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Ilustração - Fernando Vicente


A Gaffe do Nespresso

rabiscado pela Gaffe, em 30.09.14
A máxima o que não mata, engorda, deve ter sido escrita por uma nutricionista psicopata e sem imaginação.

É evidente que a morte é uma dieta certeira. Mortos, emagrecemos imenso, mas é um erro dietético colocar o inverso como facto incontestável. É bem mais certo o não mata, mas mói e toda a rapariga esperta reconhece que moer é um verbo que envolve esmagamento e que pode implicar um pilão e um almofariz.

Estar do lado do pilão, não causa dano. Segundo a Gaffe, quando há vassourada o melhor lugar é ao lado da vassoura. Ser o almofariz subentende apenas o nosso ombro salpicado pelas farinhas do drama alheio.

O problema é quando somos o grão ou os três elementos em simultâneo.

 

Mas deixemos para outros carnavais o matutar sobre este assunto e debrucemo-nos sobre Clooney.

 

O rapagão casou!

 

É curioso o modo como Amal Alamuddin é descrita e são interessantes os comentários que a referem.

Apenso à sua imagem é destacada a sua inteligência. Amul é inteligente, aponta toda a imprensa colocando o apontamento ao lado da notícia que refere que o assalto ao arranha-céus foi executado por um homem de raça negra e outro de etnia cigana e muito perto do comentário desportivo que elogia a bela atleta de salto em altura, detentora de recorde olímpico.

É um escândalo o facto de Clooney se apaixonar por uma mulher inteligente. Que parvo! É uma tolice um homem desatar a querer casar com alguém que não pensa com as mamas, não é?!

A apensar à inteligência, Amul é realmente demasiado magra, embora não pareça apresentar sintomas de patológicas obsessões, excessos doentios ou distúrbios perigosos.

Clooney revela-se mais uma vez um idiota!

Resmas! Resma de boazonas burras e o homem vai escolher um cedro libanês, ainda por cima inteligente!

Bradd Pitt casou com Angelina Jolie, valha-me Deus! Tinha o exemplo ao lado, embora pensar com as mamas não seja neste caso uma referência de bom-tom.

É possível, mas não certo, que Amul se venha a transformar num modelo para algumas raparigas cloonadas e que a anorexia espreite também através dela a instabilidade feminina, mas podemos da mesma forma esperar, sejamos optimistas, que a inteligência noticiada ganhe a parada e que Amul encarne a vitória do cérebro sobre o rabiosque.   

 

Disseram-me um dia que deve ser bom amar um homem feio. Creio que Clooney descobriu como é magnífico amar uma mulher que é apenas imperfeita.  

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Gaffe com Antónios

rabiscado pela Gaffe, em 29.09.14

Existe seguramente uma diferença entre os Antónios.

A Gaffe não faz beicinho e não sente o queixinho a tremer quando vê Costa na frente.  

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A Gaffe clicando

rabiscado pela Gaffe, em 29.09.14

Não a macem!

É cansativo ouvir dizer pela milionésima vez que o cheiro do papel é imprescindível, que não há nada como o folhear calmo do assunto ou que o volta atrás caseiro e relaxado são alguns dos factores decisivos para a vitória do livro em papel.

Em relação ao cheiro, a Gaffe propõe que se amarrote perto do nariz uma página da Maria enquanto se lê um digital Flaubert, embora considere que, snifar por snifar, antes cocaína.

No que diz respeito às outras prerrogativas, a Gaffe admite que a vida é também feita de pequenos hábitos que se vão criando ou destruindo sem que se transformem em muros cegos ou no fim do destino.

Apesar da Gaffe confessar que prefere o objecto por razões bem mais prosaicas – não consegue ler no monitor do seu PC um texto muito grande sem trocar os olhos – o livro digital é tão desejável quanto o seu rival.

Depois, há sempre Maria Antonieta! Se o livro está pelo preço da morte, comam brioches.

Nesta linha aristocrática de pensamento, a Gaffe decide apontar mais de duas centenas de inodoras preciosidades, sem sequer verificar se as traduções trazem o fétido cheiro dos charcos.

 

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Gavetas:

A Gaffe na promoção

rabiscado pela Gaffe, em 28.09.14

A Gaffe refere que não fica esclarecido se somos obrigadas a levar o conjuntinho.

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A Gaffe imperfeita

rabiscado pela Gaffe, em 26.09.14


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Gavetas:

A Gaffe da EDP

rabiscado pela Gaffe, em 25.09.14

Junho de 2013

Entrei no meu novíssimo apartamento.

