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Ilustração - Fernando Vicente


A Gaffe comovida

rabiscado pela Gaffe, em 24.07.14

Há dias que nascem para nos surpreender de forma avassaladora.

 

Gosto de me encostar pela noite fora ao tronco nu do Jeremy e com ele abraçado a mim, a beijar-me a nuca e a mordiscar-me o pescoço, falar das mais absurdas tolices. Apagamos todas as luzes do interior e somos iluminados pelas da Avenida. Os dois, a trincar bolachas, vemos o mar e somos banais e idiotas.

Ontem, e porque mo recordaram, referi casualmente, entre uma dentada e um beijo pequenino, que nos conhecemos há exactamente seis meses. Ele sabia (claro!) e aproveitou para lançar a mais doce, mansa, terna, tímida e cuidadosa proposta de... noivado.
Apesar de acompanhada de um solavanco chegado do interior da alma, a minha resposta gaguejou.
Não seria justo! Alteraria princípios que respeito. Normas que estabeleci. Regras de vida. Modificaria comportamentos que me agradam. Provocaria quebras naquilo em que acredito.


- Não devemos contrariar, nem por amor, o que consideramos recto ou abdicar daquilo que estabelecemos como nossas prioridades. Seria como pedir que cortasses o cabelo! Não faz sentido! Não gosto de o ver tão comprido, mas não peço.


A comparação não foi, como é evidente, das melhores, mas não se pode pedir demasiado a uma criatura, atrapalhada e encostada a um peito em ebulição, que vai recusar um pedido de noivado.
O Jeremy sorriu. Abraçou-me e ficamos quietos a morder bolachas.
Hoje, há cerca de vinte minutos atrás, a minha irmã chegou em labaredas.


- Trago comigo um rapaz que quero que conheças.


Arrebitei as orelhas.
Repleta de glamour, a minha irmã faz surgir então o Jeremy belíssimo, moreno, luminoso, de sorriso aberto, de olhos tímidos e ... de cabelo rapado!
Rente, com o brilho da estrela da manhã.


O meu rapaz é assim!

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A Gaffe sobe e desce

rabiscado pela Gaffe, em 24.07.14

Coreia do Sul - Seul - foto de Kevin Lowry

É sempre uma alegria quando encontramos um objecto urbano banal e quotidiano a que foi entregue um encanto peculiar.

Das cores geometrizadas de Beirute às delícias florais sicilianas, das chilenas teclas de piano aos mosaicos de rosas em Teerão, estas escadas fazem calcorrear com um prazer imenso todos os momentos de chegada e abraçar com saudade todos os instantes em que temos de partir.

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