação que parece estável vai parar ao esgoto, se pensa logo que a mulher que ficou a ver passar o avião precisa do apoio solidário das amiguinhas e ajuda para fazer as malas.

Ora a Gaffe tem um segredo:

Não deixa nadinha seu pelos sítios por onde passa. Mesmo aqui no seu gabinetezinho, se tivesse de se pôr a andar, desandava de mãos livres. Nem uma fotografia tem aqui exposta. NADA. Faz exactamente o mesmo com as suas relações de grandes avançados. Não pousa nada, antes de saber se o soalho é seguro. Como nunca se sabe se a coisa aguenta, acaba por sair mais ou menos bem e de sorriso airoso.

O resto é cantiga.


Quando sentem que o chão está a fugir e com ele vai o grande amor das suas vidas, as raparigas espertas sabem que devem sempre começar por salvar o cão.

É que há sempre a hipótese de lhe tirar o açaimo.

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A Gaffe no CD

rabiscado pela Gaffe, em 23.06.14

Abro uma página web e apanho com uma janela publicitária que me avisa que há um rapazinho que lançou um CD.
o CD tem nome - Só quero que saibas - e o rapaz também: Angel-O.
Devo avisar que nunca no meu despido quotidiano vi o Angel-O. Não sei quem é. Não faço ideia se canta ou se tosse, se dança ou se baila. Não faço questão nenhuma em saber o que faz.
Então, pergunta-se com parcimónia, porque estou eu aqui a referir o rapazinho?!

Há duas grandes razões.
A primeira é porque me apetece.
A segunda é mais simples: o rapazinho tem cara de panão estereotipado (o termo aplicado não é dos mais elaborados, mas acho-o mais ilustrativo do que imbecil).
Então, ranhosa como sou, procuro mais cavacos para a fogueira. Tenho de tirar a coisa a limpo. Não posso deixar de ver se confirmo a minha primeira impressão. Lá ando eu a espreitar o Angel-O pela net fora.
Mas que trolhadeira é aquela?!


Temos um jogador de futebol que é o melhor do mundo, embora pense que Kant é uma penalização em campo - Nã fô fôra de jogue, fô cante; temos um campeão olímpico em salto com eles no sítio (o record e o salto); temos apitos e as pitas rasteiras com mamas de silicone do tamanho de melões de Almerim, pousados nas bancas para quem quiser ver se estão maduros, a apresentar programas infantis (eu vi, juro!); temos o Lobo Antunes a insurgir-se contra os preços dos livros (ok, depois de ter os bolsos cheios à custa desse mesmo preço, mas mesmo assim); temos o Caso dos Submarinos que vai perder o pé não tarda nada; temos o cineasta mais velho do sistema solar ainda em órbita; temos uma cientista que inventou um transístor de papel (não, não sei o que é); temos concursos com a Bárbara Guimarães a fazer aos concorrentes o que alegadamente o Carrilho lhe fez a ela; temos um deputado europeu recém-eleito a rachar nas mulheres vítimas de violência e a afirmar a pés juntos (se os desunisse acho que tombava, porque o achei pedrado) que a Lei era demasiado feminista em relação ao assunto (não compreendi porque não disse que as mulheres deviam era disfarçar e rezar de pé e por causa das coisas e que nada de piquenas a casar com tipos de turbante que rezam de rabo virado para o ar); temos tanta gente a desatar a fugir do país por todo o lado que o primeiro-ministro está careca, tentando esconder a calvície do governo que tem dos que ainda vão ficando; temos a hipótese de, depois da demissão dos Chefes de Serviço, fechar o Hospital de S. João e oferecer um pavilhão multiuso ao Parlamento Europeu e a seguir à fúria dos reitores, encerrar as cidades universitárias e oferecer uns SPA com fisioterapia incorporada à nossa Selecção. 


Não podemos fechar a Assembleia da República e oferecer os nossos políticos aos crocodilos do Nilo, mas temos isto tudo e muito, mas muito mais! Temos até o Angel-O com cara de panão (confirma-se) e músculos em ordem que resplandecem cheios de solário, vestido de índio patacha-turupi-tupinangá a puxar a tanga para baixo para mostrar que tem tudo rapadinho.

A trolhadeirice elevada a estrela.


Somos um País de alto contraste e pleno de diversidade.

Ah! que gande país que somos! qu'a gande e cagande!

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A Gaffe com gatinhos

rabiscado pela Gaffe, em 23.06.14

Como todas as raparigas mimosas, a Gaffe decidiu publicar gatinhos fofinhos.

Depois não digam que a Gaffe é acidulada e fria, sem pingo de ternura por estes bichanos.

Fotografia de Giampaolo Sgura para OUT

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A Gaffe invejada

rabiscado pela Gaffe, em 22.06.14

Uma das características das mulheres pouco espertas é a inveja.