Fui das primeiras inquilinas do edifício e durante imenso tempo vivi com a chamada luz de obra, porque a EDP, embora com tudo a postos e tudo o resto operacional, ainda não tinha instalado o que quer que seja que tem de instalar para me fornecer um contador próprio.

Julho de 2014

Já com vizinhos, uma brigada de dois garbosos rapagões atacou o prédio e declarou o estado de sítio, cortando a luz de obra e desatando a ligar fios e pavios e a cravar contadores por tudo quanto era canto. O que prometeram durar duas ou três horas, levou um dia inteiro e só não se arrastou por mais tempo porque uma senhora desatou à estalada metafórica acusando a EDP de lhe estragar os congelados. A brigada só então foi reforçada e o trabalho finalizado.

Esperava este milagre para unir o contrato de gás que já tinha assinado com a EDP ao da luz que assinaria agora, transformando tudo no chamado Casa-Total que me dá um desconto na conta a que somaria aquele a que tinha direito por ser sócia do ACP.

Comunico o meu sonho a EDP.

Recebo pouco tempo depois duas contas de gás.

Tinham duplicado o contrato. Comunico a EDP o erro. A EDP pede desculpa e afirma que o problema está resolvido e que devo ignorar a segunda conta que recebi.

Ignoro a segunda conta.

Recebo a terceira com a referência de novo contrato.

Informo a EDP que o contrato foi triplicado.

A EDP pede desculpa e afirma que o problema está resolvido e que só devo considerar a primeira factura enviada.

Considero apenas a primeira factura e informo novamente que quero o contrato Casa-Total, visto já ter gás fornecido pela EDP e contador de electricidade. Estava somente à espera que me enviassem os documentos.    

Que sim.

Recebo pouco tempo depois novo contrato de gás para assinar.

Dirijo-me a um balcão EDP e espero mais de uma hora para ser atendida.

- Curenta e três!

Preferia ter sido o treuze.

O senhor que me atende é um fofinho, mas não consegue olhar para as pessoas. Levanta os olhos do monitor e crava-os no tecto enquanto me informa que não existe referência no sistema à minha fracção. Será que eu sei o NISS do edifício? O construtor deve saber!

Não! Não sei se o construtor sabe, nem sequer sei se escrevi bem isto e começo a sentir raiva de quem sabe e não lhes diz.

A Câmara não deve ter inserido no sistema.

O quê?

Não há referência ao número do meu apartamento. A numeração salta-lhe em cima.

A funcionária que está com este processo está de baixa prolongada, porque lhe morreu o pai.

Entretanto o senhor amável de olhos no céu vai tentar acelerar a resolução do problema.

Há que esperar.

Espero.

Setembro de 2014

Recebo por SMS um agendamento de deslocação de uma brigada da EDP para o dia seguinte, entre as 10 e as 11 horas.

A mensagem não refere o número de quem a enviou.

Tento telefonar para a EDP para informar que não agendei coisa nenhuma e que um agendamento não deve ser unilateral.

Não é ali. Ali é a EDP Comercial. Devo ligar para a EDP Distribuição.

Ligo para a EDP Distribuição.

Não sabem do que se trata, mas devo tentar ligar para a EDP Comercial. Informo que foi a EDP Comercial que me disse para ligar para a EDP Distribuição. Ah! Então deve ser para instalar o contador.

Não deve ser para instalar o contador, porque o contador está instalado desde Julho.

Deixo o número de telemóvel para me esclarecerem quando souberem do que se trata.

Recebo confirmação do agendamento para o dia seguinte entre as 10 e as 11 horas.

A mensagem não indica o número do remetente.

Desisto e tento ser substituída.

Sou substituída.

Fico em casa toda a manhã para receber, entre as 10 e as 11 horas, os senhores da EDP que chegam às 13.20h para instalar o contador.

Informo que o contador já foi instalado em Julho.

Pedem para verificar.

Verificam, durante mais de meia hora.

Telefonam para o chefe.

Pedem desculpa, mas não sabem o que se passa. Sugerem que telefone para a EDP Comercial para reportar a coisa.

Recebo hoje pelo correio um envelope com um contrato EDP-luz para devolver depois de apensar o meu nome na linha assinalada com uma cruzinha. A data do documento que tinha de assinar era a de 1 de Janeiro de 2014.

O contador foi instalado em Julho de 2014. Em Janeiro tinha a luz da obra.

