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Ilustração - Fernando Vicente


A Gaffe inquirida

rabiscado pela Gaffe, em 22.09.14

A Gaffe foi mais uma, duas, vezes desafiada. Destas vezes pelo interessantíssimo Francisco e pela minha querida Mariana.

Aproveita e, mesmo sabendo que isto não vai de todo soar bem, mata dois coelhos com uma paulada. Responde de uma só vez a estes dois torturadores, a estes dois maldosos inquisidores, a estes dois maléficos carrascos, que a fazem abanicar a mãozinha tentando afastar o calor que sente a ruborizar as bochechas.

Não vai nomear os blogs que lhe exigem, porque não conhece assim tantos!

Depois, os desafios são como os pássaros. Mais vale um longe do que dois a fazer de sobremesa. 

Francisco

1 - O que é que te leva a ires escrever um Post?

O infortúnio de saber que me vou sentir exausta noutro lado.

2 - Qual seria a tua reacção se na página inicial do Sapo Blogs tivesse a destacar 5 Posts teus?

Tinha o desconforto de admitir que até uma excelente equipa pode enlouquecer quando trabalha em demasia.   

3 - O que é que achas que leva as pessoas irem ao teu Blog?

Ninguém com juízo lê o meu blog. A falta de juízo é responsável por muitas catástrofes.  

4 - Se me visses na rua, qual seria o teu esconderijo?

O teu bolso…

5 - Tens algum blog que te sirva como inspiração? 

Não. A verdade é que acompanho muito poucos e os que sigo serão sempre melhores que o meu. Não tenho ilusões.

6 - Se pudesses criar algo totalmente novo num Post, o que seria?

Publicava um nu frontal do Brad Pitt em três dimensões.

7 - Gostavas de fazer o Blog a tua profissão?

NÃO! Gosto tanto de não me sentir cansada!

8 - Qual eram os desenhos animados que mais gostavam de ver quando eram minis?

Gostava muitíssimo dos clássicos. Ainda estou apaixonada pelo Daffy Duck.

9 -. Qual foi a coisa mais maluca que fizeste pelo Blogs Sapo?

Levei-o comigo para a cama.

10 - O que mais gostas de fazer quando não estás no Blog?

Gosto de tudo, menos de assar sardinhas.

11-  O que mais te alegra quando chegas ao Blog?

O espaço em branco que me deixa escrever tontices. 
Mariana

 Sete factos sobre mim

1 - Quando era muito, muito pequenina, queria ser chinesa ou reformada. Só desisti do primeiro sonho.

2 - No infantário chamavam-me Rouille. Todos os dias pedia à minha mãe que me pintasse o cabelo com um marcador preto. Percebi que era mais fácil calá-los com uma chapada nos dentes.  

3 - No colégio usava uniforme e, talvez por isso, nunca mais me senti tão pertença de um grupo como nessa altura.

4 - Decidi estudar numa faculdade portuguesa, porque sabia que tinha dois irmãos deslumbrantes que me abafariam se os tivesse ao lado.

5 - O meu melhor amigo é um gigante genial que sofre de Asperger.

6 - Descobri que o homem da minha vida era também o homem da vida de uma data de gente, incluindo a da esposa grávida e a do filho.  

7 - Sempre lamentei não ter nenhum talento especial. Gostava mesmo de ser Van Gogh, porque tenho orelhas feias.

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Gavetas:

A Gaffe ortográfica

rabiscado pela Gaffe, em 22.09.14

Antes de tudo, convém referir que sou doutora Honoris Causa no assunto que me traz aqui.

Raras são as criaturas que como eu foram surpreendidas pela transcrição integral de um post seu num blog que destacou a vermelho os erros que ali foram cometidos. Embora não se reportasse à ortografia, a cor que fazia sobressair as gralhas que se limitavam a erros de concordância – numa frase feminina estaria escrito dois em vez de duas – gritava também numa pretensa análise literária, que se não fosse tão patética seria presunçosa, onde a correctora apontava os vocábulos que deveriam ser extraídos do texto e refazia frases que não tinha entendido ou que lhe desagradavam pela formulação escolhida. Um remoque digno de figurar nos anais do absurdo e do ridículo ou, de forma mais minimal, nos anais, simplesmente.    

Posto isto e provado o estatuto de privilegiada nestas andanças correctoras, volto com redobrada atenção a ler a Gaja.

É evidente que Dos erros é um texto inteligente, com um humor invejável, eficaz, certeiro, arguto e que tem a sorte de ser primorosamente ilustrado nos comentários apensos. Tem outras qualidades que me abstenho de referir, porque devo moderar os adjectivos.

Creio no entanto que poderá conter um aspecto perverso a não descurar.

Ninguém quer pertencer a qualquer um dos grupos de correctores ali apontados e caracterizados.

Os comentários feitos revelam uma opinião pouco lisonjeira acerca dos que nos vão apontando as falhas ortográficas. Admito ser desagradável dizerem-nos que o á que escrevemos humilha o verbo haver ou que encontrastes modo de contaminar uma frase inteira, mas acelerar quando se avista o atropelado, não é na esmagadora maioria dos casos a atitude mais certa.

É divertido o modo como no Dos erros é visto o corrector, mas acaba por fazer com que me retraia quando me deparo com uma calinada alheia, receando a minha inclusão num dos grupos desenhados com ácido pela Gaja ou que me distancie por completo do erro cometido, num silêncio que acaba por ser cúmplice.    

Pode ser sugerido este silêncio? É justificado o assobiar para o lado? Será suficiente sentir vergonha alheia? De que forma é aceitável indicar a alguém um erro ortográfico? Como o fazer sem encarnar na desagradabilíssima figura de censor mofento? De que forma escapar à classificação da Gaja? Deixar incólume o prevaricador ou apontar-lhe a faca do correcto?

 

Confesso que não sou uma rapariga corajosa quando embato com um texto em que os erros ortográficos, os erros de pontuação ou os erros de sintaxe e semântica transformam uma frase num cenário de pós-guerra.

Fujo.

Nunca mais volto ao campo daquela batalha perdida e tremo ao pensar que também eu posso disparar sem ter mira segura, mas eu sou uma miúda muito frágil e tenho muito medo de granadas. 

 

cartoon de Henrique Monteiro 

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