Isto, simplificado e tornado raquítico, é mais ou menos assim: os rapazes gostam de futebol, os gays de ver montras e o mulherio é invejoso. Não há forma de contornar o assunto e de negar a evidência. Uma rapariga tem entranhada no DNA a capacidade de invejar a outra e é capaz do piorio só para arrasar a parceira. Eleva a inveja ao estatuto de obra-prima. Pode disfarçar com meia dúzias de coisinhas mansas e palratórios amorosos, mas está sempre pronta a picar, a venenosa.


Quando a Gaffe ficou com o qualquer-coisa, as mulheres que conhecia ficaram muito contentes. Porque o qualquer-coisa era um tipo correcto; porque era mais velho do que ela uma data de anos e isso era uma vantagem; porque ficavam radiantes por a ver finalmente estável; porque o amor é lindo; porque (isto era importante) o homem era bem posicionado (embora a Gaffe nunca o tenha achado grande coisa na cama!); porque assim arranjava entradas para todo o lado e até porque conhecia o tout Paris.

Uma alegria.

A Gaffe chegou a temer que lhe caísse na cabeça, qual piano tresloucado e solto, aquela felicidade toda. Andou por ali, mas nunca convencida.
Acabou por descobrir facilmente que o mulherio se roía todinho de inveja e ciúme. Aquilo era noites sem dormir a matutar na forma de espantar o homem. A Gaffe percebeu também que os limites para o ataque eram bastante alargados quando o homem começou a receber SMS das ex-namoradas (grande lista que o paspalho tinha!) a declarar que estavam tão felizes que até lhe queriam dar os parabéns pessoalmente e de preferência as duas da manhã atrás das escadas.
Nunca deu grande importância àquilo. Não estava a morrer de amor. Sempre soube defender o que lhe diz respeito e é dela, enquanto forem, aqueles que dormem consigo na cama.

Amélia dos olhos doces, 
Quem é que te trouxe grávida de esperança? 
Um gosto de flor na boca, 
Na pele e na roupa, perfumes de França 


Quando o qualquer-coisa levou um chuto, as amigas entristeceram todas. Para trocar de lágrimas organizaram uma festinha com vinhos de todos os lados - as mais pindéricas beberam Coca-Cola -  e uma porcaria de queijos franceses ressequidos na casa dum amigo comum, com o qualquer-coisa como convidado de honra, para o rapaz mais facilmente esquecer o desaire.

 

As cabras!


Pouco tempo depois, a Gaffe conheceu um rapazinho engraçado, com mais ou menos a sua idade. Nada de grave. Tornaram-se grandes amigos. Tudo muito casto e muito recatado. Nada que uma freire não fizesse no escuro da cela, qual Mariana Alcoforado.

Ora o que é que acontece?

Pois é verdade! o mulherio que sim; que agora é que é; que o moço é mais novo; que estão tão felizes que até desatam a disparar orgasmos nas tábuas do povo.

A Gaffe deixou andar. Que se danassem.
Não passaram muitos dias para que o rapaz principiasse a receber em casa convites manhosos para festinhas e para bailaricos e mesmo para os desfiles da saison. A Gaffe nunca recebeu nada. Não era extensivo.

 

Por isso a Gaffe pensa que é melhor começar a ir ao futebol ou a lamber montras. Lamber só, que isto está tudo tão caro como os queijos franceses servidos por cabras invejosas. 

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A Gaffe relaxada

rabiscado pela Gaffe, em 21.06.14

A Gaffe não tem rigorosamente nada para dizer.

Isto é significativo, porque normalmente arranja sempre lenha para se queimar. Desta vez está seca. Deve ter sido por se ter enfiado num SPA. Coisa fina oferecida pela amiga que escolheu o cardápio, que tem sido uma fofa e a tem mimado muito.
Entrou pela manhã e deu para quase todo o dia. Saiu toda toldada e sem forças para mandar cantar um cego. Estas elegâncias não são coisas feitas para a Gaffe.
Depois duma data de preliminares que não interessam a ninguém, enfiaram-na num ambiente todo zen. Mandaram-na despir e embrulhar numa toalha branca que parecia almofadada. Deitaram-na numa espécie de estrado com um colchão que desatou a vibrar e a enjoou imenso.

Estava a Gaffe quase a escapar agarrada à toalha e entra uma delambida com um ar seráfico, vira-a de costas e, sinistra e arrepiante, começa a espetar-lhe pedras nas costas e a massajar-lhe a nuca com um calhau a escaldar.

Doida!

A Gaffe sabe que é tudo muito bonito e que as coisas se fazem assim e que até é muito normal estas tretas aromáticas e perfumadas, com pedras quentes e óleos misturados, mas a verdade é que não acha nada agradável ser amassada até entrar quase em coma oleosa. Gosta de estar atenta a tudo.
O que mais lhe custou foi a entrada dum homem lindo de cair para o lado que lhe vinha massajar o corpo com um gel a cheirar a chocolate (desta vez sem pedras nas mãos) e logo a seguir borrar-lhe a cara com uma massa feita de pepino (pelo menos, parecia, que a Gaffe de pepinos só os provou crus).