O envelope tinha andado para trás e para a frente, porque tinha o endereço errado. Faltava o número do andar, que foi desenhado posteriormente a esferográfica.

No corpo do documento o endereço estava completo.

Devolvi a papelada, rasurando a data e por assinar.

Continuo à espera.  

 

Entretanto decidi açambarcar uma tonelada de velinhas, não vá a EDP decidir que afinal eu moro noutro lado e que apenas ando a galhofar com toda a gente. 

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A Gaffe olímpica

rabiscado pela Gaffe, em 24.09.14

Quando os deuses decidiram que era chegada a hora de distribuir benesses, a Gaffe estava sentada na fila da frente, de perna traçada, com os sapatos Manolo Blahnik da irmã, caracóis fulvos a reflectir os relâmpagos divinos, de tailleur Chanel a preto e branco, carteira de crocodilo com ferragem Prada e o colar de pérolas da praxe.

Um luxo.

É evidente que os deuses se renderam.

- A piquena é o máximo!

A piquena teve então direito a tudo. É evidente que não tem nada a declarar a não ser os dois irmãos desesperantemente perfeitos que lhe foram doados.

Seguindo as passadas dos Espírito Santo, a Gaffe considera uma maçada ter o seu nome misturado com números de somenos importância ou a titular contas que só devem ser manuseadas pelos economistas e por aquelas criaturas que marcam uma cruzinha na ausência de rendimentos quando lhe preenchem o boletim do IRS.  

 

MAS

 

- A Gaffe sabe que nos tempos que correm é socialmente mais correcto choramingar desgraças de plástico do que usar as pérolas da avó.

- A Gaffe sabe que é mais bonito e mais fofo esgadanharmo-nos pelo panda ou pelo tigre da Malásia, tão fotogénicos, do que defender a carriça da Nova Zelândia ou o morcego do Uzbequistão que parecem os amuletos horríveis daquela tribo que seca e mirra as cabeças dos inimigos para as usar ao pescoço.

- A Gaffe sabe que não é conveniente esbardalhar um  vison, mesmo uma excelente imitação, porque nos arriscamos a ser acusadas de ter assassinado o Topo Gigio e de sermos facínoras ambientais.

- A Gaffe reconhece que chorar é mandamento neste mundo e que quem não chora não mama ou já está morto e que, posto assim, é bem melhor optar por nos desfazermos em lágrimas com make-up à prova de água, dentro de um Rolls.

- A Gaffe descobre cedo que é mais inspirador ser-se falido igual aos outros que faliram e teórico abespinhado com as tragédias pequerruchas de mundos pequeninos do que entregar ao que pede uma sardinha piedosa uma rede de pesca unida a dois tabefes nas bocas descaídas dos falidos que nós somos.

- A Gaffe percebe que um sofá caseiro e amanteigado é o lugar mais conveniente para nos insurgirmos contra a queda de aviões e caçarmos terroristas à la carte.   

          

É evidente que apesar das dádivas dos deuses, a Gaffe às vezes sente um buraco negro dentro do peito para onde é perigosíssimo espreitar.

Enche-o de reprovações beatificadas, de hipócritas revoltazitas, de condenações popularuchas, de indignações bolorentas e de mesquinhos beliscões moralistas, manda que o tapem com cimento armado em chique e vai afogar o sentimentozinho de culpa que lhe entregam no SPA do Olimpo.   

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A Gaffe sossegada

rabiscado pela Gaffe, em 23.09.14

A verdade é que a Gaffe começava a ficar deprimida com a ausência do seu querido batráquio e já o imaginava perdido, envolto em más companhias, mafiosamente viciado em circos pouco recomendáveis, de navalha e de canivete escondidos no esconso dos seus planos criminosos, pronto a entrar na Casa dos Segredos e a disfarçar com novas tatuagens o Amor da Gaffe tão mimosamente gravado junto ao coração.

A Gaffe fica tão feliz quando, gentil e benevolente, o Sapo se lembra de a visitar!

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Gavetas:

A Gaffe inquirida

rabiscado pela Gaffe, em 22.09.14

A Gaffe foi mais uma, duas, vezes desafiada. Destas vezes pelo interessantíssimo Francisco e pela minha querida Mariana.

Aproveita e, mesmo sabendo que isto não vai de todo soar bem, mata dois coelhos com uma paulada. Responde de uma só vez a estes dois torturadores, a estes dois maldosos inquisidores, a estes dois maléficos carrascos, que a fazem abanicar a mãozinha tentando afastar o calor que sente a ruborizar as bochechas.

