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Ilustração - Fernando Vicente


A Gaffe azeda

rabiscado pela Gaffe, em 26.06.14

Talvez fosse interessante divagar, mais uma vez, sobre a selecção portuguesa que parece um grupinho de entradotes liderados pelo mais reguila, mas francamente a Gaffe não tem paciência para augurar o futuro da desilusão. Podia ser um post bem interessante se reportasse à contaminação sublimada do poder do estereotipo pelo tablóide e se abordasse o significado do encontro entre vedetismo e mito. Mas a Gaffe não anda com paciência, por isso acaba por não dizer absolutamente nada que valha a pena ser dito (o que é frequente). 

 

Depois anda saturada de todas as análises inteligentes que por aqui se cravam. Aqui significa cá no burgo e cá nos blogs. A Gaffe concluiu que para se ser tido como capaz de se fazer corar de vergonha os mais distraídos, humilhar os maiores pensadores dos séculos passados e vindouros e dar a impressão de que se é um génio obscuro e ignorado por vontade própria, há obrigatoriamente que parecer azedo, amargo, desiludido e mal pago. Deve-se dizer o piorio de tudo o que passe pela frente e premiar doseadamente (não vá a gentalha achar que é do seu agrado) toda a porcaria impenetrável que é sempre de bom-tom considerar que se entende desde o início do tempo, mas que é complexo demais para chegar ao domínio do populacho. O povo, esse aglomerado de lixo diverso, jamais entenderá o que o analista viu e sempre soube. É imperioso dar a entender que sem a sua ajuda os pobres ficarão nas trevas da ignorância.
Se se for pessimista, amargo e azedo, sem parecer frustrado, pode-se arrasar tudo o que quer. Só dá prestígio e desperta naqueles que se considera indigentes (e que grassam por todo o lado, segundo a visão clara do amargoso) a maior admiração e reverência.

É evidente que resulta.

Os azedos que conseguem fazer passar a mensagem que avisa que, sem eles, o mundo era uma pantominice e um lodaçal de parolice, acabam por ser citados a torto e a direito e a arrastar um rol suficientemente largo de seguidores patéticos que não dão um suspiro com medo de represálias e reprimendas do mestre.
Também ajuda uma pitadinha de referências culturais, parágrafos enormes, com frases trapezistas e se possível uma ou outra citação, o mais hermética possível, de qualquer senhor morto e que portanto não pode clamar inocência e espalhar que não era bem aquilo a que se queria ligar. 


Temos pena. - Diz a Gaffe a arrasar de vez e com ácido sulfúrico tudo o que se move à sua frente.

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