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Ilustração - Fernando Vicente


A Gaffe de Reininho

rabiscado pela Gaffe, em 15.07.14

Tenho o prazer de conhecer Rui Reininho há já alguns anos, talvez por isso seja suspeita quando me levanto e o aplaudo, mesmo perante as atitudes que se reprovam e que Reininho eleva a um patamar de provocação muitas vezes inútil. Gosto de Reininho mesmo condenável.

Reininho é um dos homens mais fascinantes que conheço, porque a sua inteligência está misturada com um humor ousado que tem faltado àquela verdade que nos é atirada pelos dias que passam. É um corajoso patife, um anacrónico enfant terrible que não consegue deixar de nos fazer sonhar com o que poderíamos viver se lhe roubássemos os olhos e que nos desarma sempre, porque o seu spleen quase queirosiano nos chega mesclado de um optimismo que sabe que pode chorar depois.

Rui Reininho sabe manobrar audiências assim como sempre conseguiu manipular a sua imagem. Ultrapassa com facilidade os riscos com que é limitada a normalidade e permite, e autoriza tacitamente, que esta transgressão seja visível, usando-a para apoiar a construção da lenda (ia escrever mito!) em que se quer tornar.   

Reininho é um sacana fabuloso. Delicado como um cavalheiro vitoriano, cínico como um dandy de outras eras, meigo como um ursinho de peluche e incontrolável como a tempestade.

 

Só depois de muita hesitação se pode responsabilizar a RTP por nos ter permitido ver Rui Reininho a trocar as botas pelas perdigotas – ou coisa que o valha. Há sempre a possibilidade de cumplicidades esconsas entre as câmaras e o GNR. Também não me convence o tão proclamado desrespeito pelos concorrentes ou pelos espectadores que são processados de forma esbardalhada. Caso nos preocupássemos com tal acabavam todos os concursos.

 

Depois, ter Micael Carreira por perto justifica a bebedeira.

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A Gaffe apertada

rabiscado pela Gaffe, em 15.07.14

O nosso primeiro estúdio! Aquele que nos faz cantarolar Aznavour:

 

 Je vous parle d'un temps
Que les moins de vingt ans ne peuvent pas connaître
Montmartre en ce temps-là accrochait ses lilas
Jusque sous nos fenêtres et si l'humble garni
Qui nous servait de nid ne payait pas de mine
C'est là qu'on s'est connu
Moi qui criait famine et toi qui posais nue

La bohème, la bohème. Ça voulait dire on est heureux.

 

Lindo e apertado. A canção é maior.

No entanto, há pequenos truques que possibilitam a ilusão de vivermos num espaço maior com a mesma vontade de se ser feliz. Eis alguns:

Usemos todos os cantos da sala!

Há espaços escondidos, não importa onde. Encontre-os e use-os a seu favor.

Faça seu apartamento parecer maior e mais luminoso, usando espelhos e cores claras.

Pendure a sua roupa e coloque estantes nas paredes. Evite armários grandes. Poupa espaço e acaba por publicitar a novíssima t-shirt Chanel que lhe levou metade do ordenado.

Crie salas diferentes, colocando, por exemplo, um armário no meio.

Faça pequenos cantos relaxantes.

Se mesmo assim lhe parece que para abrir a porta do WC tem de afastar os móveis do vizinho, é tempo de procurar um nababo do Dubai com um visto doirado entregue em mão pelo Paulo Portas.

Em alternativa, pode aceitar as horas extras e passar menos tempo dentro do cubículo.   

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