Saltar para: Posts [1], Pesquisa e Arquivos [2]




Ilustração - Fernando Vicente


A Gaffe na capoeira

rabiscado pela Gaffe, em 15.09.14

Só as raparigas espertas são capazes de alterar com extrema elegância um ditado popular.

Apenas elas conseguem dizer impunes vale menos um pássaro na mão que uma data deles depenados.  

foto: Daks - Primavera/Verão 2015

 photo man_zps989a72a6.png

Autoria e outros dados (tags, etc)

A Gaffe por agendar

rabiscado pela Gaffe, em 15.09.14

Quando está tudo em reboliço, atolado em trabalho, a rebolar por tudo quanto é lado e eu sentada na poltrona a olhar as unhas, arranjam-me sempre qualquer coisa desagradável para fazer.

Ontem a minha irmã, completamente tresloucada, de papéis na boca e olhar de sociopata assassina, encarregou-me de ligar para o telemóvel pessoal do seu cabeleireiro com o objectivo de marcar um corte de cabelo a um cliente. Não é política da casa agendar bricolage, e muito menos agendá-la aos Domingos, mas a minha irmã é uma predadora e sabe perfeitamente como lançar armadilhas às presas. O corte de cabelo não passava, portanto, de um golpe certeiro. Alguém ia ser abatido através do fascínio exercido indirectamente pela minha irmã usando o prestígio de um cabeleireiro premiado pela CARAS. Telefonei cerca de quatro vezes e, nessas quatro vezes, ninguém atendeu. Depois, esqueci-me.

 

Quando hoje o senhor chegou percebi que bastaria o barbeiro da esquina para o deixar compostinho, desde que no referido barbeiro não houvesse ventoinha. O senhor, redondo e baixinho, recusava a ser careca e que por isso penteava-se como se trouxesse uma aranha gigante, preta, agarrada ao ovo da cabeça. Declarou-se muito agradecido e explicou:

– A menina sabe, lá em cima - não faço a mínima ideia do que se passa lá em cima. Uma rapariga esperta é perita no que se passa em baixo - não há coisa que preste e o meu filho é um jovem sofisticado.

Percebi então:

1 - Que o cabelo era o do filho sofisticado daquele senhor e não o bicho que o senhor trazia na cabeça;

2 - Que ninguém se tinha lembrado que o cabeleireiro da minha irmã encerra às Segundas-feiras;

3 – Que, mesmo que não encerrasse, não havia marcação nenhuma em lado nenhum, porque EU me tinha esquecido por completo do caso.

 

A minha irmã só não mandou que me torcessem os mamilos até jorrar sangue pelo nariz, porque suspeitou que o rapazola poderia querer trocar de lugar comigo. Mas tudo se resolve quando está em jogo um jovem sofisticado como aquele. Juntamos esforços e, com o guedelhudo ao colo, suplicamos e conseguimos agendar excepcionalmente um corte de cabelo para amanhã às 18 horas. A Rita apanhou o cliente que sorria alarve enquanto, durante quase uma hora, o filho, jovem e sofisticado, desancava nos cabeleireiros bichas, e insultava, aviltava, massacrava, arrasava, destruía, abatia e espezinhava a homossexualidade em geral. O rapaz babou-se, riu, esgadanhou-se, fez de mimo - muito bem por sinal -, cantou, recitou, contou anedotas, aplaudiu-se e enojou-se. Tudo para se mostrar de costas viradas a essa doença. A minha irmã plantou na cara o seu mais perfeito sorriso e eu ia imaginando o pai do jovem sofisticado, todo nu, a dançar o fandango, com um cacho de bananas na cabeça e o retrato de rapaz pendurado nas miudezas.

 

Amanhã às 18 horas há corte de melenas e já fui surpreendida com uma data de SMS irritados do meu querido M. que se mostra espantado e indignado com o jovem sofisticado a quem vai cortar o cabelo e que deseja muito, muito, muito, muito, jantar com ele.

Ah, que ele quer tanto, tanto, tanto!

 

Só espero que o M. lhe faça umas tranças ou então uns totós. Apesar de demasiado frequente, é sempre uma experiência groumet jantar um macho empedernido mascarado de liceal sofisticada.

 photo man_zps989a72a6.png

Autoria e outros dados (tags, etc)

a Gaffe incensada

rabiscado pela Gaffe, em 15.09.14

É uma maçada quando somos apanhados por palavras, expressões ou fragmentos descontextualizados.

 

Quando ouvi sem o mapa todo que Isabel Jonet tinha mencionado os profissionais da pobreza, pensei que a senhora se estava a referir a ela.  

Existem os profissionais do lixo, os homens do gás ou senhor do Círculo dos Leitores, porquê renegar a tarefa desempenhada pela querida?!  

Considerei muito digno Isabel Jonet ter chamado os bois pelo nome.

 

Depois percebi, já na posse do cartaz inteiro, que Isabel Jonet falava dos profissionais da pobreza na mesma linha dos que falam das profissionais do sexo.

 

Faz todo o sentido, embora no último caso, o proxeneta não tenha direito a incensarias.

 photo man_zps989a72a6.png

Autoria e outros dados (tags, etc)


foto do autor




  Pesquisar no Blog






Copyrighted.com Registered & Protected 
JIFR-J5MR-Y1XR-YACD