Mal o viu, pensou logo que, se o matulão a tocasse todo mansinho, lhe saltava a compostura e o tipo levava com uma tresloucada nos dentes. Um grande embaraço. Mas não! Aquilo foi mesmo melado e relaxante. O homem começa a apalpa-la e ela ali, toda gelatinosa, quase a dormir e a babar. Uma desgraça. Uma vergonha.
Agora a Gaffe compreende o estado em que a amiga sai dos SPA. Pensava que a mulher fumava uns charritos antes de sair e afinal apanha mas é com este manancial de oleosidades todas relaxantes que a deixa com os olhos turvos e aos encontrões às coisas.
Saiu dali ensonada e com uma cara de vegetal que nem regado arrebita. Quase não tinha forças para fechar a boca e segurar a saliva. Arrastou-se até casa e mal chegou à cama, adormeceu.

A sofisticação dos SPA não foi feita para saloias como esta rapariga.
Está como se tivesse apanhado uma tareia. Até as coxas lhe doem e as plantas dos pés também não estão famosas. Aquilo não devia ter este resultado, pensa a Gaffe. Mas também suspeita que o bonitão do pepino a relaxou em demasia e que meteu as rodelas onde não devia sem sequer dar cavaco às tropas.


Quando forem a um SPA levem de casa umas pedrinhas de gelo para acordar da morna moleza e nunca deixem que vos metam o pepino nos olhos.

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A Gaffe nas premissas

rabiscado pela Gaffe, em 21.06.14

Um homem deve criar o seu guarda-roupa com inteligência, organizá-lo com cuidado e em seguida esquecer que existe.

Sir Hardy Amies

 

Amies, independente e arrojado, foi um dos iniciadores do pronto-a-vestir para homem, o primeiro criador a encenar um desfile de moda masculina no Savoy Hotel, em 1960 e o primeiro que fez descer a altura das calças masculinas.

O seu icónico ABC de Moda Masculina, em 1954, escrito com humor e aprumo durante um período que revolucionou o estilo masculino, torna-se referência para a moda masculina sessenta anos depois. Nele anoto:

 

É fácil pensar em moda como um fenómeno frívolo. As roupas são no entanto uma parte muito importante das nossas vidas e devem ser usadas de modo a  facilitar viver.

 

E sublinho as dez considerações que parecem tão actuais como no momento em que foram escritas:

 

1 - Contraste

Para alcançar a aparente indiferença, absolutamente necessária a um homem, em relação ao vestuário, uma das peças, no mínimo, não deve conjugar.

Se usa um fato azul-escuro, gravata com listas regimentais no mesmo tom, uma camisa azul clara e meias azuis marinho, deve, então, escolher um lenço de seda estampado em vermelho escuro com cornucópias em tons castanhos.

 

2 - Luz

Um boné só é usado correctamente se tiver um padrão claro e limpo. Se desobedecer a esta premissa apenas adiciona uma pitada de sombrio ao rosto de um homem.

 

3 -  Alternância

Em primeiro lugar, deixe que as suas roupas descansem. Não use um fato ou os mesmo sapatos dois dias consecutivos. Ambos, tecido e couro, precisam de tempo para respirar.

 

4 -  Aroma

Não acho que exista uma mulher que não goste de um perfume de homem, mas certifique-se que a sua escolha vai para um aroma tão distante quanto possível do tipo de perfume que ela usa. Não necessita obrigatoriamente de algo limpo e floral.

 

5 - Italian Style

Os italianos têm um ar de superioridade masculina matizada por uma graça quase feminina, muito bem sucedido no jogo da atracção sexual.

 

6 -  Roxo

Não vejo utilidade nesta cor, excepto nas gravatas, meias e lenços. Se sabe como usá-la, então preciso de ajuda. Se desconhece o modo certeiro de usar o roxo, então desista.

 

7 - Preço

É claro que paga a etiqueta, mas não há nenhuma outra forma de a criar se não a pagar!

 

8 - Fumar

Não fume! Fumar tornou-se como uma questão privada, como assoar o nariz. Há modas nos gestos como as há nas roupas.

 

9 - Estilo

Para alcançar o estilo, deve sentir-se perfeitamente feliz e relaxado dentro do que veste. O que vestir deve fazer parte de si e não parecer um aglomerado de peças que vestiu.

 

10 -  Roupa interior

Deve ser tão limpo e tão minimal como divertida.

 

A casa Amies apresentou a sua colecção Primavera/Verão 2015 no Savile Row HQ e fez desfilar um allure retro de listras cítricas, estampados e alfaiataria Inglesa clássica que revisita o criador de 1970. Jaquetas de inspiração militar e casacos de vela em tons pastel, blusões e parkas de bolsos de chapa em verde pistacho e azul cambraia.

 

Creio que as premissas que nos são dadas ver foram respeitadas. 

Fotografia de Rosaline Shahnavaz

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