Não vai nomear os blogs que lhe exigem, porque não conhece assim tantos!

Depois, os desafios são como os pássaros. Mais vale um longe do que dois a fazer de sobremesa. 

Francisco

1 - O que é que te leva a ires escrever um Post?

O infortúnio de saber que me vou sentir exausta noutro lado.

2 - Qual seria a tua reacção se na página inicial do Sapo Blogs tivesse a destacar 5 Posts teus?

Tinha o desconforto de admitir que até uma excelente equipa pode enlouquecer quando trabalha em demasia.   

3 - O que é que achas que leva as pessoas irem ao teu Blog?

Ninguém com juízo lê o meu blog. A falta de juízo é responsável por muitas catástrofes.  

4 - Se me visses na rua, qual seria o teu esconderijo?

O teu bolso…

5 - Tens algum blog que te sirva como inspiração? 

Não. A verdade é que acompanho muito poucos e os que sigo serão sempre melhores que o meu. Não tenho ilusões.

6 - Se pudesses criar algo totalmente novo num Post, o que seria?

Publicava um nu frontal do Brad Pitt em três dimensões.

7 - Gostavas de fazer o Blog a tua profissão?

NÃO! Gosto tanto de não me sentir cansada!

8 - Qual eram os desenhos animados que mais gostavam de ver quando eram minis?

Gostava muitíssimo dos clássicos. Ainda estou apaixonada pelo Daffy Duck.

9 -. Qual foi a coisa mais maluca que fizeste pelo Blogs Sapo?

Levei-o comigo para a cama.

10 - O que mais gostas de fazer quando não estás no Blog?

Gosto de tudo, menos de assar sardinhas.

11-  O que mais te alegra quando chegas ao Blog?

O espaço em branco que me deixa escrever tontices. 
Mariana

 Sete factos sobre mim

1 - Quando era muito, muito pequenina, queria ser chinesa ou reformada. Só desisti do primeiro sonho.

2 - No infantário chamavam-me Rouille. Todos os dias pedia à minha mãe que me pintasse o cabelo com um marcador preto. Percebi que era mais fácil calá-los com uma chapada nos dentes.  

3 - No colégio usava uniforme e, talvez por isso, nunca mais me senti tão pertença de um grupo como nessa altura.

4 - Decidi estudar numa faculdade portuguesa, porque sabia que tinha dois irmãos deslumbrantes que me abafariam se os tivesse ao lado.

5 - O meu melhor amigo é um gigante genial que sofre de Asperger.

6 - Descobri que o homem da minha vida era também o homem da vida de uma data de gente, incluindo a da esposa grávida e a do filho.  

7 - Sempre lamentei não ter nenhum talento especial. Gostava mesmo de ser Van Gogh, porque tenho orelhas feias.

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Gavetas:

A Gaffe ortográfica

rabiscado pela Gaffe, em 22.09.14

Antes de tudo, convém referir que sou doutora Honoris Causa no assunto que me traz aqui.

Raras são as criaturas que como eu foram surpreendidas pela transcrição integral de um post seu num blog que destacou a vermelho os erros que ali foram cometidos. Embora não se reportasse à ortografia, a cor que fazia sobressair as gralhas que se limitavam a erros de concordância – numa frase feminina estaria escrito dois em vez de duas – gritava também numa pretensa análise literária, que se não fosse tão patética seria presunçosa, onde a correctora apontava os vocábulos que deveriam ser extraídos do texto e refazia frases que não tinha entendido ou que lhe desagradavam pela formulação escolhida. Um remoque digno de figurar nos anais do absurdo e do ridículo ou, de forma mais minimal, nos anais, simplesmente.    

Posto isto e provado o estatuto de privilegiada nestas andanças correctoras, volto com redobrada atenção a ler a Gaja.

É evidente que Dos erros é um texto inteligente, com um humor invejável, eficaz, certeiro, arguto e que tem a sorte de ser primorosamente ilustrado nos comentários apensos. Tem outras qualidades que me abstenho de referir, porque devo moderar os adjectivos.

Creio no entanto que poderá conter um aspecto perverso a não descurar.

Ninguém quer pertencer a qualquer um dos grupos de correctores ali apontados e caracterizados.

Os comentários feitos revelam uma opinião pouco lisonjeira acerca dos que nos vão apontando as falhas ortográficas. Admito ser desagradável dizerem-nos que o á que escrevemos humilha o verbo haver ou que encontrastes modo de contaminar uma frase inteira, mas acelerar quando se avista o atropelado, não é na esmagadora maioria dos casos a atitude mais certa.

