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Ilustração - Fernando Vicente


A Gaffe teórica

rabiscado pela Gaffe, em 21.07.14

Sendhi Mullainathan da Universidade de Harvard e Eldar Shafir da Universidade de Princeton, dois especialistas em Economia Comportamental, acabam de publicar um interessantíssimo artigo onde declaram, numa síntese descarada e muito pouco esclarecedora, como é normal por aqui, que as nossas preocupações moldam o nosso cérebro e nos tornam menos inteligentes.

 

 Eis em resumo a Teoria da Escassez:

Na ausência do que consideramos essencial ou daquilo que necessitamos, o cérebro foca-se na procura de uma solução que rouba o espaço mental disponível.

 

Esta quase intuitiva teoria faz-nos conhecer o Efeito Túnel que refere que as nossas capacidades cognitivas, inteligência fluida, ou capacidade para analisar e resolver problemas abstractos e de controlo executivo e a capacidade de planeamento e controlo de impulsos, passam a estar subordinadas à necessidade detectada ou sentida. O Efeito Túnel consiste portanto no domínio daquilo que consideramos urgente e prioritário sobre o que não nos parece importante.

 

Apesar de um bocadinho assustador, traz vantagens:

- Prontidão de resposta - resolução de problemas com criatividade e eficácia (o famoso e tão português desenrascanço);

Sentido de valor mais apurado (um euro, um sorriso ou um minuto são bem mais valiosos se nos são escassos).

 

Mas as desvantagens são asfixiantes:

- Maior propensão para o fracasso - a mentalidade da escassez sobrecarrega e tende a resultar no insucesso por erros no processamento da informação;

- Menor capacidade de planeamento - metas a médio e a longo prazo são descuradas;

- Baixa margem de resposta a imprevistos (perda salarial, mudança familiar) por falta de disponibilidade mental. O exército do se acontecer logo se vê instala o cerco. A lógica previdente desaparece;

- Menor capacidade de autocontrolo – tende-se a falhar as metas possíveis (deixar de fumar, Recusa de fast food por parte dos obesos);

- Atrofia das competências cognitivas – contabilidade mental, análise racional e oportunidade de risco fica limitada a más escolhas;

Estupidificação de um povo.

 

O artigo dos dois cientistas não deve ter sido lido e estudado pelos governantes que continuam a não perceber que os apertos financeiros condicionam o rendimento colectivo e provocam um défice perigoso no funcionamento mental de um país.

 

Valendo o que quiserem, esta teoria vem pelo menos confirmar que a preocupante reforma de Cavaco realmente não lhe chega para as despesas. 

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A Gaffe longe do mar

rabiscado pela Gaffe, em 21.07.14

 

Que aconteceu ao contrabandista de Vila Verde de Raia?

Que é feito dos playboys de Tortosendo?

Do Louco de Trevim?

Que se passou com o casal de ferreiros apaixonados por livros?

E a Natália que dormiu na cela prisional do assassino do marido?

A Joaquina que viveu sozinha com a filha durante 20 anos numa aldeia abandonada?

 

Depois de ter reportado como jornalista correspondente os conflitos no Kosovo, Afeganistão, Iraque, Argélia, Angola, Caxemira, Sudão e Líbia, Paulo Moura, jornalista do Público, correspondente em NY, professor de jornalismo e editor da Pública, é editado pela Fundação Francisco Manuel dos Santos.

Longe do Mar - Uma Viagem pela Estrada Nacional 2 - é uma pequena obra-prima que descreve história de lugares e pessoas com um rigor cativante e um uso exemplar da língua e dos processos narrativos. De Chaves a Faro, numa jornada onde o coração é aliado da razão mais objectiva, Paulo Moura entrega-nos um vislumbre absorvente de paisagens humanas que nos parecem tão distantes como aquelas de tão perto ignoramos.

 

Uma obra belíssima que prova que um pequeno aro de metal pode sustentar um diamante.

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