É divertido o modo como no Dos erros é visto o corrector, mas acaba por fazer com que me retraia quando me deparo com uma calinada alheia, receando a minha inclusão num dos grupos desenhados com ácido pela Gaja ou que me distancie por completo do erro cometido, num silêncio que acaba por ser cúmplice.    

Pode ser sugerido este silêncio? É justificado o assobiar para o lado? Será suficiente sentir vergonha alheia? De que forma é aceitável indicar a alguém um erro ortográfico? Como o fazer sem encarnar na desagradabilíssima figura de censor mofento? De que forma escapar à classificação da Gaja? Deixar incólume o prevaricador ou apontar-lhe a faca do correcto?

 

Confesso que não sou uma rapariga corajosa quando embato com um texto em que os erros ortográficos, os erros de pontuação ou os erros de sintaxe e semântica transformam uma frase num cenário de pós-guerra.

Fujo.

Nunca mais volto ao campo daquela batalha perdida e tremo ao pensar que também eu posso disparar sem ter mira segura, mas eu sou uma miúda muito frágil e tenho muito medo de granadas. 

 

cartoon de Henrique Monteiro 

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A Gaffe na Foz

rabiscado pela Gaffe, em 20.09.14

A saudade que tinha deste mar em fúria! 
Doido, com garras, a explodir na minha Avenida, menina indefesa de olhos soturnos e dedos ruelas. Menina com alma encharcada. Salitre e rochedo. Menina dos olhos. 
A minha Avenida com medo do mar de olhos molhados.

 

Menina de um rio a desaguar.

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Gavetas:

A Gaffe e um inquérito

rabiscado pela Gaffe, em 19.09.14

De que matéria é erguido este homem?
De que poeira ou de que asas?
Quem construiu a desmesurada força da quietude que mergulha toda inteira nos lagos escuros dos olhares magoados?
Com que ruídos é construído todo o silêncio de uma alma?
Quais as perguntas que ninguém nos faz?
Quais são as respostas que nunca nos deram?
Porque insistimos em manter de pé a invasiva fidelidade ao que nos mantém únicos ou ao que nos transforma lentamente em pedra?
De que matéria se constrói um abandono?

 

(Porque me lembrei do meu Amigo sentado de mãos cruzadas, gigantesco e manso, terno e quase frágil e sei que há medonhas fortalezas naquele peito fechado e genial.)

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A Gaffe escatológica

rabiscado pela Gaffe, em 19.09.14

Vi chegar o senhor com o dobro da minha altura e com o quádruplo da minha largura. Atrasado e apressado, suado e bigodado. Acachapado. De gravata larga com coloridas cornucópias de seda mal lavada, camisa esbranquiçada, fato costumeiro de risca cinza sobre fundo preto, arrepanhado, e sapatos de biqueira quadrada a dar-a-dar berloques. 
Estendeu-me a papuda, peluda e gigantesca manápula e abanou-me até ao fim do mundo.  
Confesso-me impotente! Não sei o que fazer a partir do instante em que me diz com voz cava e máscula, de homem muito homem, muito macho: 


- Estou aflitinho para fazer cócó!

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A Gaffe angélica

rabiscado pela Gaffe, em 17.09.14

A Primavera/Verão 2015 de Tom Rebl é surpreende, luminosa e uma coisa para nos fazer desejar depressa o Inverno. 

À alvura dos rapazes une-se a profusão dos acessórios que numa atitude que toca o exagero, que nestes casos está sempre próximo do mau-gosto, fazem peso sobre o tronco límpido do desejo.

Não é, de todo, uma colecção de empatia imediata. Exige o lapidar das formas que se podem considerar incompatíveis com as escolhas masculinas habituais pela amplitude dos desenhos e escolha de tecidos.  

Claramente pertença das grandes metrópoles indiferentes onde é possível ignorar um homem mascarado de anjo ainda com os brilhos das asas perdidas ao pescoço. 

Notinha de rodapé - Não vale olhar para os indícios de irritação nos locais onde o rapazinho se depila. 

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A Gaffe na capoeira

rabiscado pela Gaffe, em 15.09.14

Só as raparigas espertas são capazes de alterar com extrema elegância um ditado popular.

Apenas elas conseguem dizer impunes vale menos um pássaro na mão que uma data deles depenados.  

foto: Daks - Primavera/Verão 2015

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